Não faz sentido pensar no fim do Euro. Este foi o consenso a que chegaram os especialistas reunidos hoje (16/8), na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) para debater a crise econômica na Europa e como ela deve impactar a economia mundial.
Giorgio Trebeschi, responsável pelo Banco Central da Itália, afirma que o medo de que países como a Grécia comecem a deixar o Euro para tentar reverter a crise pela qual estão passando está impactando o custo de rolagem da dívida europeia, o que dificulta a recuperação local. Contudo, segundo Trebeschi, para os países membros da União Europeia que adotaram a moeda única, está não é uma possibilidade. “O custo de quebrar com o Euro é tão grande que não há como isso acontecer”, sentencia.
O economista chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor do Banco Central (BC), Carlos Thadeu de Freitas Gomes, explica que “do ponto de vista macroeconômico, deixar o Euro seria a solução para muitas economias, mas, para a microeconomia, isto é muito complicado”. Gomes pondera que, caso isso acontecesse, todos os contratos feitos em Euro teriam que ser reavaliados, o que tornaria o processo inviável.
O Cônsul Econômico da França, Stéphane Mousset, argumenta, entretanto, que o mercado está olhando para essa questão como se ela fosse puramente econômica. “É preciso lembrar que o Euro não é simplesmente um assunto econômico, mas um elemento central da sociedade que estamos tentando construir”, aponta. Mousset afirma, ainda, que o tempo da democracia não é o tempo dos mercados e “nós escolhemos, com responsabilidade, seguir o tempo da democracia”.
A solução não é rápida, mas deve fortalecer o Euro quando a Europa finalmente sair da crise. Ao menos é isso o que acredita o Cônsul Geral Adjunto da Alemanha, Rainer Müller. Mas enquanto a crise na Europa não acaba, como fica o mercado internacional? Bom. Muito bom, ao menos para o Brasil e a China.
“O Brasil não tem se safado da crise com poucas marcas. Tem se beneficiado dela”. Paulo Rabello de Castro, presidente do Conselho Superior de Economia da FecomercioSP, afirma que o Brasil tem “uma sorte que beira a indecência” e está tendo a oportunidade de aproveitar um mercado internacional com commodities agrícolas e minerais muito valorizadas. “O que o Brasil está fazendo com essa oportunidade é outra história”, ironiza. “Não estamos aproveitando nossa sorte e, com isso, deixamos de contribuir para a recuperação da economia global.”
No computo geral, os especialistas afirmam que o crescimento do PIB brasileiro este ano está muito aquém do possível, mas ponderam que o País não está preparado para crescer entre 4,5% e 5% ao ano. “Nos acomodamos com o mercado de commodities e não nos tornamos competitivos”, critica Rabello. Outro agravante é que o Brasil não dispõe mais de um “exército de reserva” esperando para ingressar no mercado de trabalho. O lado positivo é que também não devemos “amargar” anos de crescimento próximo a 2%, sendo mais provável que o Brasil volte a crescer entre 3,5% e 4% ao ano.
Brasil tem se beneficiado da crise int...