08/07/2010

"Planejamento de longo prazo não é o forte da cultura brasileira”, afirma Josef Barat


Presidente do Conselho de Desenvolvimento das Cidades da Fecomercio aponta que há muito a ser feito para receber a Copa de 2014

São Paulo, 8 de julho de 2010 – Com a Copa da África terminando, e com a eliminação do Brasil, os preparativos e as expectativas para o próximo mundial começam a crescer e voltam a ser um dos temas predominantes, seja nos jornais, seja nas mesas de bar. Hoje, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, concedeu uma entrevista coletiva na qual comentou o assunto e deixou transparecer a ideia de que está tudo indo de acordo com os planos.

Josef Barat, presidente do Conselho de Desenvolvimento das Cidades da Fecomercio, respondeu algumas perguntas sobre o que devemos esperar para 2014 e se posicionou de maneira mais crítica, discordando do presidente da CBF em vários pontos e destacando que são grandes os desafios que o Brasil tem pela frente, bem como a chance de não se cumprir o cronograma. Acompanhe.

Na Coletiva de hoje, Ricardo Teixeira afirmou que os três principais problemas do Brasil para a Copa de 2014 são: aeroportos, aeroportos e aeroportos. Qual a opinião do senhor?
Barat –
Os aeroportos realmente são nosso principal problema, mas não o único. Também temos que trabalhar a questão da mobilidade urbana e das infraestruturas de apoio, que abrangem os setores responsáveis por energia, saneamento e comunicações. Outro ponto fundamental, que precisa ser pensado, é a qualificação dos trabalhadores dos segmentos de comércio e serviços, que irão atender os turistas.

Então o senhor discorda de Ricardo Teixeira quando ele afirma que a questão da mobilidade urbana está bem adiantada?
Barat –
Não está nada adiantada. Exceto em alguns casos específicos, como o do metrô de São Paulo, o transporte público é precário e apresenta sérias restrições de capacidade que se somam ao problema crônico que é a falta de planejamento.

Em julho de 2011 o Brasil irá sediar o primeiro evento relacionado à Copa, que é o sorteio para as eliminatórias de todos os continentes. Precisamos nos preocupar com a infraestrutura para receber este evento ou, quanto a este ponto, não teremos problemas?
Barat –
Claro que devemos nos preocupar. As infraestruturas urbanas que temos são precárias. Também não podemos esquecer que, atualmente, a atenção do mundo está voltada para a questão ambiental, sendo que as poluições do ar e sonora, bem como a falta de limpeza urbana, são fatores altamente negativos para a imagem do país.

Segundo o presidente da CBF, nenhuma das sedes se candidatou oficialmente para realizar a Abertura da Copa no Brasil. Ainda pretende-se realizar a abertura da Copa em São Paulo? Como fica a questão do estádio paulista?
Barat –
Sim, pretende-se. Mas se prevalecer o interesse que alguns setores têm demonstrado de construir um novo estádio, perderemos uma ótima oportunidade de utilizar a capacidade já existente e investir em um sistema de transporte de massa efetivo. O desperdício de recursos, neste caso, poderá ser grande.

Ricardo Teixeira também afirmou que a construção dos estádios está dentro do prazo, exceção feita aos estádios de Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Na África, vimos os estádios terminarem de ser construídos às vésperas da Copa, o senhor acredita que teremos o mesmo problema aqui ou concorda com o presidente da CBF?
Barat –
Todos nós sabemos que o planejamento de longo prazo não é o forte da cultura brasileira. Com improvisações e descontinuidades, são grandes os riscos de descumprimento dos cronogramas e de vermos uma repetição do que aconteceu na África.




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