Negócios

28/11/2018

“América Latina é espaço para pequenas empresas entrarem no comércio exterior”, diz diretor do Itamaraty em evento na FecomercioSP

Michel Arslanian Neto ressaltou que diversos países da região têm acordos de livre-comércio com o Brasil e se interessam por bens manufaturados

“América Latina é espaço para pequenas empresas entrarem no comércio exterior”, diz diretor do Itamaraty em evento na FecomercioSP

Michel Arslanian Neto comentou que Brasil tem negociado a redução de barreiras não tarifárias com outros países latino-americanos
(Foto: Rubens Chiri)

Por Eduardo Vasconcelos

O empresário brasileiro que tem interesse em exportar não pode negligenciar a América Latina. De acordo com o diretor do Departamento de Integração Econômica Regional do Ministério das Relações Exteriores, Michel Arslanian Neto, diferentemente de outras partes do mundo, a região tem mais interesse por bens manufaturados do que commodities, além de muitos países oferecerem isenções de impostos a produtos brasileiros em função de acordos firmados com o Mercosul.

“Quando falamos de integração na região, é preciso desfazer impressões equivocadas. Há a tendência de dar uma importância menor para a América Latina no nosso comércio exterior. Entretanto, exportamos mais para essa região do que para os Estados Unidos e para a União Europeia”, comentou Neto durante o evento “Comércio Aliança do Pacífico”, realizado na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), nesta quarta-feira (28).

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O diretor do Itamaraty salientou que 80% das exportações brasileiras à América Latina são bens manufaturados – como comparativo, 80% dos produtos enviados à China são commodities. “A região tem papel estratégico no comércio exterior brasileiro. É um espaço para a entrada de pequenas e médias empresas no comércio internacional”, frisou.

Neto ressaltou que o México é o único país que integra a Aliança do Pacífico (bloco também composto por Chile, Peru e Colômbia) que ainda não tem um acordo de livre-comércio com o Mercosul. Além disso, reforçou que o Brasil tem trabalhado com esses países para reduzir barreiras não tarifárias – como medidas de regulação, sanitárias, fitossanitárias, entre outras –, as quais podem ser negociadas individualmente pelo País, a despeito do Mercosul.

Contudo, afirmou que o comércio exterior só deve prosperar caso o setor privado se engaje no assunto. “Estamos tornando a América do Sul uma área de livre-comércio. Mas se não houver parceria público-privada, não iremos para frente. É a inciativa privada que faz negócios”, afirmou.

No mesmo sentido, o vice-presidente da FecomercioSP e presidente do Conselho de Relações Internacionais da Federação, Rubens Medrano, falou sobre a importância de mais empresas entrarem na cadeia de comércio internacional.

“Precisamos aumentar o universo de empresas importadoras e exportadoras. Uma das metas da FecomercioSP é capacitar e habilitar pequenas empresas para fazer parte do âmbito do comércio internacional. A Entidade acredita que as relações comerciais começam com os países vizinhos e com aqueles nos quais haja similaridades culturais. Por isso, precisamos fazer correções no Mercosul, não abandonar o bloco, e reforçar os nossos laços com os países da Aliança do Pacífico”, declarou.

O evento contou ainda com a participação de representantes dos países-membros da Aliança do Pacífico: o economista do escritório comercial do Peru no Brasil, Percy Sanchez; a diretora comercial do ProChile no Brasil, Maria Julia Riquelme; o diretor do ProColombia no Brasil, Alejandro Pelaez; e a ministra do ProMéxico no Brasil, Evelyne Rodriguez.

Também foram apresentados casos de sucesso empresarial na América do Sul, como os da empresa mexicana KidZania, da peruana Core do Brasil e das brasileiras ItBeach e Unicacomex.

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