Há que se tomar certos cuidados na análise e interpretação da inadimplência, sob o risco de se desinformar os consumidores e empresários. A inadimplência deve ser calculada de forma total, em volumes, e não de forma picada por carteiras específicas. Além disso, o número de ocorrências de inadimplência não representa exatamente o risco financeiro efetivo, pois não leva em conta uma ponderação adequada de cada um dos eventos.
A tabela abaixo mostra o mercado de cheques emitidos e devolvidos. Como se nota, ocorrem dois fenômenos que parecem antagônicos, mas na realidade não são: o número absoluto de cheques devolvidos caiu em 2012 (acumulado e na margem), mas a proporção da inadimplência subiu. Isso se explica pelo fato de que o número absoluto de cheques emitidos caiu ainda mais.
A FecomercioSP já havia, em algumas oportunidades, alertado para essa probabilidade, por motivos óbvios:
- O acesso a meios eletrônicos de pagamentos cresceu muito;
- Houve a redução da emissão de cheques no País;
- Em média os emissores de cheque que não aderiram aos meios eletrônicos tendem a ser aqueles que ou detém renda muito baixa e não são completamente “bancarizados” ou pior, quem está deliberadamente pensando em não pagar uma eventual aquisição.
A pior média da classificação de risco dos que optam por pagamento com cheques já havia sido antevista pela FecomercioSP e, provavelmente , esse padrão tenderá a se acentuar. Até mesmo porque o risco dos lojistas é sabidamente menor se receberem via cartão de crédito ou de débito, portanto, na prática quem aceita o cheque sabe que, em média o risco é maior. Serão cada vez menos os pagamentos com cheques, e cada vez mais representará risco, tudo mais constante.