Como já havia sido indicado em vários momentos pela FecomercioSP, as ações do governo para garantir vantagens cambiais para empresas brasileiras eram bombas relógio prontas para explodir. Bastou mais uma tensão na Europa e a tese da FecomercioSP se provou correta. O dólar começou a subir e na última semana atingiu a marca de 2,08, antes do Banco Central (BC) começar a agir. Ironicamente o BC passou os primeiros meses de 2012 tentando manter a moeda americana valorizada e ao mesmo tempo reduzia juros. Agora o BC passa a atuar para segurar a valorização acelerada do dólar, e talvez seja obrigado a interromper o processo de queda de juros.
O gráfico e o quadro abaixo mostram que nesta semana o Ibovespa se manteve praticamente estável após duas semanas muito ruins e o câmbio se valorizou, mas apenas por obra do Banco Central que voltou a vender swaps cambiais, que, na prática, significa que vendeu a moeda americana para quem queria comprar, aumentando a oferta dessa e reduzindo as pressões.
Nas próximas semanas a tendência é de um pouco mais de calma nos mercados, primeiro por conta da redução dos espasmos europeus, e depois porque o mercado entendeu que o BC finalmente está alerta para os riscos das intervenções no mercado cambial da forma que foram feitas. Mesmo assim, temos que prestar atenção o que está acontecendo na Europa, e a saída ou não da Grécia da união monetária será um movimento decisivo. Por enquanto, nossas apostas são de que o país se manterá no Euro, ainda que com muitas pressões internas.
No Brasil, a brincadeira/armadilha cambial precisa ser desarmada para que não tenhamos uma surpresa desagradável em poucas semanas com os indicadores por atacado contaminando os indicadores de preços ao consumidor. Vale lembrar que, se de um lado a indústria está desacelerada, o consumo agregado no país está elevado e não há grandes espaços para testes de desvalorização cambial que não gerem pressões inflacionárias.

