Os primeiros dados referentes ao comportamento da inflação em maio, segundo o IPC-FIPE, indicam uma tímida aceleração visto que passaram de uma queda de 0,17% em março para os 0,22% percebidos na primeira quadrissemana no mês corrente.
Avaliando esse indicador, contudo, os Alimentos que seguiam como a principal contribuição positiva nos meses anteriores, sinalizam uma queda de 0,15% detectados na primeira prévia de maio, frente o aumento de 0,77% assinalado em março. Os principais declínios que favoreceram este comportamento foram percebidos em: Vagem (-14,44%), Mandioca (-7,90%), Pepino (-7,31%), Tomate (-7,24%) e Abobrinha (-6,66%). Todos esses realinhando preços após um período de oferta mais restrita em virtude do clima adverso.
Safras e mercados
Embora no varejo os preços do arroz sigam com variações negativas – na primeira prévia de maio verificou-se um decréscimo de 1,88% – as condições climáticas de algumas regiões produtoras apontam para uma quebra na produção, o que tende a reverter a tendência que vem sendo observada até então. Caso as condições climáticas persistam e os estoques sigam em níveis baixos, é provável que o arroz siga pressionando a cesta básica dos brasileiros como aconteceu no final do ano passado.
Os preços do trigo mantêm-se elevados, impactando nos preços dos panificados e demais produtos derivados há meses. Com a entressafra e início dos leilões realizados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), os estoques internos devem ser reduzidos e os preços poderão elevar-se ainda mais. O clima seco, porém, tem afetado o desempenho da produtividade das lavouras americanas e australianas deste cereal, o que aumenta ainda mais a expectativa de maiores preços no médio prazo.
A oferta de feijão prevalece mais escassa nos portos e os preços dos produtos importados seguem pressionados. Como a leguminosa perdeu em área plantada nos últimos anos, a produção interna não dá conta de atender toda a demanda e a importação tem sido a melhor solução. Somente na primeira quadrissemana de maio o feijão elevou-se 8,09%.
Embora no atacado os preços da soja sigam comportados por conta da safra recorde e de alguns gargalos infraestruturais que dificultam o escoamento, as estimativas de produção – segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) – da safra foram revistas para baixo tanto na produção brasileira quanto na argentina. De qualquer forma, isso não deve causar reflexos de altas nos preços visto que os estoques ainda seguem em níveis adequados.
Com a entrada da 2ª safra de milho e o desempenho farto da 1ª safra, os preços continuam em patamares moderados no mercado interno, favorecendo, inclusive, a cadeia produtiva de outros produtos alimentícios que utilizam o grão como matéria-prima. No mercado externo, contudo, os preços mantêm-se elevados tendo em vista o clima pouco favorável nos Estados Unidos.
Como já era esperado por este boletim, os preços dos alimentos, com o fim do primeiro trimestre do ano, ingressam, paulatinamente, em uma trajetória menos pressionada. Avaliando os produtos que integram o IPC da primeira prévia semanal de maio, dentre as 20 maiores quedas, somente um produto não integra o grupo de Alimentos, ou seja, há indícios de que o realinhamento de preço, ao menos neste segmento, começa a se dar de forma disseminada.








