O setor automobilístico é um dos segmentos mais importantes da economia. Emprega muita gente direta e indiretamente. Produz um produto de elevado valor agregado e também tem sua importância simbólica: foi um dos setores que alavancou o desenvolvimento industrial do Brasil a partir da década de 1950/1960 e nele foram geradas algumas das lideranças mais importantes dos trabalhadores, com seu expoente máximo o ex-presidente Lula.
Por todos esses aspectos o setor chama muita atenção da mídia. Do outro lado, sob a visão da nova classe média emergente do País, o carro é um dos sonhos de consumo dessas pessoas que passaram a ter crédito e percebem possibilidades de melhoria gradual na sua situação profissional. Tudo isso torna atrativas as análises sobre a produção e a venda de automóveis no Brasil.
O quadro acima mostra alguns números não convencionais. A produção nacional e a absorção interna ou vendas internas (licenciamentos) são números corriqueiros dessas análises. A FecomercioSP criou alguns outros indicadores importantes:
1. Vendas internas de importados;
2. Exportações nacionais;
3. Vendas internas de nacionais;
4. Absorção de nacionais (vendas internas de nacionais + exportação de carros nacionais)
Com base nesses indicadores, nos primeiros quatro meses do ano, pode-se dizer que há de fato um processo de arrefecimento tanto das vendas quanto das importações e das exportações. Ou seja, o mercado interno e o mercado internacional de veículos para o Brasil estão ambos em compasso de espera. Externamente, esse é um processo que ocorre por conta da crise internacional que atinge alguns de nossos parceiros comerciais mais importantes, somada a uma importante restrição argentina aos nossos produtos. Do lado interno, o movimento era não só esperado como desejado pelo governo. Não fosse assim o governo não teria editado as medidas macroprudenciais ao final de 2010, com clara intenção de reduzir as facilidades para aquisição de automóveis que, se não fossem monitoradas poderiam criar problemas maiores, como aumento exagerado da inadimplência, super aquecimento da economia que naquele momento pressionava a inflação e incapacidade produtiva interna que seria ajustada com crescentes importações.
Por outro lado, passado esse momento, o governo começa a desmontar o arsenal de prudência e iniciou o caminho inverso com estímulo ao crédito e redução “forçada” de juros. Da mesma forma que as medidas prudenciais mostraram efeitos seis meses ou um ano após sua adoção, esperamos que os estímulos atuais comecem a mostrar seus efeitos ao final deste ano, início de 2013, quando o setor pode voltar a bater os recordes de produção e vendas que vinha ostentando há quase uma década.
