As vendas do comércio varejista brasileiro recuaram 0,8% em maio ante abril na série com ajuste sazonal, na maior queda desde novembro de 2008, de acordo com informações do IBGE. Em relação a maio de 2011, as vendas subiram 8,2%, em 2012 acumulam alta de 9% até maio e avançam 7,3% nos últimos 12 meses.
O recuo na margem reflete o atual momento de incertezas nos mercados em meio à tendência de desaceleração da economia mundial, ratificando a percepção de que a base para o crescimento econômico brasileiro, desta vez, não serão os estímulos ao consumo, aposta de curto prazo do governo Dilma, mas sim a elevação dos níveis de investimentos. Neste quesito, porém, o País enfrenta grandes dificuldades.
Desde a década de 80, as taxas médias de investimento pouca vezes ultrapassaram os 20% em relação ao PIB, com a participação do governo não excedendo os 2%, ou seja, menos de 5% do volume total.
Para piorar o cenário, além de reduzir os gastos públicos com investimentos e priorizar as despesas correntes, o governo aumentou substancialmente o peso da carga tributária, hoje por volta de 35% a 38% do PIB, exigindo, desta forma, um esforço ainda maior do setor privado para que haja incremento nos seus níveis de investimentos.
Para a FecomercioSP, o momento demanda importantes decisões. É preciso tocar reformar capazes de reduzir os custos de infraestrutura, as deficiências logísticas bem como o peso dos impostos.
Em 2012, a economia brasileira já emitiu vários sinais de alerta. As projeções de crescimento do PIB estão caindo, a massa de crédito vem crescendo acima do rendimento (elevação dos níveis de endividamento das famílias) e a indústria patina e já recua por nove meses consecutivos apesar das medidas de estímulos ao setor.
Enfim, as medidas de proteção que o governo brasileiro vem adotando não são o caminho para aumentar nossa competividade. Ao contrário, o protecionismo apenas blinda nossa baixa produtividade.
