Negócios

08/10/2018

Crise na Argentina deve dificultar a recuperação da economia brasileira

Exportações de automóveis ao país vizinho, terceiro maior parceiro comercial do Brasil, estão em queda em 2018

Crise na Argentina deve dificultar a recuperação da economia brasileira

Setor automotivo é responsável por mais da metade das exportações brasileiras à Argentina
(Arte/Tutu)

Enquanto o Brasil se recupera lentamente da recessão, a Argentina enfrenta uma forte crise econômica. No segundo trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) do país caiu 4%. O problema é que essa situação adversa na economia argentina não se restringe ao seu território.

O país vizinho é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, de acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), atrás apenas da China e dos Estados Unidos. De janeiro a agosto, o comércio exterior brasileiro com a Argentina somou US$ 19 bilhões, sendo US$ 11 bilhões provenientes de exportações, o que faz com que o Brasil tenha uma relação comercial superavitária com Buenos Aires.

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Além da incapacidade do governo argentino de investir no momento, as famílias estão mais apreensivas. O índice de confiança do consumidor argentino, organizado pela Universidade Torcuato di Tella, caiu 24% em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado. Segundo dados do Banco Central argentino, a taxa de juros para empréstimos pessoais passou dos 40% ao ano, em maio, para aproximadamente 60% ao ano, em setembro.

O setor automobilístico – veículos de passeio, de carga, tratores, motos, peças etc. – é responsável por mais da metade das exportações brasileiras à Argentina. Esse segmento é bastante dependente de crédito e confiança. Com o aumento dos juros e a economia encolhendo, empresários e consumidores ficam mais cautelosos, reduzindo o consumo e, consequentemente, o volume de importações.

O efeito negativo já pode ser observado. De janeiro a agosto, as exportações brasileiras de automóveis de passageiros e veículos de carga ao país vizinho caíram, respectivamente, 2,1% e 21%.

O impacto disso fica mais claro quando se percebe que a Argentina é responsável por 80% das exportações brasileiras de veículos de passageiros, segundo o MDIC. Além disso, dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apontam que 25% da produção de veículos brasileira é destinada à exportação. Desse modo, é possível afirmar que cerca de 20% da produção nacional está ligada ao país vizinho.

Portanto, a crise na Argentina tende a impactar de forma mais expressiva o setor automotivo. Contudo, outros produtos, como minério de ferro, soja, calçados e medicamentos, também estão suscetíveis ao cenário de retração econômica. A recessão argentina, dessa maneira, deve dificultar o processo de recuperação da economia brasileira.