Negócios

24/02/2016

Diálogo com fornecedores é estratégia para suprir demanda provocada por “Aedes aegypti”

Desafio do varejista é dimensionar estoque para não ficar no prejuízo

Diálogo com fornecedores é estratégia para suprir demanda provocada por “Aedes aegypti”

Procura por repelentes em 2015 deu um salto de 33% em relação a 2014, contabilizando 14,8 milhões de unidades. 
(Arte/TUTU)

Por Camila Garcia

No País mais afetado mundialmente pelas doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, em especial pelas epidemias de dengue e do zika vírus, o cenário é desafiador para o comércio de repelentes e mosquiteiros infantis. Segundo levantamento da Nielsen Company, a procura por repelentes em 2015 deu um salto de 33% em relação a 2014, contabilizando 14,8 milhões de unidades. No período, o item movimentou R$ 217,4 milhões.

A rede Raia Drogasil também sentiu o impacto da demanda. Em janeiro de 2016, a venda em unidades foi cinco vezes maior do que no mesmo período de 2015. Para atender a necessidade dos clientes, o grupo varejista prioriza diálogos frequentes com seus fornecedores e investe no melhor prazo de entrega para manter a loja abastecida.

Entre novembro de 2015 e janeiro deste ano, a rede de produtos de puericultura Alô Bebê registrou incremento de 60% nas vendas dos mosquiteiros para berços e carrinhos de bebê. “Começamos a preparar nossos estoques para o aumento da procura antes mesmo do início do verão. Com o surto da doença, nossa cautela foi ainda maior: adquirimos maior quantidade dos produtos e acertamos entregas mais ágeis com os fornecedores”, explica o diretor de marketing da rede, que possui lojas nas regiões Sudeste, Sul, e Centro-Oeste do País, Milton Bueno.

A caça ao repelente é nacional. Farmácias do Distrito Federal, em Brasília, lucraram alto com o mosquito. O setor, que amargava prejuízo desde o ano passado, registrou crescimento nas vendas de até 200% no mês, aponta o Sindicato dos Farmacêuticos de Brasília (Sindifar-DF).

Para a assessoria técnica da FecomercioSP, o grande desafio do varejista é dimensionar o estoque. Apesar das pesquisas apontarem para o aumento do surto da doença, é preciso levar em conta a chegada das estações mais frias, que contribuem para a diminuição da proliferação do mosquito e, consequentemente, da procura pelo produto.

A dica é se manter informado, pois grande parte da população brasileira é pautada pelo o que é transmitido na TV, ou seja, se os noticiários continuarem a mostrar novos dados e informações sobre a doença, as pessoas seguirão buscando as mercadorias. O mais importante é comprar com cautela e não deixar estoques parados para evitar prejuízos.

A assessoria também ressalta a importância de deixar os produtos visíveis na loja e em locais estratégicos, como nos caixas. Vale também produzir banners informativos com dicas de prevenção. É interessante lembrar que não são apenas as grávidas que estão mais expostas aos perigos do mosquito, mas também quem trabalha na rua, por exemplo. 

Oportunidade de negócio

Há cerca de um ano, o blog da loja virtual Casa de Valentina publicou matéria sobre o mosquiteiro e sua eficiência contra picadas de mosquitos. De lá para cá, o e-commerce, que atua no segmento de decoração e não possui o produto em sua lista de itens oferecidos, passou a receber ligações de clientes interessados em adquirir a mercadoria. A demanda ficou ainda maior a partir de novembro de 2015, quando o surto da zíka cresceu. 

“Notamos a oportunidade de negócio e estamos em contato com fornecedores nacionais e importados. Nosso plano é que em 30 dias já tenhamos o produto disponível para venda”, explica a sócia da loja, Lucila Zahran Turqueto. 

Além dos fatores proteção, segurança e qualidade, Lucila busca algo a mais para seu empreendimento: exclusividade. “A loja atua com produtos diferenciados e pouco tradicionais. A oferta será de mosquiteiro indiano, que pode ser utilizado tanto por crianças quanto por adultos e deverá custar, no máximo, R$ 600”, conta. A expectativa da Casa de Valentina é vender cinco unidades por dia.