Confirmando as expectativas indicadas nas Atas do Copom, o IPCA – medidor oficial de inflação da economia brasileira – desacelerou passando de uma alta de 0,64% em abril frente aos 0,36% verificados em maio. A desaceleração tem uma influência importante do comportamento observado nos segmentos de Transporte (-0,58%) e Comunicação (-0,19%). Todavia, embora o grupo Alimentação e Bebidas ainda tenha tido alta de 0,73% em maio, não se pode descartar o impacto dos recuos constatados em alguns produtos in natura no acumulado de 2012 como abacate (-33,11%), quiabo (-27,05%), maçã (-22,5%), limão (-18,10%), filé mignon (-14,68%), tomate (-11,46%), dentre outros. Também sob esta ótica (variação de preços médios acumulados em 2012) a dispersão de queda é significativa, afastando a ideia de uma alta generalizada no segmento.
O feijão é uma leguminosa que costuma ser consumida diariamente e seus preços têm subido há meses. Isso porque, no Sul do País e em alguns Estados da região Sudeste como Minas Gerais, o clima provocou perdas na produtividade destas lavouras e os preços se mantém ainda em patamares elevados. Quando se avalia o desempenho das safras, nota-se que nesta época do ano a disponibilidade desta leguminosa costuma ser fraca, pois é o período justamente entre o final da primeira e início da segunda safras.
Se por um lado os preços dos feijões seguem pressionados, as carnes bovinas, em pleno período de safra, seguem em trajetória de queda e influenciam os demais substitutos como as carnes suínas, por exemplo. A exceção fica por conta das carnes de aves, que mantiveram os preços estáveis em maio, porém ainda abaixo das cotações de 2011.
Também em época de safra, os preços do álcool hidratado caminham em patamares comedidos. Já o anidro, em virtude do aumento pela procura e da preferência pela produção do álcool hidratado, aponta comportamento distinto e seus preços podem oscilar mais. É importante considerar que com o término do processamento desta safra este cenário tende a apresentar preços mais altos, como já acontece sazonalmente. Será importante avaliar os efeitos das políticas de estocagem incentivadas pelo Governo para a manutenção dos preços em tempos de entressafra.
Quando se analisa as condições climáticas por Estados, o Rio Grande do Sul enfrenta um período longo de escassez de chuvas e muitos municípios decretaram estado de emergência. O Estado é um produtor importante de centeio, aveia, arroz, uva e fumo e será preciso avaliar com cuidado os impactos dessa estiagem na oferta interna destes bens e, consequentemente, em seus preços.
Outro Estado que segue sofrendo com as condições climáticas é o Ceará. Cerca de 90% dos municípios estão em situação de emergência também por conta do déficit hídrico. As principais lavouras existentes no Estado são: castanha de caju, coco-da-Bahia, mamona, feijão e banana. Estimativas da Secretaria de Desenvolvimento Agrário dão conta que as perdas na produção agrícola da região chegam a 70%.
Enfim, apesar de alguns itens mostrarem comportamento que indicam uma tendência de alta, é bom lembrar que as 2ª e 3ª safras do feijão – que foi o grande vilão de 2012 acumulando alta de 58,35% – no caso da variedade feijão-carioca e 61,06% no feijão-mulatinho – devem amenizar as pressões altistas ocasionadas por problemas climáticos, pois os investimentos em área plantada devem implicar em uma melhoria deste cenário.
Como as altas nos produtos agrícolas não são generalizadas, é natural que alguns itens estejam bem abaixo da média do indicador geral, contribuindo com a manutenção dos indicadores de inflação em patamares moderados.
No caso do varejo, o ideal é que os consumidores priorizem o consumo de produtos da época que seguem com preços em queda como os tubérculos (cenoura, inhame e batata-doce), frutas cítricas (mexerica e carambola), milho verde, agrião e brócolis.
Será importante também avaliar o comportamento dos preços dos itens que estão próximos à entressafra como cana-de-açúcar, leite e seus derivados e até mesmo das proteínas animais. Desses, a maior cautela se mantém no setor sucroalcooleiro, pois sua importância na composição final dos preços dos produtos é relevante.