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Sustentabilidade

Maquiagem ecológica busca conquistar espaço no mercado brasileiro

Crescente procura dos consumidores por produtos mais naturais ultrapassa o setor de alimentos e chega ao de cosméticos

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Maquiagem ecológica busca conquistar espaço no mercado brasileiro

Por Jamille Niero

Apesar de ser um conceito novo, a maquiagem ecológica vem ganhando espaço na nécessaire das mulheres. Para ser considerado ecológico, o produto deve ter matéria-prima de origem natural em percentuais maiores do que 50% em sua composição (em peso), desde que os produtos naturais tenham função ativa e funcional. Além disso, devem ter procedência conhecida e controlada para garantir sua qualidade, sua segurança e renovação da fonte. É o que explica Jefferson Santos, químico e diretor da Associação Brasileira de Cosmetologia.

“Suponhamos que uma base corretiva seja formulada com argila natural. Para ser classificada como maquiagem ecológica, a argila presente deve ser proveniente de fonte conhecida, deve-se assegurar de que as quantidades extraídas serão repostas sem dano ao meio ambiente, que há condições de garantir uma homogeneidade de material extraído e que haja garantias da não contaminação microbiológica ou por metais pesados”, esclarece.

De acordo com o especialista, a onda de cosméticos ecológicos nasceu no final dos anos 70 em nichos de mercados na Europa e Estados Unidos. No Brasil, atualmente as matérias-primas naturais usadas em linhas de maquiagem com apelo ecológico são supridas localmente em sua quase totalidade por produtores ou por importadores que operam no país. “Mais de 80% dos ingredientes são de origem nacional, fazendo eco aos apelos da diversidade vegetal de nossos diferentes ecossistemas”, comenta.
 
O químico ressalta que a demanda por matérias-primas para produtos ecológicos dentro do universo da maquiagem ainda é pequeno, mas o interesse do consumidor aponta para um crescimento contínuo. Vale ressaltar que maquiagens ecológicas costumam ser de 20% a 30% mais caras que os itens convencionais.
 
Vantagens
Segundo a médica dermatologista Lilia Guadanhim, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, as maquiagens ecológicas se destacam por serem pouco danosas ao meio ambiente e, por terem menos conservantes do que as maquiagens tradicionais. Além disso, são melhor toleradas por pacientes com peles sensíveis e tendências alérgicas.
 
“Por esse motivo, a validade dos produtos tende a ser mais curta, e a cosmética, a textura e o odor podem ser piores do que os produtos tradicionais”, comenta sobre os “efeitos colaterais”.

Faça você mesmo
Pessoas alérgicas, juntamente com as veganas, formam os dois principais públicos do curso de maquiagem natural Eco Essencial, realizado pela Harmonie, empresa especializada em aromaterapia. A primeira edição do curso, que conta com três módulos, ocorreu em outubro do ano passado, no Rio de Janeiro e reuniu 20 alunas. A próxima edição acontece agora em julho, em São Paulo.

A professora, Daiana Petry, conta que a ideia de ensinar as pessoas a produzirem suas próprias maquiagens de forma natural e artesanal surgiu ao ganhar um blush de uma marca alemã, feito apenas com ingredientes naturais. Daiana, que é naturóloga e aromaterapeuta, foi ao Marracos e à França estudar a fabricação de maquiagens naturais. 
  
Ela engrossa o coro de que ainda há poucas opções no mercado brasileiro, mas o público consumidor é crescente. “Vejo cada vez mais pessoas interessadas em alimentação e cosméticos naturais. Mas maquiagens orgânicas, por exemplo, são caras. Um lápis de olho chega a custar R$ 60,00. O lápis produzido no curso sai por R$ 7,00”, aponta.

A duração realmente é menor: o produto é válido por cerca de um ano. Isso porque o conservante usado é natural, dificultando competir com os fixadores sintéticos.
Para a dermatologista, é válido fazer a própria maquiagem, mas é preciso ficar atento a alguns pontos. “Há práticas que não trazem risco à saúde, como por exemplo a fabricação de hidratantes labiais a base de manteigas vegetais.
 
Os perigos principais estão no uso de óleos essenciais, principalmente os advindos de frutas cítricas, que podem ter ação fotossensibilizante (ou seja, causar manchas na pele se houver exposição solar)”, observa. Além disso, ela frisa ainda que o uso de especiarias, como canela, gengibre, noz moscada e açafrão para a confecção de pós faciais pode causar irritações na pele. Em caso de alergia, vale sempre consultar um médico dermatologista.

Iniciativas sustentáveis podem concorrer ao 5º Prêmio Fecomercio de Sustentabilidade, que está com as inscrições abertas até 30 de agosto. Para mais informações e para ler o regulamento, clique aqui.

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