O IPCA – IBGE encerrou março com alta de 0,47%, ligeiramente abaixo dos 0,60% que haviam sido constatados em fevereiro. Apesar de ultrapassar o teto da meta estipulada da inflação, atingindo variação de 6,59% em 12 meses, nota-se uma tendência de queda nos preços dos alimentos, vilões dos preços no varejo, que passaram de 1,45% em fevereiro para os 1,14% assinalados em março. Ainda assim, os alimentos chegam a representar 60% do comportamento inflacionário observado no terceiro mês do ano.
No município de São Paulo, os preços na primeira semana de abril, segundo dados do IPC – FIPE, registraram recuo de 0,11%. Seguindo tendência similar à detectada pelo IPCA de março, os alimentos ainda seguem com variação positiva, porém mantendo uma tendência de desaceleração, visto que os preços têm subido com menor ímpeto. Diversos outros grupos que compõem o indicador também se mantém com preços médios menos pressionados e, enfim, há indícios de que o cenário inflacionário tende a retroceder, convergindo paulatinamente para os limites estipulados pelas metas inflacionárias, ainda que próximo do teto.
Safras e mercados
O menor ritmo de comercialização faz com que a oferta de milho no mercado interno siga elevada, provocando poucas pressões em seus preços. O mesmo vem sendo observado com a soja, que teve seu escoamento afetado por entraves logísticos nos portos em março, mas já bate recordes de embarque em abril.
De acordo com dados do setor, somente o Porto de Paranaguá enfrentou cerca de 310 horas de paralisação em março por conta das chuvas, que impedem suas atividades. Somente os embarques de soja foram reduzidos em 16,5% no contraponto com o mesmo mês do ano passado.
Na contramão, enquanto a produtividade das lavouras brasileiras de feijão é afetada pelo clima adverso, o abastecimento continua sendo feito com produto importado e, por mais que tenha havido um recuo na demanda em virtude dos altos preços, o feijão carioca ainda tem sido comercializado com preços bem acima da variedade do preto. Segundo dados do IPCA, o feijão preto acumula alta de 4,72% no trimestre, enquanto o carioca oscila mais, com incremento de 22,86%. Infelizmente, ainda não há perspectivas de que esta tendência reverta-se no curto prazo, já que a perda de produtividade e a redução na área plantada têm sido constante para o setor.
Acumulando-se as variações de preços no primeiro trimestre 2013, o IPCA revela que ainda há diversos alimentos muito impactados pelo clima, tais como: o Tomate, que atinge variação acumulada de 60,90%; a Cebola, acumulando variação positiva de 54,88%; a Cenoura, elevou-se em 53,29% no período e o Repolho descreve alta de 58,29% no trimestre.
Com as commodities agrícolas menos pressionadas nos mercados interno e externo, muitos custos produtivos reduzem-se, o que traz certo alívio para os principais indicadores de preços. Porém, é importante observar que assim como no ano passado, a oscilação nos preços de produtos básicos continua causando impactos nefastos no poder de compra do consumidor e isso deve continuar a ser observado até meados de maio, quando a disponibilidade desses produtos costuma aumentar com as safras de inverno.