Economia

07/03/2018

Custo de vida na região metropolitana de São Paulo tem alta de 0,05% em janeiro, a menor variação desde junho de 2017

De acordo com a FecomercioSP, a atividade de transportes voltou a puxar a elevação do custo de vida, com variação positiva de 0,77% no mês

Custo de vida na região metropolitana de São Paulo tem alta de 0,05% em janeiro, a menor variação desde junho de 2017

O desempenho dos preços em janeiro sugere um momento bastante similar ao do ano passado, o que favorece a manutenção do poder de compra por parte das famílias
(Arte: TUTU)

O custo de vida na região metropolitana de São Paulo teve uma discreta elevação de 0,05% no mês de janeiro deste ano, ante a alta de 0,75% registrada em dezembro de 2017. Em janeiro do ano passado o aumento havia sido de 0,25%. Essa é a menor variação desde junho de 2017, quando o custo de vida recuou 0,32%. Nos últimos 12 meses, a alta do indicador foi de 3,62%. No mesmo período do ano passado, a alta observada era de 5,85%.

Os dados são da pesquisa Custo de Vida por Classe Social (CVCS), realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

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Três dos nove grupos que compõem o CVCS assinalaram variações negativas no primeiro mês do ano: habitação (-0,81%); artigos do lar, (-0,12%); e vestuário (-1,47%). Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, isso significa que houve uma dispersão de quedas no indicador, tendo em vista que em dezembro apenas um segmento havia recuado. A soma das ponderações desses grupos, todavia, não ultrapassa 30%, porém, o comportamento já favorece em muito a manutenção do custo de vida em patamares mais moderados.

A atividade dos transportes voltou a puxar a alta do custo de vida, com variação positiva de 0,77% no mês. No acumulado dos últimos 12 meses, houve uma elevação de 5%. Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, parte desse comportamento pode ser atribuída ao reajuste nas tarifas públicas, ocorrido no início de janeiro.

Com elevação de 0,50%, o segmento de saúde e cuidados pessoais exerceu a segunda maior influência de alta no custo de vida em janeiro. No acumulado entre fevereiro de 2017 e janeiro de 2018, verificou-se elevação de 6,76%, a alta mais contundente entre todos os segmentos. O grupo de alimentos e bebidas veio na terceira posição, com alta de 0,21%.

A pesquisa revela que as classes A e D foram as que mais sentiram o aumento dos preços no primeiro mês do ano, com altas de 0,08% e 0,07%, respectivamente. A classe de renda E foi a que menos sentiu as pressões nos preços, no primeiro mês do ano, mantendo-se praticamente estável no contraponto com dezembro de 2017, com variação de 0,01%.

IPV
O Índice de Preços no Varejo (IPV) apresentou uma desaceleração em janeiro, com variação de 0,38%, diante da alta de 0,68% constatada em dezembro do ano passado. Dois dos oito grupos que integram o IPV registraram variação negativa: artigos de residência (-0,15%) e vestuário (-1,47%). No último mês do ano passado, somente um segmento havia apontado recuo em suas variações – despesas pessoais, com queda de 0,28%.

O grupo de transportes foi responsável pela principal contribuição de alta no indicador em janeiro, em detrimento da alta nos preços dos combustíveis (2,49%), sendo 3,6% para o etanol, 2,72% para a gasolina e 0,87% para o óleo diesel. A Entidade destaca que o período é de entressafra da cana-de-açúcar – que reduz o volume disponível de etanol no mercado –, e a gasolina passou por um novo reajuste por parte da Petrobras. Nos primeiros dias de fevereiro, entretanto, verificou-se um recuo, mesmo que discreto, nos preços da gasolina na bomba.

A segunda pressão mais incisiva no IPV de janeiro foi do grupo de alimentação e bebidas. A alta destes produtos em janeiro foi, em média, de 0,65%. Em 12 meses, todavia, os preços desse segmento acumularam queda de 1,67%. Vale ressaltar que as dez maiores altas do IPV no mês são de alimentos: tangerina (5,04%), mamão (7,95%), banana-prata (8,32%), batata-inglesa (8,33%), couve (8,94%), alface (9,52%), cenoura (9,55%), repolho (12,50%), laranja-pera (13,95%) e tomate (43,42%).

As classes A e D também foram as mais prejudicadas pelos aumentos de preços dos produtos em janeiro, encerrando o primeiro mês do ano com variação positiva de 0,41% e 0,46%, respectivamente.

IPS
O Índice de Preços de Serviços (IPS) registrou variação negativa de 0,29% em janeiro, ante o 0,82% apurado em dezembro. No acumulado dos últimos 12 meses disponíveis, o IPS atingiu 5,2% de alta. No mesmo período do ano passado, a variação acumulada ultrapassava 6%.

Quatro dos nove segmentos que compõem o IPS apresentaram variação negativa em seus preços médios em janeiro. Foram eles: alimentação e bebidas (-0,46%), habitação (-1,1%), transportes (-0,04%) e despesas pessoais (-0,05%). Contudo, educação e comunicação se mantiveram estáveis no contraponto com dezembro, com variação nula.

A única pressão notada no indicador foi do grupo saúde e cuidados pessoais, cuja alta em janeiro foi de 0,82%. Na apuração dos últimos 12 meses, esse segmento acumulou a maior alta entre todos, com 10,73%. Os itens que mais se elevaram no mês foram: psicólogo (1,4%), hospitalização e cirurgia (0,66%), médico (0,36%), exame de imagem (0,05%) e plano de saúde (1,07%).

As maiores quedas de preços no mês foram dos serviços de refeição (fora do domicílio) (-0,90%); pintura de veículo (-0,94%); conserto de máquina de lavar roupa (-0,98%); refrigerante e água mineral (-1,12%); tratamento de animais (-1,25%); clube (-1,9%); conserto de automóvel (-2,43%); locação de DVD (-2,58%); passagem aérea (-5,48%); e energia elétrica residencial (-5,57%).

As famílias das classes A e B foram as que menos se beneficiaram dos recuos nos preços dos serviços, muito embora ainda registrem variação negativa, sendo elas -0,21% e -0,16%, respectivamente.

Segundo a assessoria econômica da FecomercioSP, o desempenho dos preços em janeiro, conforme relevado pelo CVCS, sugere um momento bastante similar ao do ano passado, o que favorece a manutenção do poder de compra por parte das famílias. A Entidade destaca ainda que, em fevereiro, o segmento de educação deve sentir alguma pressão de alta de preços, em virtude do reajuste nas matrículas e aquisição de material escolar.

Os alimentos, entretanto, que chegam a comprometer um quarto do orçamento familiar, devem ainda sofrer com variações climáticas no primeiro trimestre do ano. De qualquer forma, esses movimentos todos têm origem na sazonalidade específica da produção agrícola e não devem perdurar o ano todo, normalizando no fim do primeiro trimestre.