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Dom Juan de Moliére

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Dom Juan de Moliére

Escrita originalmente em 1665 por Moliére, um dos mais aclamados autores da história da dramaturgia, a peça “Dom Juan” já serviu de inspiração para os mais diversos e nobres nomes da arte. Desde Mozart, com a ópera Don Giovanni, passando pelo romântico poeta britânico Lord Byron, até Francis Ford Copolla, Johnny Deep e Marlon Brando na década de 90 com Dom Juan de Marco, o personagem vem firmando seu papel como o grande ícone da conquista, do romance e da libertinagem, ao mesmo tempo em que escancara a hipocrisia da sociedade.

O renomado diretor William Pereira, conhecido por adaptar clássicas óperas mundiais, se alia à visão brilhante e irônica de Moliére e traz aos palcos do Teatro Raul Cortez, com texto traduzido fielmente do escrito original em francês pelo professor Jorge Coli, um espetáculo intrigante e arrojado que, sob uma ótica contemporânea, não perde sua essência clássica e consegue ser moderno a qualquer época.

Dom Juan, interpretado por Rodrigo Lombardi, é um sedutor nato, que transcende o sentido apenas romântico da palavra – ele vive intensamente em função do prazer, independentemente da moral, da ética ou dos riscos de seus atos. O temente criado Esganarelo (Eduardo Estrela), desprovido de força e beleza, é seu fiel escudeiro, se envolvendo em confusas e absurdas encrencas para salvar seu amo, ao mesmo tempo em discursa divertida, irônica e medrosamente, como na tortuosa descrição que ele faz sobre o fidalgo: “Dom Juan casa-se sem parar: é dama, senhorita, burguesa, camponesa, não importa se é quente ou fria”. Mas, mesmo julgando o comportamento de Dom Juan, ele sempre acaba cedendo aos caprichos do mestre, por receio de perder o emprego.

“É uma encenação contemporânea de um clássico, sem descaracterizar os personagens, sem forçar uma proximidade na atualização e que está longe de um humor farsesco. O pior caminho no teatro é o da facilidade”, considera William Pereira.

Último trabalho de José Wilker, a peça “é uma declaração de amor à arte dramática”, como resume Ary Fontoura. “Todos nós, envolvidos neste trabalho, tentamos reproduzir o que o Wilker queria. É a nossa homenagem”.A montagem faz uma releitura do resplendor artístico do século XVII, com as formas dos figurinos mantendo linhas e cortes enxutos, formas definidas e tons marcantes e densos. A cenografia trilha caminho semelhante, fugindo ao figurativismo a partir de um jogo de espelhos que amplia, duplica e distorce as imagens das cenas.

O espetáculo, com base num olhar que evidencia o que há de moderno no texto de Moliére, de conservador em nosso tempo e de hipócrita na sociedade e em suas práticas, é um convite à entrada nesse indefinido jogo narcisista e sedutor de Dom Juan.

Ficha Técnica

Realização: Cubo Entretenimento
Texto: Moliére
Tradução: Jorge Coli
Direção: William Pereira
Diretora Assistente: Ângela Barros
Iluminação: Domingos Quintiliano
Cenografia e trilha sonora: William Pereira
Assistente de cenografia e diretor de palco: Domingos Varela
Figurino: Olintho Malaquias
Fotografia: Lenise Pinheiro
Produção Executiva: Flavia Nucci
Assistente de Produção: Letícia de Bertolli
Direção de Produção: Dani Angelotti
Elenco: Rodrigo Lombardi, Eduardo Estrela, Clarissa Kiste, Davi Taiu, Eduardo Leã,o Mariana Melgaço, Mario Luiz e Roberto Arduim
Temporada: 30/03/2012 a 17/06/2012

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