Ao que tudo indica, os preços dos alimentos deverão seguir em patamares pressionados no início de 2012. Isso porque, as condições climáticas nas principais regiões produtoras (Sul e Sudeste) têm causado problemas para o desenvolvimento de algumas safras, embora alguns produtos já tenham saído do período de entressafra, como proteínas de origem animal, que não apresentaram reflexo nos preços até o final do ano passado. Na segunda quinzena de dezembro o cenário para os preços no setor agrícola foi delineado da seguinte forma:
Café – a produção mundial de café pode sofrer retração de 3,34% conforme estimativas da Organização Internacional de Café (OIC). Isso porque o clima não tem colaborado para o pleno desenvolvimento das safras e as ocorrências de algumas pragas corroboram ainda mais para um cenário de oferta menor. A preocupação fica por conta do comportamento dos preços frente à demanda ainda aquecida de países como Ucrânia, Rússia, Índia, México e Coréia do Sul. Ao que tudo indica, o café deve seguir com preços elevados e firmes.
Aves – os preços seguiram em patamares levemente altos em dezembro, fruto da aquecida demanda internacional por esta proteína em 2011. Para 2012 os embarques podem seguir aquecidos, pois há novos mercados a serem abertos, como Malásia, Paquistão e Camboja. Há expectativa de aumento da demanda chinesa pelas carnes de aves brasileiras.
Embora o medidor oficial da inflação na economia brasileira tenha ficado no limite superior da meta estipulada, os próximos meses, aparentemente, deverão registrar preços de alimentos ligeiramente pressionados. As atenções ficam voltadas à normalidade de chuvas na região Sul, que amarga uma estiagem desde meados de novembro do ano passado, e na região Sudeste, em que o excesso de chuvas prejudica o escoamento pelos estragos nas rodovias.