O crédito está crescendo, isso é um fato. O número de pessoas com acesso a financiamento está maior hoje do que era em anos passados. Esse fenômeno, como em todos os casos, pode ser analisado como algo positivo, ou como um risco, a depender do gosto do analista. De uma forma geral a FecomercioSP acredita que o aumento do crédito é algo saudável. É por meio do crediário que consumidores tiveram acesso a bens de maior valor, a carros e a casas.
Para os analistas mais otimistas, o aumento do volume de crédito está sendo feito de forma lenta, gradual e responsável. O volume de crédito cresce, porém os prazos médios estão se alongando e, na perspectiva de longo prazo, as taxas de juro médias caindo. Esse processo não enseja, aos olhos da FecomercioSP, preocupação adicional àquela que sempre se deve ter com relação aos riscos de crédito e inadimplência.
Para os analistas pessimistas, as taxas de crescimento do volume de crédito são muito grandes e aceleradas. Isso pode vir a pressionar demais a inadimplência e provocar um efeito dominó de bancos e empresas com problemas de insolvência.
O quadro abaixo mostra, na visão da FecomercioSP, que o crescimento do volume de crédito não é tão espantoso quando se olha em perspectiva. Na realidade, é falacioso dizer que o volume de crédito cresceu 15% ou 20% ao ano. Essas taxas são nominais e, quando comparadas com o crescimento nominal do PIB, ou da renda (que acompanha o consumo), o resultado é bem diferente. De fato há crescimento dos recursos voltados para financiar consumo e/ou investimentos, porém nada indica que haja um descompasso entre essa taxa de crescimento e a responsabilidade do setor financeiro. Para terminar, o crescimento do crédito também tem obedecido à lógica do emprego, que continua sólido e crescendo, oferecendo um ambiente de pouca hostilidade aos credores.
