21/03/2012

Toda informação pode ser usada contra você


Em seminário na FecomercioSP, especialistas afirmam que dados coletados por aplicativos de smartphones podem ser usados de formas que você não espera

As lojas de aplicativos do iPhone e do Android têm cerca de 500 mil softwares cada e movimentam mais de 1 bilhão de downloads por mês. Apesar de muitos desses aplicativos oferecerem facilidades e comodidade, também abrem espaço para a apropriação indevida de dados e podem comprometer a privacidade dos usuários de smartphones. As vantagens e os perigos dessa relação foram debatidos durante o seminário “Aplicativos x Privacidade”, realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)”, na manhã de hoje (21), na sede da entidade, na capital paulista.

Segundo o presidente do Conselho de Tecnologia da Informação da FecomercioSP, Renato Opice Blum, o grande problema é que as pessoas baixam aplicativos sem saber quais dados são coletados e para que eles serão usados. “O ideal seria que os aplicativos tivessem termos de uso claros para o consumidor”, afirma. “Hoje, contudo, não existe uma clareza sobre o que pode e o que não pode ser feito, e enquanto o termo de uso de alguns programas da Apple tem mais de 40 páginas, o de alguns ‘apps’ só tem uma linha”, completa. Já Rony Vainzof, vice-presidente do conselho, argumenta que a maioria dos usuários não lê os termos de uso porque sabe que, se não concordar com eles, não poderá utilizar o aplicativo.

Na opinião do diretor da Express Apps, Sérgio Cury, parte da insegurança quanto ao uso das informações coletadas pelos aplicativos se deve ao crescimento muito rápido desse mercado, que ainda é muito recente. “O próprio iPhone só começou a ser vendido em 2008, e o Android só surgiu um ano depois”, comenta. Cury destaca que os sistemas já representam 70% dos mais de 247 milhões de aparelhos celulares no Brasil, 19% deles com internet 3G.

Para se proteger do uso indevido dos dados coletados por aplicativos, Marcio Pissardo, diretor da Livetouch, afirma que o melhor método ainda é ler com cuidado os termos de uso, que precisam estar em português. “é um erro das empresas ter termos de uso somente em inglês, porque é possível invalidar o contrato alegando que se desconhece o idioma”, explica. Pissardo também recomenda que se coloque uma senha no celular, já que os aplicativos guardam muitas informações pessoais. “Em caso de perda ou roubo, é a melhor forma de prevenir que suas informações sejam acessadas por outras pessoas”, conclui.

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