27/05/2010

“A lógica é criar cidades dentro da cidade”, afirma Della Manna


Conselho de Desenvolvimento das Cidades da Fecomercio debate reestruturação de São Paulo priorizando o desenvolvimento das áreas periféricas

São Paulo, 27 de maio de 2010 -  São Paulo precisa pensar em adensamento urbano, em modernizar a cidade, mas sem deixar de aproveitar as estruturas já existentes. Foi com este pensamento que o arquiteto e urbanista Eduardo Della Manna apresentou ao Conselho de Desenvolvimento das Cidades da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio), presidido por Josef Barat, uma proposta de nova estratégia de intervenção na Capital Paulista.

Della Manna, diretor de Legislação Urbana do Secovi, afirma que a cidade precisa repensar seu desenvolvimento de forma mais sustentável, privilegiando o crescimento econômico e social das periferias. O arquiteto destaca que 40% da população da capital vive nestas áreas, mas quase todos trabalham no centro, o que gera um movimento pendular que sobrecarrega o transito e prejudica a qualidade de vida do cidadão. “As pessoas precisam acordar mais cedo para ir para o trabalho e, com o intenso movimento, gastam mais tempo e recursos para voltar às suas casas quando anoitece”, aponta. “São gastos de tempo e energia que não geram bem algum.” O urbanista está certo de que “o trem deve ser o fio condutor” e a cidade não tem futuro se mantiver a prioridade ao automóvel como meio de transporte principal.

A solução, segundo Della Manna, seria investir na reestruturação da cidade, focando em terminais de interligação modal, ou seja, aqueles que reúnem vários tipos de transporte – rodoviário, ferroviário, metroviário e, eventualmente, as hidrovias. Em torno de estações estratégicas, como Tamanduateí ou Corinthians-Itaquera, seriam construídos núcleos de comércio e serviço, congregando zonas verdes, áreas públicas e áreas com condomínios residenciais. “A lógica é criar cidades dentro da cidade”, explica. “Evitaríamos que as pessoas precisem deixar a região onde moram para ir trabalhar. Diminuiríamos o número de carros nas ruas.”

Josef Barat defende a ideia, mas ressalva a importância da criação de uma agência de desenvolvimento para fazer o projeto andar. “Sem uma agência responsável, teríamos o mesmo problema que muitos programas têm hoje, um setor do governo não conversa com o outro”, crítica. “A implantação desse projeto seria uma mudança muito positiva para as perspectivas de planejamento urbano.”


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