Negócios

12/02/2016

“Consumidor não aguenta mais a mesmice”, diz diretor da Hope, Sylvio Korytowski

Empresário acredita que clientes querem experiências de compra, em ambiente e atendimento de primeira

“Consumidor não aguenta mais a mesmice”, diz diretor da Hope, Sylvio Korytowski

Hope Lingerie está investindo na reestruturação de sua marca com lojas elegantes e espaçosas, na busca de um público mais exigente.
(Arte/TUTU)

Com informações de Barbara Oliveira

Encantar o consumidor e despertar sensações distintas, provocadas por aroma agradável, iluminação adequada, espaço para circulação e conforto, variedade de produtos diferenciados e outros atrativos que o deixem com vontade de ficar mais tempo ali. Esse é o ambiente de uma flagship, em geral localizada em endereços especiais, como shopping centers de luxo ou avenidas sofisticadas. Um bom exemplo é a Apple Store, na Quinta Avenida de Nova York, cujo cubo de vidro a transformou num dos ícones das concept stores (lojas-conceito) mais famosas do mundo.

O termo flagship pode ser traduzido como “nau capitânia”, aquele navio em que está o capitão e que dá as ordens para outras embarcações. “É uma espécie de nave-mãe, que traz a essência e a identidade da marca”, explica o consultor de varejo da Gouvêa de Souza & AGR Consultores, Jean Rebetez. Ali são lançados os produtos de destaque, e é onde se estabelece a comunicação com o consumidor e seus parceiros – franquias, revendas ou multimarcas. O investimento nessas megastores é alto porque elas são espaçosas, ficam em pontos comerciais privilegiados e têm projeto arquitetônico cuidadoso e atendimento de alto nível. “Elas carregam sortimento, estoque e um certo entretenimento”, diz Rebetez.

A renovação da lingerie 

A Hope Lingerie está investindo pesado na reestruturação de sua marca com lojas elegantes e espaçosas, na busca de um público mais exigente. A primeira flagship da fabricante, inaugurada na Rua Oscar Freire em 2012, com 200 metros quadrados, teve projeto visual do escritório parisiense DeuxL, responsável pelo design de interiores de Pucci, Givenchy e Louis Vuitton. Segundo o diretor de expansão da Hope, Sylvio Korytowski, estão sendo investidos aproximadamente R$ 2 milhões em quatro unidades dessa magnitude e padrão. Uma dessas concept stores foi concluída em agosto do ano passado no shopping paulistano Cidade Jardim; a outra foi o resultado da duplicação e transformação em flagship da loja já existente no Morumbi Shopping, com 90 metros quadrados. Duas outras estão previstas no Rio e em Brasília para este ano.

Fora o ponto comercial, cada unidade dessas consome R$ 500 mil em investimentos, informa Korytowski. Todas têm ou terão a mesma sofisticação, espaços amplos, atendimento personalizado e mobiliário confortável, tanto para as clientes como para as funcionárias encontrarem rapidamente a mercadoria. “O consumidor não aguenta mais a mesmice”, diz o executivo. “Ele quer experiência de compra, em ambiente e atendimento de primeira.”

Nova onda

A multinacional holandesa C&A bancou a popularização desse tipo de loja no Brasil há cinco anos e escolheu o Shopping Iguatemi para abrir seu espaço, de 100 metros quadrados. Sua escada circular com os pontos de LED nos degraus e um painel na parede exibindo vídeos inovaram na decoração. A empresa optou por parcerias com estilistas renomados (Stella McCartney, Roberto Cavalli, Natalie Klein) e tornou acessível à classe média as roupas de grife. A arquitetura e o design foram criados pela mesma consultoria de lojas da M&M’s, em Nova York, e da Barbie, em Xangai, China.

O mesmo pode-se dizer da loja-conceito Chilli Beans, com coleções de óculos e relógios para o público jovem e moderninho. A flagship, também nos Jardins, estimula o despojamento em seus 700 metros quadrados e 2,5 mil produtos expostos. A grife atua também em outros oito países e tem mais de 700 franqueados. O criador e presidente da empresa (cujo símbolo é uma pimenta), Caito Maia, diz que o ponto na Rua Oscar Freire exigiu investimentos de R$ 1 milhão e era um sonho antigo da empresa. “É um engano achar que por ser nos Jardins só atingimos um público de maior poder aquisitivo. Vimos que por ali passam diversos tipos de consumidores. Além disso, com a flagship atraímos franquias também no exterior”, diz.

Aposta no lúdico

Inspirada nos grandes varejistas de brinquedos europeus e norte-americanos, a Ri Happy abriu, em outubro, sua flagship store no Shopping Cidade São Paulo, no coração da Avenida Paulista. A concepção é única, observa a diretora de marketing da empresa, Flávia Drummond. “Trouxemos a experiência e tudo o que deu certo lá fora nesse tipo de varejo para o público infantil, mas com a cara do Brasil. Criamos um mundo lúdico para os pequenos.”

Com investimento de R$ 6 milhões em quase mil metros quadrados, as crianças experimentam o ambiente dedicado ao mundo Disney – produtos e personagens dos filmes Frozen, Hulk, Star Wars etc. –, e outro de 60 metros quadrados só de Lego e seus lançamentos, além de uma casa de bonecas, um trenzinho cenográfico com brinquedos em demonstração e ilustrações com diversos pontos turísticos da capital paulistana e da Estação da Luz.

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