Em seminário na FecomercioSP, especialistas afirmam que dados coletados por aplicativos de smartphones podem ser usados de formas que você não espera
As lojas de aplicativos do iPhone e do Android têm cerca de 500 mil softwares cada e movimentam mais de 1 bilhão de downloads por mês. Apesar de muitos desses aplicativos oferecerem facilidades e comodidade, também abrem espaço para a apropriação indevida de dados e podem comprometer a privacidade dos usuários de smartphones. As vantagens e os perigos dessa relação foram debatidos durante o seminário “Aplicativos x Privacidade”, realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)”, na manhã de hoje (21), na sede da entidade, na capital paulista.
Segundo o presidente do Conselho de Tecnologia da Informação da FecomercioSP, Renato Opice Blum, o grande problema é que as pessoas baixam aplicativos sem saber quais dados são coletados e para que eles serão usados. “O ideal seria que os aplicativos tivessem termos de uso claros para o consumidor”, afirma. “Hoje, contudo, não existe uma clareza sobre o que pode e o que não pode ser feito, e enquanto o termo de uso de alguns programas da Apple tem mais de 40 páginas, o de alguns ‘apps’ só tem uma linha”, completa. Já Rony Vainzof, vice-presidente do conselho, argumenta que a maioria dos usuários não lê os termos de uso porque sabe que, se não concordar com eles, não poderá utilizar o aplicativo.
Na opinião do diretor da Express Apps, Sérgio Cury, parte da insegurança quanto ao uso das informações coletadas pelos aplicativos se deve ao crescimento muito rápido desse mercado, que ainda é muito recente. “O próprio iPhone só começou a ser vendido em 2008, e o Android só surgiu um ano depois”, comenta. Cury destaca que os sistemas já representam 70% dos mais de 247 milhões de aparelhos celulares no Brasil, 19% deles com internet 3G.
Para se proteger do uso indevido dos dados coletados por aplicativos, Marcio Pissardo, diretor da Livetouch, afirma que o melhor método ainda é ler com cuidado os termos de uso, que precisam estar em português. “é um erro das empresas ter termos de uso somente em inglês, porque é possível invalidar o contrato alegando que se desconhece o idioma”, explica. Pissardo também recomenda que se coloque uma senha no celular, já que os aplicativos guardam muitas informações pessoais. “Em caso de perda ou roubo, é a melhor forma de prevenir que suas informações sejam acessadas por outras pessoas”, conclui.
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