Economia

23/04/2018

Apesar de alta, dólar não deve ultrapassar muito o patamar atual em 2018

Recentemente, cotação da moeda passou de R$ 3,40 em função do cenário externo; Banco Central deve agir para impedir flutuações acentuadas

 Apesar de alta, dólar não deve ultrapassar muito o patamar atual em 2018

Investidores, principalmente os mais inexperientes, ficam tentados a comprar dólar com a valorização da moeda
(Arte/Tutu)

Durante parte deste ano o dólar americano esteve na casa dos R$ 3,20, mas a cotação saltou para mais de R$ 3,40 no mês passado e, atualmente, ronda esse patamar. Diante dessa alta, é comum investidores agirem precipitadamente.

Ao ver o dólar em ascensão, cresce, principalmente entre investidores inexperientes, a tentação de comprar a moeda – basta ver a procura pela divisa quando a cotação passou de R$ 3,40, no período em que eclodiram as gravações de Joesley Batista. Por outro lado, quando a moeda caiu um pouco abaixo de R$ 3,10, no fim do ano passado, poucos se preocuparam em adquirir o ativo pensando em sua valorização.

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O investidor deve se perguntar se, agora, é o momento de comprar a moeda americana. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) indica que não. Isso porque, de certa forma, o Banco Central e o mercado financeiro têm parâmetros não oficiais para o câmbio. Não há uma regra, mas está claro há algum tempo que o dólar abaixo de R$ 3,20 e acima de R$ 3,40 está fora de cogitação. Com isso, medidas pontuais e de prevenção indicam que a cotação da moeda americana não deve variar para muito além desses valores.

O investidor que acredita que o dólar continuará se valorizando e terminará o ano acima de R$ 3,50 – cotação que faz valer a pena trocar uma aplicação em renda fixa por um câmbio atual de R$ 3,40 – trabalha com um cenário que está fora do radar da FecomercioSP. Para que isso se confirme, é preciso que o País passe por uma turbulência política e perca o controle da inflação e o equilíbrio macroeconômico, situações pouco prováveis.

A recente alta do dólar aconteceu em função do cenário externo, principalmente da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos. Como não é de interesse de nenhum desses países seguir com essas ameaças, a tendência é de que ambos cheguem a um acordo, e, com isso, o câmbio volte a arrefecer.

Quem tem interesse em comprar dólar ou aplicar em títulos vinculados à moeda americana deveria ter aproveitado quando a cotação estava em nível mais baixo. Agora, somente devem adquirir esse ativo os investidores que tenham uma visão mais pessimista dos cenários nacional e internacional.