04/09/2012

FecomercioSP debate qualificação profissional no País

 

Com a presença de especialistas dos mais diversos segmentos, o fórum "Formação do Capital Humano: Inovação para a Competitividade", que ocorreu na sede da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) debateu a qualificação profissional no Brasil. Uma das conclusões apontadas em consenso pelos palestrantes no evento liderado pelo presidente do Conselho de Criatividade e Inovação da FecomercioSP, Adolfo Melito, foi a necessidade de uma mobilização social para melhorar a qualidade da educação no Brasil ao invés de esperar por medidas do poder público.

André Sacconato, diretor de pesquisa da Brasil Investimentos e Negócios (BRAiN), apontou a falta de profissionais qualificados como um dos impeditivos do pleno crescimento de alguns setores da economia brasileira. "Não dá para esperar. O Brasil é um gigante que acordou e está precisando de alimento. É preciso melhorar a educação hoje. O Brasil não pode deitar nos louros de ser a melhor economia da América Latina, tem que batalhar e fazer acontecer. Para isso, talentos e capital humano são primordiais para um País que deseja ser potência", apontou Sacconato.

Considerado como período essencial na formação de mão de obra, o ensino médio no País apresenta um desempenho preocupante: nove Estados apresentaram queda na avaliação educacional, segundo o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ibed), divulgado pelo Ministério da Educação (MEC). "Não acredito mais que a questão dos educadores passa por salários altos. No Brasil não se valoriza a pesquisa e a busca pelo conhecimento. Os professores não estudam. É uma categoria que acaba a faculdade e não volta. O professor é um agente político. Se ele não se conscientizar do papel transformador dele, a educação está perdida", aponta Cláudia Coelho Hardagh, avaliadora do MEC e professora doutora do Centro Universitário Senac.

Uma pesquisa apontada por Luiz Felipe D'Ávila, presidente do Centro de Liderança Pública, aponta que a produtividade está relacionada com a baixa qualidade da educação brasileira. Enquanto o brasileiro produz sete dólares por hora trabalhada, o chileno produz 14 dólares e o americano 37. "Há uma ilusão de que o Brasil pode crescer sem investir em capital humano. Para mudar esse quadro temos o desafio de confrontar a realidade, os sacrifícios, as mudanças que precisam ser feitas e criar senso de urgência. É preciso ter uma liderança transformadora, enfrentando os reais problemas, mobilizando pessoas", aconselha D'Ávila.

O encontro ainda reuniu Flávio Mendes, líder de redes sociais e colaboração para a América Latina da IBM, e Luiz Edmundo Rosa, diretor de educação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH).




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