No início do ano, quando as perspectivas estavam melhores (um pouco por exagero otimista, e um pouco porque de fato o cenário era melhor) o governo interveio no mercado de câmbio para reduzir a desvalorização do dólar, que, em tese, seria a fonte da perda de competitividade do produto nacional. Naquele exato momento, com o dólar cotado pouco abaixo de R$ 1,60, a FecomercioSP derivou várias análises mostrando a inconveniência dessas medidas:
- Nada indicava que o momento de calmaria e otimismo do início de 2012 fosse perdurar por muito tempo – ao contrário, as análises sempre alertaram para o fato de que a economia global vive de espasmos, o que deverá se manter por alguns anos;
- A falta de competitividade da indústria deveria ser tratada como algo estrutural, portanto a base de reformas que resolvessem o problema de forma duradoura. A solução cambial, como dizia Roberto Campos, é a solução na moleza de curto prazo e que já foi tentada várias vezes.
Como queríamos demonstrar, o vento mudou de direção e o câmbio passou de R$ 1,60 para R$ 2,05. Ou seja, começou a preocupar o governo no sentido inverso. As outras variáveis da economia nacional se mostraram mais fracas do que esperado e, neste momento, o governo começa a desarmar as medidas anteriores para estimular o setor A ou B, para reduzir a entrada de dólares nas contas de capitais X ou Y, para retomar a produção industrial no segmento D e F, e assim por diante. Tudo isso contribuiu para deixar o mercado mais nervoso e aumentar a volatilidade, dois efeitos indesejáveis que foram antecipados pela FecomercioSP.
A entidade também antecipou que o governo iria ter que retroceder e sinalizaria, novamente, que está um tanto perdido no tiroteio. Para completar, o PIB do primeiro trimestre veio abaixo do esperado (inclusive pelos analistas e pela entidade) o que colocou mais dúvidas sobre a condução da política econômica. Neste momento, a FecomercioSP acredita que o governo deveria retirar as amarras para entrada de câmbio (dólares que financiam nosso investimento, seja em qual for a carteira que entrem) e vá reduzindo seu grau de interferência pontual, que sempre beira o casuísmo. Continuamos a sugerir a solução difícil, mas de longo prazo: reformas que elevem a produtividade nacional, por meio da educação, da eficiência estatal, da redução da carga tributária e da burocracia e aumente a poupança interna. Essa agenda poderia ser gravada em pedra, pois certamente será lembrada em vários momentos por anos a fio, infelizmente.
Com essas medidas inversas do governo o câmbio começou a refluir no meio da semana, e com a melhoria (na realidade sem a piora) do cenário externo, as bolsas reagiram bem, conforme segue nos quadros abaixo. As próximas semanas devem repetir um pouco desse comportamento, principalmente se os resultados das eleições gregas indicarem que o País se manterá no Euro, como parece que está ocorrendo.