Semana morna leva a novas revisões para o PIB

A semana que passou trouxe poucas novidades ao cenário nacional e internacional. Tudo caminha conforme previsto há tempos: Europa em forte crise econômica – com os problemas mais graves relacionados aos efeitos financeiros sobre o lado real, como a aceleração do desemprego –, China com taxa de crescimento abaixo de 8% e Estados Unidos cristalizando uma recuperação modesta. Esse ambiente fez com que vários analistas e consultores reduzissem novamente as perspectivas para o Produto Interno Bruto (PIB), de 2,5% para 2%. A FecomercioSP havia revisto no final do primeiro semestre a previsão de crescimento de 3% para 2,5% e ainda prefere esperar os dados do PIB do segundo trimestre para avaliar se haverá necessidade de atualizar as projeções.

Nada deve se alterar de forma a mudar essa perspectiva no curto prazo, mas certamente fará muita diferença se o setor industrial mostrar alguma recuperação a partir de julho/agosto ou no fim do ano. Isso porque, o resultado do final de um ano compromete a performance do exercício seguinte. Se a recuperação demorar a vir – ou não vier neste ano, na pior das hipóteses – o PIB de 2013 ficará restrito a um crescimento também modesto. Isso será ruim para o governo Dilma, já que as taxas de crescimento na primeira metade de seu mandato não devem atingir nem 2,5% ao ano em média.

Nesse ambiente, é de se esperar que os investimentos de risco sejam prejudicados, mas existe um bom alento para o médio prazo: a Selic caiu para 8%, e tende cair um pouco mais, e o patamar inflacionário parece ter se estabilizado entre 4,5% e 5%. Com isso, o rendimento líquido nas aplicações de renda fixa vai ser praticamente nulo daqui para frente. Os investidores que quiserem melhores retornos terão que assumir mais riscos no mercado financeiro, como as aplicações em ações, ou buscar alternativas no setor produtivo. Em ambos os casos o resultado final para o País é positivo. Agora que a política monetária (inflação e juros) parece ter entrado nos eixos, após 20 anos de lutas, é a hora de o governo federal concentrar esforços em uma mudança radical na política fiscal. Mas isso, certamente, será uma briga para as próximas duas décadas.

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