Conferência de Teresópolis e Carta da Paz Social
Um dos marcos da atuação política da Fecomercio-SP, foi a ativa participação na Conferência de Teresópolis, evento que reuniu as classes produtoras do País para uma avaliação sobre seus problemas em comum. Realizada em 1945 a Conferência tinha como objetivo debater a reorganização econômica no pós-guerra.
Coincidentemente o evento encerrou-se apenas um dia antes da rendição alemã e do término da guerra na Europa. Como resultado do encontro foi elaborado um documento que ficou conhecido como “Carta Econômica de Teresópolis”. Ao mesmo tempo em que enfatizava a industrialização, a Carta afirmava que “à democracia política, que é a vocação dos brasileiros, deve corresponder uma verdadeira democracia econômica” e defendia que a produção “deve ser organizada com o preparo das leis, das instituições, do aparelhamento administrativo, e com a cooperação dos capitais e da técnica das nações amigas, notadamente de nossos aliados norte-americanos”.
Inspirados nos princípios sociais da Carta de Teresópolis, um grupo de empresários lançou em 1946 a Carta da Paz Social expressando sua preocupação com a polarização entre o capital e o trabalho e propondo o que era visto como a possibilidade de estabelecer solidariedade e harmonia entre as classes, propugnando que o primeiro passo para humanizar essas relações seria a criação dos serviços sociais, tanto da indústria, quanto do comércio.
A Carta propunha a criação de um Fundo Social constituído pela contribuição de cada empresa – agrícola, industrial e comercial – a ser aplicado em obras e serviços que beneficiem os empregados, visando maior bem-estar, atendimento das necessidades sociais urgentes e melhoramento físico, profissional e cultural da população.
Nasciam ali Sesc e Senac, para mudar definitivamente os rumos da formação, do lazer, da prestação de serviço e da cultura dos trabalhadores e da população em geral.
SESC
Criado em 1946 por iniciativa do empresariado do comércio e serviços, que o mantém e administra, o SESC (Serviço Social do Comércio) tem por finalidade a promoção do bem-estar social, do desenvolvimento cultural e da melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores desses setores, de suas famílias e da comunidade em geral.
Para que ocorra a participação e interação efetiva do público, todas as atividades ou apresentações feitas nas unidades do Sesc incluem a realização de oficinas, cursos e vivências. O favorecimento à diversidade cultural é outro valor fundamental para a ação do Sesc, pois constitui uma forma de autoconhecimento dos indivíduos.
O Sesc São Paulo dispõe, atualmente, de uma rede de instalações físicas formada por mais de 30 unidades disseminadas pela capital, interior e litoral do estado de São Paulo.
Priorizando o lazer do trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo, o Sesc configurou uma rede de Centros em que o cliente-cidadão pode desfrutar destes serviços num mesmo equipamento.
A proposta original em seu protagonismo assistencial veio atualizando-se em função das mudanças econômicas, políticas e sociais, estas, em foco consequente quanto às formas renovadas de atendimento do Sesc no Estado. Nesse sentido e, pensando numa medida que possa aferir esse alcance, podemos contabilizar em número de pessoas atendidas nos diversos centros, o que na última década pode se traduzir numa frequência anual de 14 milhões de pessoas, superando em número proporcional, a população empregada no setor do comércio de bens e serviços em todo o Estado.
O desenvolvimento econômico da última década trouxe novas oportunidades de expansão dos programas Sesc a um maior número de trabalhadores, sobretudo aos de menor renda, o que se verifica com os novos equipamentos que serão inaugurados até 2015, totalizando oito novas Unidades Sesc na Capital e Interior.
Mas o ritmo dessa expansão física só tem sido possível pelas características da gestão que alia agilidade no gerenciamento, dada pela estrutura organizacional do departamento em São Paulo, com a finalidade social da missão que se soma às variáveis econômicas que têm impactado a dinâmica de contribuições e o crescimento do trabalho formal. Não fosse o cenário econômico das duas últimas décadas e o empenho dessa liderança do empresário Abram Szajman, o perfil atual da entidade seria outro.
SENAC
Criado com objetivo de promover ensino e formação profissional voltada ao comércio, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac São Paulo) conta com uma programação que se caracteriza pela diversidade de formatos e temas relacionados ao universo de comércio de bens, serviços e turismo.
Há cursos livres, de iniciação, cursos técnicos, de graduação, pós-graduação lato sensu e stricto sensu, além de uma gama variada e constante de palestras, seminários, workshops e outros eventos educativos em que se priorizam o debate, a discussão, a reflexão e o aprendizado contínuo.
A instituição congrega uma rede de mais de 50 unidades no Estado de São Paulo e ainda três campi, em Águas de São Pedro, Campos do Jordão e na zona sul da capital. A rede é composta também pelos hotéis-escola Grande Hotel São Pedro e Grande Hotel Campos do Jordão, centros de excelência no desenvolvimento de profissionais para as áreas de hotelaria, turismo e gastronomia no país.
Em 1995 passou a funcionar também a Editora Senac São Paulo, que já tem milhões de livros vendidos e um catálogo premiado, focado nos segmentos científico, profissionalizante, técnico, universitário e cultural, sempre em sintonia com as áreas de especialização e desenvolvimento da instituição.
Responsabilidade social e sustentável
O Senac São Paulo trabalha para oferecer serviços e produtos acessíveis a todos os segmentos da sociedade e, por meio de suas equipes e ações institucionais, promove a superação das formas de exclusão.
Desde 2009, a instituição ampliou a Política Senac de Concessão de Bolsas de Estudo, concedendo, desde então, quase 80 mil benefícios em todo o Estado. Só em 2011 42 mil vagas gratuitas serão oferecidas. Esse número tende a crescer até 2014, quando dois terços dos recursos compulsórios da instituição serão destinados à gratuidade.
A cada ano, o Senac implementa cerca de 150 projetos de geração de renda, socioambientais e de promoção da saúde, beneficiando pessoas em todo o Estado. Entre essas iniciativas estão o Programa Educação para o Trabalho – metodologia que capacita jovens acima de 14 anos para o ingresso e a permanência no mercado –; campanhas de amamentação; além da supervisão das redes sociais, mobilização organizada das comunidades para construção e realização de projetos locais.