Mesmo em queda, preços dos alimentos são principais influenciadores da inflação

O IPCA – IBGE encerrou março com alta de 0,47%, ligeiramente abaixo dos 0,60% que haviam sido constatados em fevereiro. Apesar de ultrapassar o teto da meta estipulada da inflação, atingindo variação de 6,59% em 12 meses, nota-se uma tendência de queda nos preços dos alimentos, vilões dos preços no varejo, que passaram de 1,45% em fevereiro para os 1,14% assinalados em março. Ainda assim, os alimentos chegam a representar 60% do comportamento inflacionário observado no terceiro mês do ano.

No município de São Paulo, os preços na primeira semana de abril, segundo dados do IPC – FIPE, registraram recuo de 0,11%. Seguindo tendência similar à detectada pelo IPCA de março, os alimentos ainda seguem com variação positiva, porém mantendo uma tendência de desaceleração, visto que os preços têm subido com menor ímpeto. Diversos outros grupos que compõem o indicador também se mantém com preços médios menos pressionados e, enfim, há indícios de que o cenário inflacionário tende a retroceder, convergindo paulatinamente para os limites estipulados pelas metas inflacionárias, ainda que próximo do teto.

Safras e mercados

O menor ritmo de comercialização faz com que a oferta de milho no mercado interno siga elevada, provocando poucas pressões em seus preços. O mesmo vem sendo observado com a soja, que teve seu escoamento afetado por entraves logísticos nos portos em março, mas já bate recordes de embarque em abril.

De acordo com dados do setor, somente o Porto de Paranaguá enfrentou cerca de 310 horas de paralisação em março por conta das chuvas, que impedem suas atividades. Somente os embarques de soja foram reduzidos em 16,5% no contraponto com o mesmo mês do ano passado.

Na contramão, enquanto a produtividade das lavouras brasileiras de feijão é afetada pelo clima adverso, o abastecimento continua sendo feito com produto importado e, por mais que tenha havido um recuo na demanda em virtude dos altos preços, o feijão carioca ainda tem sido comercializado com preços bem acima da variedade do preto. Segundo dados do IPCA, o feijão preto acumula alta de 4,72% no trimestre, enquanto o carioca oscila mais, com incremento de 22,86%. Infelizmente, ainda não há perspectivas de que esta tendência reverta-se no curto prazo, já que a perda de produtividade e a redução na área plantada têm sido constante para o setor.

Acumulando-se as variações de preços no primeiro trimestre 2013, o IPCA revela que ainda há diversos alimentos muito impactados pelo clima, tais como: o Tomate, que atinge variação acumulada de 60,90%; a Cebola, acumulando variação positiva de 54,88%; a Cenoura, elevou-se em 53,29% no período e o Repolho descreve alta de 58,29% no trimestre.

Com as commodities agrícolas menos pressionadas nos mercados interno e externo, muitos custos produtivos reduzem-se, o que traz certo alívio para os principais indicadores de preços. Porém, é importante observar que assim como no ano passado, a oscilação nos preços de produtos básicos continua causando impactos nefastos no poder de compra do consumidor e isso deve continuar a ser observado até meados de maio, quando a disponibilidade desses produtos costuma aumentar com as safras de inverno.

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Preço da carne segue tendência de queda

Embora ainda sofram influência de alta dos produtos in natura, a desaceleração dos preços no trimestre é possibilitada pelo comportamento de outros grupos, tais como Habitação (-1,05%) e Despesas Pessoais (-1,02%), que indicam que as pressões, apesar de persistentes, não estão generalizadas. Além disso, os itens que compõem o grupo de Habitação possuem, geralmente, representatividade similar à dos Alimentos, o que contribui para amortecer as oscilações frequentes dos Hortifrutis no período mais chuvoso do ano.

Pecuária e carnes

As carnes bovinas seguem em tendência de queda no varejo. Segundo dados obtidos juntos ao indicador da FIPE, o IPC, essas proteínas descreveram recuo de 1,91% em fevereiro, seguido do declínio de 2,72% em março. Essa variedade de carne costuma ser menos procurada no período da Quaresma e seu consumo costuma migrar para outros substitutos, tais como os peixes e os ovos, corroborando para a queda em seus preços médios.

As carnes de frango seguem na mesma direção, porém, sua desaceleração se deu somente na última quadrissemana de março, conforme o IPC descreve. Em fevereiro estas carnes ainda acusavam alta de 1,84% e em março a queda foi de 0,11%. Tudo indica que esse comportamento deve permanecer nos próximos meses. Isso porque o setor tem registrado um descompasso entre oferta farta e demanda restrita, além de enfrentar menores custos produtivos com as commodities menos pressionadas.

Já os suínos começaram a registrar preços menos elevados a partir da segunda semana de março – queda de 0,51% – seguida de outro recuo de 2,62% na terceira quadrissemana, o que fez com que os preços atingissem no encerramento do mês variação negativa de 4,03%. Para essa variedade de proteínas, os custos da alimentação animal também causam efeito de queda, contudo, não se pode descartar o efeito de um menor volume exportado com o embargo da Ucrânia, que tem sido o principal destino da carne suína brasileira. Com uma maior oferta no mercado interno, há mais espaço para que os preços sigam comportados.

Enfim, enquanto todas as carnes seguem com preços em declínio, o leite aponta comportamento distinto, pressionado por conta de uma baixa captação no mercado interno. Os preços começaram a subir na terceira quadrissemana de março, segundo o IPC – FIPE, com variação positiva de 0,53% e finalizaram março com elevação de 1,08%. Outro aspecto que tende a fortalecer a tendência de alta, reduzindo os estoques disponíveis, é a seca na Nova Zelândia, que atualmente é a maior exportadora mundial de leite.

Enquanto os produtos de hortifruti ainda sofrem com o clima adverso, o mercado pecuário age em sentido contrário, contribuindo para que os indicadores de inflação diminuam suas cotações. A exceção fica com os leites e derivados, que também sofrem. O período costuma ser de uma demanda mais escassa em virtude da Quaresma e de um maior comprometimento da renda das famílias com impostos e despesas típicas do início do ano. Também não se pode descartar o efeito da desoneração tributária federal de impostos como PIS – Cofins que incidiam ainda no varejo para esses produtos e que começam a ser percebidos em meados de março.

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Preços dos alimentos reduzem impacto na inflação

A prévia da inflação oficial apurada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) 15 – IBGE – confirmou a tendência de menor impacto dos alimentos, encerrando o período com aumento de 0,49% em março frente aos 0,68% notados em fevereiro. O grupo Alimentação e Bebidas passou de um incremento de 1,74% na prévia de fevereiro para 1,4% na parcial de março, com destaque para os recuos constatados em Açúcares e Derivados (-0,68%), Carnes (-0,62%), Pescados (-0,39%) e Óleos e Gorduras (-0,06%).

A terceira quadrissemana de março do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) – FIPE – revelou queda de 0,18%, ante o recuo de 0,11% percebido na segunda quadrissemana. O segmento de Alimentação, contudo, ainda acusou uma discreta aceleração, passando de 0,64% na segunda parcial para 0,68% na terceira. Ainda assim, é perceptível que os alimentos pesem cada vez menos nos indicadores de inflação. Ou seja, seguem crescendo a taxas decrescentes, enquanto outros grupos ingressam em trajetória de queda. O comportamento do segmento de Habitação ilustra bem esse cenário, visto que exerce uma contribuição baixista no computo geral dos indicadores, com decréscimo de -1,20% na terceira quadrissemana, graças à queda nos preços da energia.

Safras e mercados agrícolas

Com a safra do milho no auge de sua colheita, os preços internos seguiram em queda na segunda quinzena de março e no mercado externo os preços caminham em tendência similar, graças às estimativas positivas para a produção norte-americana. É importante considerar, contudo, que essa queda também reflete o excesso de oferta no mercado interno causado pelo recuo nos volumes exportados do grão que, segundo a agência Safras & Mercados, foi cerca de 36% menor do que o volume constatado em fevereiro.

Os preços do arroz também sinalizam cenário positivo, ao menos no curto prazo, já que o desenvolvimento da colheita favoreceu a queda de preços nas segunda e terceira quadrissemanas, conforme apurado pelo IPC – FIPE. É importante pontuar, porém, que essas lavouras ainda seguem perdendo em área plantada para outras mais valorizadas, como a da soja e as estimativas do setor não são as mais animadoras, em virtude do clima pouco favorável.

O clima também vem prejudicando há tempos o desempenho (produção e qualidade) das lavouras de feijão e os preços mantêm-se elevados ainda em março e, provavelmente, nos meses subsequentes. Com isso, aumenta a dependência das leguminosas importadas para garantir o abastecimento interno. No caso da variedade do feijão preto, a situação é ainda mais complexa. Na segunda quadrissemana os preços subiram 11,69% e na terceira 9,18%, segundo o IPC – FIPE.

O cancelamento de um lote de quase 2 milhões de toneladas de soja por parte da China, graças à precária e morosa infraestrutura nacional, já causa reflexos nos preços da oleaginosa e revela novo alerta para o setor, que será preciso estocar e desovar uma produção recorde. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), houve queda de 12% no contraponto com 2012 na receita do complexo soja, composto por farelo, óleo e grão. Nem todas as boas notícias para inflação são boas notícias para os produtores brasileiros de grãos.

Enfim, pelo menos desde agosto de 2012 este boletim tem alertado sobre o problema da logística para o escoamento da produção agrícola e isso pode ser sentido com maior ímpeto com a intensificação dos embarques provocados pelo término das safras. Os portos e as estradas que dão acesso a eles seguem congestionados, o que prejudica a competitividade brasileira e já causa reflexos para o mercado exportador.

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Baixa no consumo estimula queda de preços da carne

Por mais que os preços tenham registrado uma aparente reversão de tendência, os Alimentos ainda seguem pressionados e na comparação quadrissemanal, entre primeira e segunda prévia de março. Esses aceleraram, passando de 0,49% na primeira parcial para os 0,64% na segunda.

Pecuária e carnes

As cotações das carnes bovinas em março seguem em queda por causa de desaquecimento no consumo, comum nesta época do ano, por causa da Quaresma e também em virtude de maior comprometimento da renda dos consumidores. No mercado externo, por outro lado, os embarques seguem em ritmo satisfatório, o que garante um escoamento da oferta que não é absorvida internamente. De acordo com o IPC– Fipe, na primeira quadrissemana, o recuo foi de 2,22% e na segunda prévia, -2,42%.

A demanda fraca também afeta os preços internos dos suínos, que seguem em tendência de queda. Outro fator que favorece o decréscimo nos preços é o excesso de oferta ocasionado pela menor volume exportado que, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), reduziu-se em 71,7% na comparação interanual das duas primeiras semanas de março. No varejo, os preços só começaram a recuar na segunda prévia de março, de acordo com o IPC – Fipe. Na primeira prévia, ainda observa-se uma alta de 0,22% e na segunda, declínio de 0,51%.

Já as cotações das aves seguem com variações positivas, que seus preços no varejo ainda registram incremento de 1,41% na primeira prévia de março e de 0,36% na segunda, conforme dados do IPC – Fipe. A demanda externa segue em ritmo satisfatório, com aumento de 3,3% no volume exportado dessa proteína.

Os ovos estão sendo encontrados no varejo com preços mais elevados no contraponto com fevereiro. Segundo o IPC – Fipe, na primeira quadrissemana de março, houve elevação de 7,71%, enquanto na segunda prévia observou-se uma alta de 8,59%. Esse comportamento é atribuído a um efeito substituição, em virtude da queda no consumo de algumas proteínas animais em detrimento de outras, tais como as carnes bovinas e suínas.

Enfim, o cenário dos preços praticados pelo setor pecuário revela alívio para o bolso do consumidor, já que os preços seguem comportados, tendendo para baixo, com exceção das carnes de aves, que ainda acusam variação positiva. Com a isenção de impostos federais para a cesta básica – 9,25% de PIS/Confins sobre as carnes – é bastante provável que esses preços se mantenham em patamares baixos, amortecendo as altas nos demais itens in natura, que sofrem com as condições climáticas adversas.

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Redução da energia controlou alta dos preços

Os preços no município paulista mantêm-se em trajetória de arrefecimento favorecida pelo efeito da redução na energia para o segmento de Habitação, que possui peso similar ao dos Alimentos na composição dos índices gerais de preços. O IPC – Fipe da primeira quadrissemana de março revelou incremento de 0,06%, com alta de 0,49% no segmento de Alimentação e um recuo de 0,69% em Habitação. No contraponto com a última quadrissemana de fevereiro, o grupo Alimentação registrava alta de 0,34%, enquanto Habitação apontava decréscimo de 0,21%.

O medidor oficial da inflação brasileira já indicava que os preços seguiriam nessa direção, pois no fechamento de fevereiro houve alta de 0,60%, sendo que dos nove grupos avaliados, apenas o de Habitação registrou retração (-2,38%), graças à queda de 18,49% em Energia Elétrica Residencial. De qualquer forma, os preços dos alimentos in natura, principalmente dos tubérculos, seguem pressionados em virtude do clima pouco favorável.

Safras e mercados agrícolas

No auge da colheita, os preços da laranja seguem em patamares baixos e esse cenário deve manter-se até, pelo menos, o fim de março. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), a produção mundial das frutas cítricas (lima e limão) deve decrescer 4% diante da última safra, o que já provoca aumento no volume exportado e interesse por parte dos produtores nacionais em destinar a oferta por preços melhores.

O arroz, que enfrentou pressões persistentes ao longo de todo ano passado em virtude de uma queda no volume produzido, inicia o ano com preços realinhando-se para baixo com o início da nova safra e com as perspectivas de aumento na produção. Em fevereiro, de acordo com dados do IPC– Fipe, os preços do cereal acusaram variação negativa de 3,94%, enquanto no IPCA a queda era de 0,57%. De qualquer forma, os preços ainda seguem em patamares elevados já que somente em 2012, segundo o IPCA, a alta foi de 29,34% no acumulado do ano.

O feijão segue com preços elevados, pois a produção interna, que teve redução na área plantada, ainda enfrenta clima adverso. O abastecimento interno tem sido feito com produto chinês, principalmente no caso do feijão preto. Porém, essa oferta vem reduzindo-se e é provável que os preços sigam elevados até meados de abril.

Com a entrada antecipada da safra 2013 de cana-de-açúcar, a indústria moageira segue em ritmo acelerado para produção de combustíveis. De acordo com informações do setor, a safra de 2013 deve superar em 7,9% a anterior, com discreta perda na produtividade. Basta saber se este aumento será suficiente para atender a demanda interna, que deve crescer com a alteração na mistura de etanol hidratado na gasolina.

O milho segue com preço elevado, já que as estimativas do estoque mundial são pouco otimistas e a produção Argentina foi reajustada para baixo. Com demanda externa aquecida, não há indícios de que seu preço recue no curto prazo. A entrada da safra recorde brasileira e o início do plantio da segunda safra tendem a manter o preço em patamar moderado, principalmente se os custos logísticos comprometeram a competitividade do produto nacional.

Soja e trigo mantêm-se com comportamento semelhante, contudo, para esse último, não há expectativa de um aumento significativo na produção, pois o País tradicionalmente não costuma atender a demanda interna com produto nacional. Mesmo com a isenção da Tarifa Externa Comum (TEC) os preços devem seguir pressionados pela oferta mundial mais restrita.

Sem dúvida, a isenção de impostos para os produtos da cesta básica tem um efeito baixista importante para os consumidores, entretanto, quando se avaliam as condições das regiões produtoras, nota-se que o principal entrave tem sido as condições de escoamento e armazenamento. É provável que a medida seja inócua no médio prazo, uma vez que os recuos oriundos da isenção fiscal tendem a ser amortecidos pelo custo do transporte.

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Preço da carne segue em queda

Os preços das proteínas bovinas seguem em queda no atacado, e isto faz com que os pecuaristas retenham os animais no pasto em busca de maiores cotações. No varejo, conforme aponta o IPC, essas carnes encerraram fevereiro com recuo de 1,91%. A retenção dos animais no pasto não chega a pressionar os preços, pois há uma demanda restrita nessa época do ano em virtude da proximidade da Quaresma. Somente as carnes de segunda é que acusam alta nos preços, tais como Coxão Mole (0,77%), Acém (0,66%), Músculo (1,01%), Paleta (1,56%) e Fígado (1,10%), enquanto todo o restante, assinala queda, como o Filé Mignon, cujo decréscimo foi de 5,02% no IPC de fevereiro.

As carnes suínas, na contramão, encerraram fevereiro com preços médios mais elevados em cerca de 0,59% na comparação com janeiro. Em 2012, o setor enfrentou problemas com a restrição sanitária de um importante mercado importador, a Rússia, além dos elevados custos da alimentação animal. Em 2013, com commodities menos pressionadas, o custo produtivo se reduz garantindo um alívio aos produtores.

Atualmente, o setor passa a atender a demanda chinesa e há um crescente número de frigoríficos que têm sido aprovados para esta finalidade. Os preços dessa proteína tendem a manter-se em patamares mais elevados em virtude do aumento nos embarques.

Os frangos também registraram alta em fevereiro, acusando variação de 1,84%. O comportamento reflete um aumento nas demandas externa e interna, sendo esta última proveniente de um efeito substituição bastante comum tendo em vista a Quaresma, período em que alguns católicos não comem carnes vermelhas. O efeito Quaresma também pode ser percebido no desempenho dos preços dos ovos que, segundo o IPC da Fipe de fevereiro, elevou-se em 6,65%. Porém, empresários do setor têm atribuído essa alta também aos custos produtivos.

Sazonalmente, no primeiro trimestre do ano, os preços dos produtos alimentícios, principalmente os hortifruti, tendem a manter-se elevados em virtude do excesso de chuvas. Porém, as perspectivas positivas para as safras na América do Sul e os anúncios favoráveis do desempenho das safras norte-americanas devem provocar acomodação em alguns preços, influenciando menos algumas cadeias produtivas.

Por mais que haja um cenário climático mais favorável, há um consenso em praticamente todos os segmentos do setor produtivo agropecuário de que os custos logísticos mantêm-se altos, com escoamento complexo, combustíveis pressionados e o armazenamento aquém do esperado. É importante que esses gargalos não perturbem o bom momento desse setor da economia nacional.

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Altas dos preços reduziram no fim de fevereiro

A terceira quadrissemana de fevereiro do IPC (Fipe) trouxe alívio para os preços no município de São Paulo com aumento de 0,52%, frente aos verificados na segunda quadrissemana, de 0,83%, e de 1,01% na primeira, respectivamente. Exceto os grupos de Transporte, Saúde e Vestuário, todos os demais arrefeceram suas altas, inclusive o de Alimentação, que oscilou em 0,54% na última captação dos preços, abaixo dos 1,53% e 1,02% vistos nas quadrissemanas anteriores.

O mesmo pode ser dito sobre o IPCA – 15, que em fevereiro elevou-se em 0,68%, no contraponto com a alta de 0,88% em janeiro. O grupo Alimentação e Bebidas ainda mantém-se pressionado com alta de 1,74%. Por outro lado, Habitação, em virtude da redução das contas de energia elétrica, deu uma importante contribuição baixista no resultado parcial do IPCA e deve amortecer os impactos do grupo Educação, que já atingia 5,49% na referida pesquisa.

Safras e mercados agrícolas

O excesso de chuvas tem prejudicado o desempenho da colheita dos tubérculos e dificultado seu transporte. Com uma menor oferta no mercado, os preços devem manter-se elevados em fevereiro como se percebe nas prévias do IPCA – 15, que revela uma alta de 19,69%, e do IPC – FIPE da terceira quadrissemana, cujo incremento foi de 4,30%.

A laranja pera enfrentou uma sequência de queda em seus preços ao longo de 2012 por conta do desaquecimento da demanda externa e agora em fevereiro seus preços seguem em alta. De acordo com informações do setor, a volta às aulas eleva a demanda interna pela fruta. Na terceira quadrissemana do IPC a alta é de 4,12%, enquanto no IPCA – 15 a alta é de 2,48%.

Os produtores de cana-de-açúcar estimam um aumento de 10% na produção para este ano, contudo, é importante lembrar que haverá um aumento na demanda pelos seus derivados, como os etanóis, por conta do aumento no preço da gasolina – que é um substituto do etanol anidro. Isso tendo em vista a frota brasileira que é flex – e do aumento na porcentagem do hidratado na gasolina. No atacado, os preços do hidratado seguem pressionados desde já. Será importante acompanhar se o crescimento esperado acompanhará o aumento na demanda para evitar maiores pressões nos preços.

O início da colheita do arroz favoreceu a manutenção dos preços em patamares baixos, tanto que a prévia do IPCA – 15 aponta uma queda de 0,57%, enquanto no IPC o decréscimo é de 4,48%. Porém, os feijões continuam com estoques baixos. O abastecimento é feito pela leguminosa produzida na China e na Argentina. Em ambas as prévias de inflação seus preços seguem em alta: no IPC o incremento é de 6,25%, enquanto no IPCA – 15 varia de 1,52% para o feijão preto e 6,07% para a variedade do feijão fradinho.

O Conselho Internacional de Grãos (IGC) estima um aumento de 4% na produção mundial do trigo para 2013. Como o preço deste grão segue alto há tempos, o Governo optou por isentar a Tarifa Externa Comum (TEC) dos países não integrantes do MERCOSUL, visto que o mercado interno não é autossuficiente e atualmente abastece-se com o trigo oriundo da Argentina e, agora, em fevereiro, com o produto americano.

No mercado interno, os preços do milho e da soja oscilam para baixo, graças ao bom desempenho da safra nacional e das estimativas positivas em relação às safras argentina e americana. O único fator que pode reverter esta tendência internamente é o frete caro e ineficiente, que prejudica a competitividade externa e infla os custos logísticos.

Enfim, as commodities agrícolas devem seguir em tendência de queda por conta do aumento na produção e contam com um clima mais favorável no comparativo com 2012. Em um ano de safra recorde, a ocorrência de uma manifestação dos trabalhadores portuários de Santos no final de fevereiro provocou entraves na exportação de alguns grãos, tais como soja, milho e açúcar. A expectativa era que a situação evoluísse para uma paralisação, porém, após algumas tratativas com o governo, essa iniciativa foi cancelada.

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Preços das carnes suínas e de frango recuaram

Até o momento, no atacado, os preços das carnes suínas e de frango recuaram, enquanto as cotações da carne bovina acusam uma discreta alta em seus preços. Essa última, provavelmente por conta da oferta restrita de animais em virtude da estiagem ocorrida em algumas regiões do País. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), o período costuma ser de demanda mais baixa no mercado interno, o que explicaria o recuo que vem sendo observado nas proteínas suínas e de aves.

No mercado externo, o apetite pela carne suína tem garantido um bom desempenho ao setor, mesmo com a demanda interna enfraquecida. Segundo estimativas da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (ABIPECS), o volume exportado da proteína suína foi 5% superior ao embarque de dezembro, tendo como principais compradores Uruguai, Ucrânia e Rússia.

Já os bovinos, que registram discreta valorização nesta primeira metade de fevereiro, enfrentam uma menor disponibilidade de animais prontos para o abate. Mesmo havendo cerca de 12 países embargando a carne brasileira por conta da ocorrência de um caso da doença da “vaca louca”, as exportações seguem com desempenho satisfatório. Elas acusaram aumento de 7% no volume exportado contra a dezembro, segundo informações obtidas na Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

O frango segue trajetória contrária, com um decréscimo no volume exportado de aproximadamente 17% no comparativo com dezembro, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) anunciou recentemente. Nesse caso, demanda externa e interna provocam aumento na quantidade ofertada internamente e, com isso, os preços tendem a cair naturalmente.

De qualquer forma, os recuos verificados no atacado ainda não podem ser sentidos no varejo, pois conforme o IPC da segunda quadrissemana de fevereiro revela, as carnes bovinas ainda registram incremento de 0,19%, enquanto as carnes suínas acusam aumento de 0,28% e as carnes de aves, 4,53%.

É importante ponderar também que as carnes suínas, bovinas e de aves são consideradas substitutas para os consumidores e esses tendem a alterar seus hábitos de consumo de acordo com suas restrições orçamentárias, especialmente nos primeiros meses do ano, quando há uma série de compromissos financeiros que comprometem a renda familiar. É provável que, com os preços da carne bovina oscilando positivamente, a demanda por proteínas suínas e de aves aumente e, com isso, os preços tendam a convergir para patamares mais adequados e menos pressionados.

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Inflação desacelerou no final de janeiro

De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) – FIPE, os preços no município de São Paulo arrefeceram passando de um incremento de 1,15% na última prévia semanal de janeiro para os 1,01%, percebidos na primeira quadrissemana de fevereiro. Praticamente todos os segmentos acusaram desaceleração, com exceção de Transporte (0,51%) e Saúde (0,59%). Educação manteve-se pressionada com alta de 5,19% e Alimentação encerrou a primeira semana de fevereiro com alta de 1,53%, frente aos 2,11% verificados na última apuração de janeiro.

É importante reforçar que, por mais que haja sinais de um aumento com menor ímpeto nos preços no segundo mês do ano, principalmente, no grupo que seguia como principal vilão da alta nos preços – os alimentos -, a grande dispersão de alta nos segmentos ainda deve ser avaliada como um alerta. Isso porque as pressões seguem generalizadas e persistentes.

Safras e mercados agrícolas

Em fevereiro, os tomates deverão seguir com preços pressionados, pois o excesso de chuvas tem provocado perdas significativas em suas lavouras, especialmente na região Centro-Oeste, onde se concentra a maior parte da produção brasileira. O mesmo comportamento deverá ser observado nos preços das mangas, que também sofrem com instabilidades climáticas. Por outro lado, os abacates poderão ser encontrados com disponibilidade farta, pois o clima na região Sudeste favoreceu o desempenho das árvores e a produção surpreendeu até mesmo os produtores. Outro fator que corrobora com este resultado é o clima da região que sofre menos com adversidades climáticas. Cabe, também ao consumidor, colaborar com o controle de inflação, atuando de forma racional na escolha desses produtos, e fazendo as substituições que achar razoável de acordo com os preços.

Com intuito de amortecer o aumento no preço da gasolina, a partir de primeiro de maio, a porcentagem do etanol nesse combustível sobe de 20% para 25% e, desde já, nota-se aumento no preço do hidratado. Mesmo contando com um atraso na colheita por conta do tempo chuvoso, a moagem atualmente segue em ritmo satisfatório e até o momento supera em cerca de 4% o total obtido no mesmo período da safra anterior. Será importante ainda acompanhar a demanda por outros derivados da cana-de-açúcar, como o açúcar, que influenciam na formação de preços da matéria-prima e, consequentemente, nos preços dos combustíveis.

Já em relação ao milho, na Argentina, as lavouras sofrem com o clima seco, o que provoca aumento na incidência de pragas. Ainda assim, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires estima aumento de aproximadamente 16% em comparação à safra passada. No mercado brasileiro, por outro lado, a produtividade em alta favorece a manutenção dos preços em patamares moderados. Aliás, as expectativas são grandes em relação à exportação brasileira deste grão tendo em vista a safra recorde que deve ser colhida este ano. A FAO (Food and Agriculture Organization for the United Nations) aponta que o Brasil deverá exportar um volume de 22 milhões de toneladas em 2013, favorecendo o nível dos estoques mundiais que foram reduzidos com os problemas climáticos americanos em 2012.

O feijão deve seguir com os preços elevados, pois houve uma redução na área plantada percebida desde meados do ano passado. E a maior rentabilidade da soja tem contribuído ainda mais para este cenário no início deste ano. Com estoques baixos do feijão, a CONAB estima que o preço desta leguminosa siga elevado pelo menos até de abril. Para garantir o abastecimento interno atualmente, o grão tem sido comprado de países como Argentina e China.

No período de abril a julho a tarifa de importação do trigo proveniente de outros países não integrantes do MERCOSUL cairá de 10% para zero. Com problemas de safra em diversas regiões produtoras, o estoque interno do cereal segue em níveis baixos e, com isso, a necessidade de importação é crescente. Os baixos estoques têm sido também observados nos Estados Unidos, visto que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) recentemente alegou uma redução de aproximadamente 3% na safra 2013 no contraponto com o ano passado.

A exportação brasileira do complexo soja (grãos, farelo e óleo) deve superar em 10 milhões de toneladas a safra de 2012, porém, os gargalos logísticos, que já afetavam sua competitividade de forma severa em 2012 seguem em 2013. Os portos já aparentam estar no limite de sua capacidade, assim como os equipamentos de armazenagem. Por conta disto, as rodovias e ferrovias têm sido intensivamente utilizadas para acelerar o escoamento da produção nacional.

Enfim, as estimativas para a produção nacional de grãos seguem otimistas. A CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) estima uma produção 11,3% em relação à safra passada, enquanto o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE prevê, em sua primeira estimativa, aumento de 13,1% no contraponto com 2012, com aumento de 8,4% na área plantada.

Mais uma vez, as atenções todas voltam-se para as condições de infraestrutura nacional, pois além da saturação na armazenagem e nos principais portos, as vias de escoamento seguem em péssimas condições. Além disso, a legislação para o descanso dos caminhoneiros e o aumento no preço do diesel pressionam ainda mais os custos logísticos. Por mais que haja uma safra recorde, com perspectiva de exportação também recorde para muitas commodities, a competitividade externa pode ser um entrave, assim como os custos logísticos podem provocar um efeito altista persistente em grande parte dos alimentos.

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Carne bovina estimula queda de preços

A carne bovina encerrou 2012 com queda em seus preços médios de acordo com o IPCA. Todavia, em janeiro, por conta de uma menor disponibilidade de animais prontos para o abate, os preços seguiram em trajetória de alta. É importante lembrar que a ocorrência de um caso isolado de encefalopatia espongiforme – ou vaca louca – fez com que muitos países embargassem o produto brasileiro. Entretanto, o setor garante que isso não irá prejudicar o desempenho da atividade, tampouco resultar em um excedente de oferta no mercado interno. Isso porque a maioria dos países que adotou essa medida representa uma parcela pequena do total exportado mensalmente.

As carnes suínas e de aves enfrentam um situação distinta, pois ambas as proteínas animais encerraram o ano de 2012 com alta em seus preços médios, em virtude dos maiores custos produtivos. Em 2013, a situação mantém-se com a mesma persistência e os preços seguem elevados em todas as prévias de inflação. Segundo especialistas do setor, esse cenário deve reverter-se em breve. Isso porque a demanda pelas carnes nessa época do ano costuma ser menor em razão do maior endividamento das famílias com diversos compromissos financeiros, além da proximidade da Quaresma, quando o consumo declina.

Enfim, consolidando-se o boletim agro e o da pecuária, o cenário atual mostra indícios de que os alimentos in natura continuarão sendo vilões do bolso do consumidor nos primeiros meses do ano, mas não serão as únicas pressões a serem sentidas. Analisando as séries históricas dos medidores de inflação, verifica-se que essa tendência de alta nos alimentos é comum, em virtude do excesso de chuvas típico do primeiro trimestre do ano. Ou seja, não há nada de extraordinário até o momento a não ser a dispersão de alta nos demais grupos como Despesas Pessoais, por exemplo. De qualquer forma, a produção agropecuária brasileira tem obtido bons resultados até o momento e o Governo finalmente anunciou medidas para amenizar a situação das vias de escoamento. Ainda não se sabe, contudo, quando estas iniciativas começarão a surtir efeito e quando o fator logístico deixará de influenciar na formação de preços e na competitividade brasileira.

Por mais que haja um temor sobre o clima americano, dificilmente as perdas vistas em 2011 se repetirão. É possível que haja um declínio na produção, mas em uma magnitude bastante inferior à do ano passado o que garante uma certa tranquilidade quanto às condições do estoque mundial de grãos.

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