Veja como ficaram os preços dos alimentos na primeira quinzena de maio

Os primeiros dados referentes ao comportamento da inflação em maio, segundo o IPC-FIPE, indicam uma tímida aceleração visto que passaram de uma queda de 0,17% em março para os 0,22% percebidos na primeira quadrissemana no mês corrente.

Avaliando esse indicador, contudo, os Alimentos que seguiam como a principal contribuição positiva nos meses anteriores, sinalizam uma queda de 0,15% detectados na primeira prévia de maio, frente o aumento de 0,77% assinalado em março. Os principais declínios que favoreceram este comportamento foram percebidos em: Vagem (-14,44%), Mandioca (-7,90%), Pepino (-7,31%), Tomate (-7,24%) e Abobrinha (-6,66%). Todos esses realinhando preços após um período de oferta mais restrita em virtude do clima adverso.

Safras e mercados
Embora no varejo os preços do arroz sigam com variações negativas – na primeira prévia de maio verificou-se um decréscimo de 1,88% – as condições climáticas de algumas regiões produtoras apontam para uma quebra na produção, o que tende a reverter a tendência que vem sendo observada até então. Caso as condições climáticas persistam e os estoques sigam em níveis baixos, é provável que o arroz siga pressionando a cesta básica dos brasileiros como aconteceu no final do ano passado.

Os preços do trigo mantêm-se elevados, impactando nos preços dos panificados e demais produtos derivados há meses. Com a entressafra e início dos leilões realizados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), os estoques internos devem ser reduzidos e os preços poderão elevar-se ainda mais. O clima seco, porém, tem afetado o desempenho da produtividade das lavouras americanas e australianas deste cereal, o que aumenta ainda mais a expectativa de maiores preços no médio prazo.

A oferta de feijão prevalece mais escassa nos portos e os preços dos produtos importados seguem pressionados. Como a leguminosa perdeu em área plantada nos últimos anos, a produção interna não dá conta de atender toda a demanda e a importação tem sido a melhor solução. Somente na primeira quadrissemana de maio o feijão elevou-se 8,09%.

Embora no atacado os preços da soja sigam comportados por conta da safra recorde e de alguns gargalos infraestruturais que dificultam o escoamento, as estimativas de produção – segundo o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) – da safra foram revistas para baixo tanto na produção brasileira quanto na argentina. De qualquer forma, isso não deve causar reflexos de altas nos preços visto que os estoques ainda seguem em níveis adequados.

Com a entrada da 2ª safra de milho e o desempenho farto da 1ª safra, os preços continuam em patamares moderados no mercado interno, favorecendo, inclusive, a cadeia produtiva de outros produtos alimentícios que utilizam o grão como matéria-prima. No mercado externo, contudo, os preços mantêm-se elevados tendo em vista o clima pouco favorável nos Estados Unidos.

Como já era esperado por este boletim, os preços dos alimentos, com o fim do primeiro trimestre do ano, ingressam, paulatinamente, em uma trajetória menos pressionada. Avaliando os produtos que integram o IPC da primeira prévia semanal de maio, dentre as 20 maiores quedas, somente um produto não integra o grupo de Alimentos, ou seja, há indícios de que o realinhamento de preço, ao menos neste segmento, começa a se dar de forma disseminada.

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Preços médios dos alimentos desaceleram, mas ainda influenciam na alta da inflação

Como adiantado no último boletim agrícola de safras e mercados, o IPCA mostrava tendência de alta e encerrou abril com elevação de 0,55%, acima dos 0,47% percebidos em março. Com este resultado, o indicador acumula incremento de 6,49% nos últimos 12 meses e, mais uma vez, situa-se bastante próximo do teto máximo da meta inflacionária estabelecida pelo governo.

A principal contribuição no resultado de abril foi a alta de 0,96% do grupo Alimentos e Bebidas, representando cerca de 44% do resultado notado no quarto mês do ano. Embora tenha desacelerado (em março o grupo havia se elevado 1,14%), no acumulado em 12 meses a atividade atinge variação positiva de 14% – a maior dentre todos os grupos avaliados pelo medidor oficial da inflação brasileira. Contudo, o subgrupo Carnes (que contempla carnes bovinas, suínas, aves e pescados) acumula três quedas consecutivas, atingindo no quadrimestre -2,39% de variação, contribuindo para derrubada das cotações.

Pecuária e carnes
Com um declínio na quantidade exportada, conforme informado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os preços das carnes suínas seguem em queda e de acordo com o IPCA encerraram abril com recuo de 1,41%, ante os -1,01% percebidos em março. Os principais países que reduziram a demanda pelos suínos nacionais foram Rússia e Ucrânia. A queda nos preços dos insumos usados como ração animal – tal como soja e milho – também corroboram com este cenário.

Seguindo comportamento similar, as carnes de frango também acabam sendo menos impactadas pelos custos produtivos e, com isso, os preços seguem comportados no varejo e com discreta tendência de queda no atacado, o que sinaliza que eles devam se manter sem pressões significativas no curto prazo. O IPCA releva que, em abril, o frango inteiro obteve queda de 1,92%, enquanto o frango em pedaços decresceu 1,58%.

Enquanto no varejo o preço dos bovinos mantém-se com variações negativas, no atacado percebe-se uma tendência de estabilidade, o que pode indicar a proximidade do término da queda nos preços, principalmente por conta da entressafra. De qualquer forma, o IPCA ainda descreve variação negativa em praticamente todas as variedades de carnes pesquisadas, com destaque para: Alcatra (-3,55%), Contra Filé e Filé Mignon (ambos com queda de 2,80%) e Lagarto Redondo (-2,53%).

Já os leites e seus derivados seguem com preços mais pressionados desde o início do ano, apesar das altas mais intensas terem sido constatadas em março (1,34%) e abril (2,33%). Este comportamento pode ser atribuído ao menor volume captado no mercado interno e a tendência é que os preços sigam elevados tendo em vista a entressafra que se aproxima.

Enfim, mesmo com a desaceleração nos preços médios dos alimentos, estes ainda têm exercido uma importante influência nos principais indicadores de inflação. Como há uma dispersão de alta nos demais grupos, surge uma preocupação com a perda do poder de compra dos consumidores.

Além disso, no caso das carnes e dos produtos pecuários, é provável que haja um realinhamento de preços para cima nos próximos meses, tendo em vista o período típico de oferta mais restrita por conta do clima frio e da escassez de pastagens.

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FecomercioSP denota risco de o Brasil colher inflação maior do que o razoável

Enquanto o Ibovespa caiu 0,7% na semana passada, o dólar valorizou 0,7% em relação ao Real. São sinais continuados de uma perda de confiança interna e externa no Brasil e na sua capacidade de gerar taxas de crescimento robustas. E, de fato, a economia brasileira não atravessa uma de suas melhores fases. Pior, não há perspectiva de mudanças no curto ou médio prazo. Os mais céticos não acreditam em mudanças significativas em prazo algum, pois essas dependem de reformas como a da Previdência, a Trabalhista (que são muito impopulares) e também de uma racionalização do Estado com cortes profundos de gastos, que dificilmente encontrarão abrigo político em qualquer nível de governo ou partido para que sejam implementados.

Internamente, os problemas são mais do que conhecidos. O que há realmente de diferente, e poucas pessoas estão se dando conta da importância, é o ambiente externo que, de extremamente receptivo está rapidamente tornando-se hostil ao Brasil. Esse problema não está só representado pela perda de confiança de investidores no País e pelo desalento de muitos daqueles que apostaram no crescimento ininterrupto do Brasil e de seu mercado consumidor de 200 milhões de pessoas. Esses aspectos são mais evidentes, porém, há parte da hostilidade que o próprio Brasil está inflando: as Contas Correntes.

A FecomercioSP, em estudo de 2009/2010 alertava para a tendência crescente de déficits em Contas Correntes do País. Na visão da entidade, o crescimento da demanda interna não seria acompanhado pelo crescimento da oferta, o que, indiscutivelmente traria um desequilíbrio que somente seria ajustado por recessão ou por importações crescentes.

No longo prazo, a maneira correta e mais inteligente de fazer o ajuste é elevar a produtividade nacional, mas, novamente, isso passa por reformas profundas com as quais o País não conta. No curto prazo, o déficit estava sendo financiado em grande medida por investimentos diretos (na base da extrema e errônea confiança que existia na capacidade de resposta do País) e por um saldo comercial exuberante, principalmente em commodities. Esse quadro mudou radicalmente, com investidores mais céticos, e com a surpresa negativa dos últimos meses: o saldo comercial está no pior patamar histórico neste início de ano. É exatamente por isso que há uma mudança de equilíbrio no câmbio, com tendência evidente de desvalorização da moeda brasileira.

Conclusão: o ajuste se dará, com ou sem planejamento. De forma organizada, o País passaria por um momento de transição, penoso, porém sairia melhor do outro lado. Da forma que vem sendo feito, o País está, por medo ou preconceito, relegando o combate à inflação, buscando soluções pontuais e de curto prazo para a produtividade e postergando ao máximo o ajuste de demanda interna, talvez até dentro de uma lógica política, mas que é inimiga da lógica econômica. Neste cenário o que a FecomercioSP denota é o enorme risco de o País colher uma inflação maior do que o razoável, com uma perda de demanda e de produção que, apesar de postergada, será maior e por mais tempo do que poderia ser. O “timing” político está impondo-se à necessidade econômica.

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IPCA encerra o mês de abril com elevação e fica próximo do teto máximo estabelecido pelo governo

O IPCA encerrou o mês de abril com elevação de 0,55%, ligeiramente acima dos 0,47% percebidos em março. Com este resultado, o indicador acumula incremento de 6,49% nos últimos 12 meses e, mais uma vez, situa-se bastante próximo do teto máximo da meta inflacionária estabelecida pelo governo.

A principal contribuição positiva em abril foi a alta de 0,96% do grupo Alimentos e Bebidas, representando cerca de 44% do resultado notado no quarto mês do ano. Embora tenha desacelerado, já que em março o grupo havia se elevado 1,14%, no acumulado em 12 meses a atividade atinge variação positiva de 14% – a maior dentre todos os grupos avaliados pela pesquisa. Os principais aumentos ainda são nos produtos que costumam ter menor disponibilidade neste período do ano, tal como Batata Inglesa (16,16%), Cebola (10,96%), Feijão Carioca (9,44%), Cenoura (7,82%) e Feijão Mulatinho (7,76%).

Outros 25% da alta constatada em abril é proveniente, como já esperado em virtude do reajuste dos medicamentos, do grupo Saúde e Cuidados Pessoais, cuja elevação foi de 1,28% ante os 0,32% assinalados em março. Somente os Remédios ficaram 3,99%, em média, mais caros no comparativo com o mês anterior.

Somente dois grupos descreveram variação negativa em abril: Comunicação (-0,32%) e Transporte (-0,19%), sendo os principais responsáveis por esta queda o declínio observado nas tarifas de telefone fixo para celulares – queda de 1,06%, no caso de Habitação – e o decréscimo de 0,41% na Gasolina.

Recife (0,90%), Fortaleza (0,78%), Belo Horizonte e Belém (ambos com 0,64%), Curitiba (0,63%) e Rio de Janeiro (0,59%), descreveram preços mais elevados que a média nacional do quarto mês do ano.

INPC
O INPC acusou uma discreta aceleração, passando de uma alta de 0,60% em março para os 0,59% percebidos em abril. Como a estrutura de ponderação é distinta do IPCA, a desaceleração dos grupos Alimentação e Bebidas (0,97% em abril frente os 1,16% constatados em março) e Transporte (-0,16% em abril contra 0,29% no mês anterior) acaba exercendo uma maior influência baixista.

Contudo, a dispersão de queda passou de uma atividade para duas, dentre as nove avaliadas pelo INPC. As quedas foram sentidas somente em Comunicação (-0,03%) e Transporte (-0,16%).

As regiões metropolitanas que descreveram em abril variações de preços acima da média nacional foram as seguintes: Recife (0,96%), Fortaleza (0,9%), Curitiba (0,84%), Belém (0,68%), Belo Horizonte (0,67%) e Rio de Janeiro (0,58%).

Por mais que venham perdendo força, os alimentos se mantêm como vilões do IPCA em 2013. Naturalmente os produtos que são, sazonalmente, de disponibilidade restrita nesta época do ano deverão seguir em trajetória altista, tal como algumas verduras, frutas e tubérculos. Porém, há diversos outros itens alimentícios que ingressam, paulatinamente, em uma trajetória de arrefecimento, tal como algumas frutas cítricas, as proteínas animais, os adoçantes, dentre outros.

É importante atentar ao fato que a dispersão de alta se mantém elevada, o que indica sinais de ingresso em um processo inflacionário, marcado por altas persistentes e disseminadas, há alguns meses consecutivos.

Outro ponto relevante a ser destacado é o incremento dos alimentos no acumulado em 12 meses, que atualmente atingiu 14%, e certamente deve comprometer o poder de compra das famílias brasileiras.

Além disto, ainda há mais reajustes para este ano, tal como dos Planos de Saúde e dos transportes urbanos, previsto para o segundo semestre.

Mais uma vez fica nítida a necessidade de uma política monetária mais responsável visando o cumprimento das metas inflacionárias e, principalmente, a manutenção do poder de compra dos consumidores.

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Inflação mantém-se em alta e reforça necessidade de política monetária responsável

O IPCA-15 do IBGE acusou discreta aceleração, passando de uma alta de 0,49% em março para 0,51% em abril. O comportamento pode ser atribuído ao desempenho constatado nos segmentos de Saúde e Cuidados Pessoais (0,63%) e Habitação (0,68%). Somente os grupos de Transporte (-0,01%) e Comunicação (-0,09%) encerraram a prévia do mês com variação negativa, muito embora estas variações possam ser avaliadas como uma estabilidade. Já o grupo Alimentação e Bebidas que vinha contribuindo significativamente para a alta do indicador desacelerou, passando de uma alta de 1,40% para os 1,0% assinalados em abril. Ainda que caiam as cotações, os preços de alguns alimentos ainda encontram-se em patamares elevados e positivos, o que reduz o poder de compra dos consumidores.

Seguindo tendência similar, os dados do IPC-FIPE revelam que, na segunda metade de abril, os preços passaram de uma alta de 0,17% na terceira quadrissemana para 0,28% no encerramento do mês. O resultado de abril foi influenciado, principalmente, pelos aumentos notados no segmento de Saúde, tendo em vista o reajuste da categoria, com destaque para o incremento de 2,57% em Remédios. Já o segmento de Alimentação, por outro lado, descreveu trajetória tímida de queda em suas variações e encerrou o mês com aumento de 0,20%. Os principais declínios foram notados em Abobrinha (-10,69%), Maracujá (-9,61%) e Chuchu (-8,84%).

Safras e mercados

A produção nacional de trigo é inferior à demanda interna e os preços dos seus derivados oscilam de acordo com o comportamento do mercado externo. Com a proximidade da entressafra, o produto importado tem sido intensamente procurado pela indústria moageira e os preços já reagem positivamente a esta maior procura. É importante atentar ao fato de há tempos os preços dos panificados sobem em virtude da escassez de trigo provocada, em grande parte, por problemas climáticos nas principais regiões produtoras, como a Rússia, por exemplo. Somente em abril, segundo o IPC-FIPE, os panificados ficaram, em média, 2,29% mais caros.

Por outro lado, o milho segue com preços comportados tendo em vista a safra recorde nacional e também a dificuldade de escoamento da produção, que acaba aumentando o volume da oferta no mercado interno. Porém, ressalta-se que as quedas tem sido menos intensas do que nos meses anteriores e há uma preocupação com o desempenho da safra norte americana que sofre com o clima adverso.

Apesar do arroz, segundo o IPCA-15, registrar três recuos consecutivos em seus preços médios e queda de 4,38% no encerramento do IPC-FIPE de abril, a perspectiva é de que a produção mundial deve ser mais restrita graças às previsões pouco otimistas de grandes players, tais como: Paquistão, Tailândia e Vietnã. A avaliação é do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Em suma, o processo de realinhamento de preços deve perdurar até o fim da safra nacional, retomando uma trajetória altista conforme o estoque mundial se reduz. O arroz foi um dos produtos que mais pressionou o grupo de Alimentos ao longo do ano passado, juntamente com algumas variedades de Feijão.

Em suma, a dispersão de alta mantém-se nos principais indicadores de inflação e os alimentos ainda seguem influenciando essas pressões, mesmo que em menores proporções. Isso reforça a necessidade de uma política monetária mais responsável visando o cumprimento das metas inflacionárias e, principalmente, a manutenção do poder de compra dos consumidores.

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Índice de Preços ao Consumidor (IPC) acelera no último mês

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), apurado mensalmente pela FIPE para o Município de São Paulo, acelerou no quarto mês de 2013 passando de uma queda nos preços de -0,17%, para os 0,28% percebidos em abril. Nos últimos 12 meses, a alta ficou em 5,37% e no trimestre 0,32%.

Uma das principais contribuições foi no segmento de Saúde, cujo aumento foi de 1,31%. Neste grupo, a maior alta ocorreu em Remédios (2,57%) e entre eles as maiores variações de preços foram percebidas em: Anti-infecciosos e sistêmicos (3,70%), Aparelhos digésticos (3,50%), Pele e mucosas (3,30%), Aparelho locomotor (3,21%), Modificadores do metabolismo (2,91%), Sistema nervosos (2,74%) e Vitaminas (2,50%) foram os desempenhos mais relevantes, provocados pelos aumentos autorizados pelo governo.

Outros setores que apresentaram variações positivas foram Transporte (0,28%), Habitação (0,25%), Alimentação (0,20%), Vestuário (0,19%) e Educação (0,18%).

Despesas Pessoais (-0,12%) foi a única a descrever variação negativa em abril.

O IPC mede a variação dos preços no Município de São Paulo de famílias com renda até 10 salários mínimos e em abril, o indicador da FIPE mostra sinais de que a inflação deve ingressar em uma trajetória mais estável, visto que a dispersão de alta, na margem, se reduziu e o impacto das flutuações dos preços dos alimentos começa a ter uma menor pressão nos principais produtos que compõem essa cesta de produtos e aliado a uma expectativa de safra recorde.

De qualquer forma, ainda é cedo para afirmar que isso é uma tendência, pois o cenário ainda inspira incerteza, Está por vir o reajuste dos preços das tarifas dos transportes urbanos, além da cana-de-açúcar que enfrentará um aumento na demanda por causa da maior porcentagem do etanol na gasolina, que passa a valer a partir de maio.

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Mercado previsível torna difícil os erros de prognósticos no Brasil

Os mercados no Brasil estão tão previsíveis que está difícil encontrar algum analista que erre ou algum que tenha coragem de ser “exótico” neste momento. Os resultados das empresas no Brasil ainda mostram desaceleração do ritmo econômico. Neste cenário não há como pensar em recuperação imediata do Ibovespa, que no fundo reflete o valor estimado para empresas e também as expectativas de dividendos. Por outro lado, quando ocorrem quedas bruscas, como há duas semanas e nas semanas anteriores, o indicador passa a expressar um raquitismo que também não corresponde à verdade, e nesse momento há a correção. Isso vale para o caso oposto de valorização muito rápida do Ibovespa.

Como se vê acima , o índice neste ano chegou a esboçar uma recuperação, já abortada. Tudo indica que o Ibovespa vai sustentar preços acima de 55 mil pontos e abaixo de 60 mil pontos ao menos até o fim do primeiro semestre e talvez pelo ano todo. O Câmbio, por sua vez, também não parece querer surpreender. O canal de atuação ao redor dos R$ 2,00 parece mantido. Muito desvalorizado, implica em custo inflacionário, desvalorizado pode piorar o desempenho já bastante ruim da Balança Comercial brasileira, que até o momento é efetivamente o que se destaca como surpresa negativa.

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Indústria: analistas apontam década de baixo crescimento mundial

Há um indicador de sensibilidade de empresários coletado em 30 países, que representam 90% do PIB global. O PMI – sigla em inglês para Índice de Gerentes de Compras acompanha o setor de Serviços e a Indústria nesses países. Varia entre 0 e 100 pontos, sendo que 50 pontos indica que não é tendência nem de expansão, e nem de retração.

Dito isso, segue que o indicador vem rondando a casa da neutralidade, os 50 pontos, há algum tempo. Em abril, o PMI atingiu a casa de 50,8 pontos, caindo de 51,8 pontos no mês anterior. Esse é o menor resultado desde outubro de 2012, porém já se mantém nesse patamar de quase neutralidade há pelo menos sete meses. Ou seja, não há grandes perspectivas, pelo menos na visão dos gerentes que respondem à pesquisa, de expansão mais robusta da Indústria ou mesmo dos Serviços ao redor do mundo. Indica que o nível de atividade deve manter-se razoavelmente fraco por algum tempo ainda. O indicador tem sido puxado para baixo principalmente por conta do ambiente de empregos. Grande parte dos entrevistados aponta queda nos postos de trabalho, sem reposição esperada no curto prazo.

A rigor, desde 2007/2008 o mundo enfrenta uma crise, com seus vários soluços, que tem afetado fortemente o crescimento da produção e, também do consumo final agregado. Isso retroalimenta o desemprego, que, por sua vez, mantém o ritmo da economia desacelerado. O difícil está sendo romper esse círculo vicioso, ainda que grande parte das economias mais fortes do mundo tenha adotado políticas de incentivo ao consumo e à produção, principalmente por meio de expansão fiscal e monetária. Esses instrumentos têm uso limitado, e provavelmente não poderão ser mantidos em expansão por muito tempo. Para citar um exemplo, nessa semana o Banco Central Europeu (BCE) reduziu a taxa de juros para 0,5%, a menor da história. E, mesmo assim, o desemprego não para de crescer.

Resta tentar achar uma solução alternativa, que parece não existir. As melhores cabeças já se colocaram a pensar sobre o tema, mas ainda nada de muito diferente emergiu. Soluções heterodoxas normalmente criam mais problemas novos ao invés de resolver o já existente. Sendo assim, aparentemente quem vai resolver o problema e acelerar o crescimento global é o tempo. Grande parte dos analistas chega a essa conclusão, estimando que não há mais tanto espaço para medidas expansionistas e que essa será mesmo uma década de baixo crescimento mundial. Enquanto isso o mundo vive sob protestos.

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Os principais momentos que mudaram a economia e a relação do consumidor com os empresários

O Brasil passou por pelo menos três momentos realmente importantes que mudaram a economia e a relação do consumidor com os empresários:

1. A Abertura Comercial
2. O Código do Consumidor
3. O Plano Real

De certa forma esses momentos estão ligados. Não haveria Plano Real sem a abertura comercial ao exterior, e o Código do Consumidor teria sido inóquo em um ambiente de inflação severa.

Outro fator foi, e tem sido, preponderante para moldar o consumo e o comportamento do consumidor, e, portanto, do varejista: a expansão do crédito, que já dura quase uma década. Tudo isso junto realmente mudou a relação do consumidor com o varejo. Mais exigente, ciente de seus direitos e com maior entendimento de valor e possibilidade de comparação de preços, o “cliente” tornou-se muito mais “arisco”. O varejista, é claro teve que tornar-se muito mais competitivo, e de fato se tornou e continua evoluindo – nem todos, é claro.

Todavia há ainda, como exceção, alguns comportamentos que acabam mostrando-se muito custosos para as empresas, sem contar os danos à imagem que podem ser incalculáveis. Em um ambiente onde a propaganda tornou-se quase imediata, que basicamente invade a vida de todo e qualquer consumidor seja por e-mail, seja por mensagens nos smartfones, não convém ser desleixado. As inúmeras propagandas às vezes embutem riscos para a imagem e finanças das empresas, parecendo armadilhas para o consumidor.

O pior que pode acontecer é o consumidor receber uma oferta de um produto com o preço menor do que está efetivamente sendo cobrado na loja do anunciante. E isso não é tão incomum assim. Na esmagadora maioria dos casos esse fenômeno não passa de um erro, e é muito raro haver dolo ou intenção de ludibriar. Mesmo assim, a propaganda negativa que é gerada é muito grande, talvez incalculável. É necessário cuidado redobrado com as estratégias muito agressivas de vendas, pois elas invadem a casa, a caixa de e-mails e o celular de quase todos os consumidores do País.

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Ibovespa recupera-se sem muita firmeza

Nesta última semana, quase encerrando o mês de abril, o Ibovespa recuperou-se um pouco ao mesmo tempo em que a taxa de câmbio valorizou-se em favor do real. Em condições normais, esse movimento poderia ser encarado como reação a um cenário positivo para o País. Atualmente, parece ser apenas um momento de recuperação após dias turbulentos. Essa reação instável dos mercados, que já dura mais de um ano, é absolutamente natural dentro do quadro econômico de aumento da desconfiança que envolve o Brasil.

O resultado final foi uma leve alta de 0,6% do Ibovespa e uma queda de mesma magnitude do valor do dólar: -0,6%. No caso do câmbio, o movimento foi unidirecional ao longo da semana, quase linear, como se pode notar no gráfico. Quanto ao Ibovespa, o indicador subiu forte até quarta-feira, atingindo alta de mais de 2% em relação ao encerramento da semana anterior, mas devolveu grande parte dos ganhos, principalmente na sexta-feira. Isso porque há clara realização de lucros de parte dos especuladores, o que ocorre sempre que o mercado sobe ou cai muito rápida e acentuadamente. Também houve algumas boas notícias como o crescimento americano de 2,5% no primeiro trimestre de 2013, ela foi logo contraposta à percepção de que a China já desacelerou e provavelmente vai desacelerar um pouco mais.

Todavia, guardadas as devidas responsabilidades de cada fator no direcionamento dos mercados, o Brasil continua atravessando uma fase muito ruim de perda de credibilidade, percepção internacional de que o País não é boa opção de investimentos de longo prazo e escalada da tendência intervencionista. Ou seja, os problemas brasileiros são produtos genuinamente nacionais.

Para as próximas semanas, nada de muito diferente é esperado. Os valores de ações estão muito baixos em média, e no longo prazo tendem a recuperar grande parte da queda ocorrida desde 2009/2010. Todavia não é possível precisar quando isso vai se tornar uma tendência mais forte e evidente. Enquanto isso, há muitos riscos pela frente e o Brasil não tem desempenhado uma grande performance ultimamente, o que limita as chances de aquecimento rápido do mercado, bem como dos investimentos.

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