Agrícola em Foco – 2ª quinzena de fevereiro

Embora alguns indicadores de preços já tenham iniciado a trajetória de arrefecimento antecipada por este blog, outros produtos agrícolas ainda devem registrar movimentos para cima. Contudo, o cenário que se tem agora é de uma situação mais favorável para o desempenho das safras já que as condições climáticas apresentaram uma melhora significativa. Vale sempre ressaltar que as chuvas aliviam alguns problemas e criam outros. Melhoram as pastagens reduzindo o preço da carne e complicam a produção de alguns hortifrúti.

As carnes bovinas, contando com maior oferta de fêmeas para o abate e com a normalização das pastagens, mantém sua tendência de queda. Sazonalmente, nos primeiros meses do ano, há uma redução no consumo deste produto e a queda no preço se deu mesmo com o aumento no volume embarcado de carne. O Brasil exporta carne para 150 países, de acordo com o Sindicarne, mas o embargo russo tem ocasionado recuo significativo nos volumes embarcados perto do potencial existente.

Alguns produtos in natura, como o tomate, por exemplo, ainda sofrem em consequência do excesso de umidade que provocou o apodrecimento de parte das lavouras. Ao contrário do que costuma acontecer, a oferta restrita fez com que os preços recuassem por conta da péssima qualidade dos frutos e muitos agricultores não tem conseguido cobrir seus custos, tampouco escoar sua restrita produção.

Para as safras dos grãos, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) estima que a produção nacional de milho aumente em 7% em 2012, compensando as perdas das safras de verão já que houve incremento nas áreas plantadas da safra de inverno. O cereal, inclusive, dificilmente deve enfrentar problemas de oferta já que a produção ucraniana – um dos grandes players do mercado – deve dobrar de tamanho na comparação com o ano passado.

A situação dos combustíveis é interessante. Atualmente, em período de entressafra, os preços no atacado quase não oscilaram graças ao incentivo à estocagem. Particularmente no varejo de São Paulo os preços deverão impactar de maneira mais pronunciada no bolso do consumidor por conta de uma paralisação da categoria que esgotou o estoque em alguns postos, fazendo o preço subir momentaneamente. É importante ressaltar que mesmo havendo estoque internamente, o mercado externo tem sido mais vantajoso que o interno tanto para o açúcar quanto para o etanol, o que cria sempre uma situação de incerteza quanto à destinação destes produtos no longo prazo.

A demanda desaquecida das férias fez com que o preço dos leites e demais derivados lácteos pudessem retornar aos patamares normais. Além disso, a recuperação das pastagens corrobora com a tendência de queda nos preços. De outro lado, o componente que pode perturbar o cenário baixista para os alimentos é o custo do frete, devido às péssimas condições das vias de escoamento. Há trechos com avarias severas em Goiânia, Acre, São Paulo, Roraima, Minas Gerais, Rio de Janeiro, entre outros.

Resumindo, embora o IPCA tenha desacelerado ligeiramente de 0,56% para 0,45% em fevereiro, o cenário para um processo de realinhamento de preços mais sustentável é propício. As pressões nos preços, agora, deixam .de ser ocasionadas por condições climáticas e passam a refletir nada mais do que os gargalos de nossa frágil infraestrutura.

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