Teatro Raul Cortez

Dorotéia

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Dorotéia

Se estivesse vivo, Nelson Rodrigues, um dos maiores ícones da dramaturgia brasileira, completaria 100 anos em agosto. Em comemoração ao seu centenário, o Teatro Raul Cortez estreia a peça “Dorotéia”, sob direção de João Fonseca, e protagonizada pela bela Alinne Moraes, uma das mais consagradas atrizes de sua geração.

Montada pela primeira vez em 1950, por Zbigniew Ziembinski, com Eleonor Bruno no papel principal, a obra ganhou nova roupagem nas mãos de um dos mais produtivos diretores da atualidade: João Fonseca. Ele já dirigiu outras obras de Nelson, como ”O Casamento”, em 1997, com a qual ganhou o prêmio Shell de melhor diretor; “Escravas do Amor”, em 2006; e “A Falecida”, em 2008.

Depois de uma temporada no Teatro Poeira (de 20 de junho a 25 de julho), no Rio de Janeiro, “Dorotéia” chega agora à capital paulista num dos mais luxuosos e sofisticados teatros de São Paulo. Considerada por muitos uma obra “maldita”, ela foi escrita especialmente para Eleonor Bruno, atriz e cantora lírica, mãe da atriz Nicette Bruno, que manteve um romance com Nelson no final da década de 40.

“Dorotéia” conta a história de uma mulher que abandona a prostituição após perder o filho e procura a família como salvação. Chegando à casa de suas primas viúvas, Dona Flávia, Carmelita e Maura, depara-se com três figuras medonhas que a repudiam por conta de sua beleza e lhe impõem uma condição: que ela fique feia.

Dona Flávia, a mais radical do grupo, acredita que os atributos físicos de Dorotéia podem encher sua casa de pecado. As três viúvas são feias e acreditam que os desejos da carne geram a perdição. O universo masculino é tratado dentro da obra, transformando as mulheres em monstros destituídos de vaidade e feminilidade.

O feminino em “Dorotéia” é representado pela protagonista (interpretada por Alinne Moraes) na busca pelo caminho da virtude, e também por Das Dores (com a atriz Keli Freitas) , filha de Dona Flávia (feita por Gilberto Gawronski). A mais jovem das personagens é prometida ao filho de Dona Assunta da Abadia (encenada por Marcus Majella) que acaba se virando contra a mãe ao longo da narrativa ao se deparar com o masculino pela primeira vez. O caos familiar se instala na casa e a repressão imposta aos desejos sexuais dessas mulheres é ameaçada.

A montagem do diretor João Fonseca revê um clássico do teatro nacional, com um enredo envolvente e repleto de fantasias, e que fará o espectador conhecer um mundo caótico, em que o feio torna-se a representação da pureza e o ser humano revela suas múltiplas facetas.

Ficha Técnica

Realização: Artcênicas Ideias e Soluções Artísticas
Texto: Nelson Rodrigues
Direção: João Fonseca
Iluminação: Luiz Paulo Nenen
Cenografia: Nello Marrese
Figurinos: Thanara Schönardie
Elenco: Alinne Moraes (Dorotéia); Gilberto Gawronski (D. Flávia); Alexandre Pinheiro (Carmelita); Keli Freitas (Das Dores); Marcus Majella (D. Assunta da Abadia) e Paulo Verlings (Maura)
De 28/07 a 14/10 de 2012

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