Economia

14/04/2016

“Em um país latino, a autonomia traz variações na qualidade dos professores, o que não é muito bom”, diz estudioso de Stanford

Martin Carnoy propõe nova abordagem em relação à formação docente e aos currículos escolares

“Em um país latino, a autonomia traz variações na qualidade dos professores, o que não é muito bom”, diz estudioso de Stanford

“Alguns estados estão atentos ao que acontece dentro das escolas e treinam profissionais para fazerem boas intervenções, como acontece no Ceará", diz Martin Carnoy.
(YouTube/FecomercioSP)

Controle rigoroso do sistema de ensino por parte do Estado. Para o professor da Universidade de Stanford, Martin Carnoy, essa é a chave para alavancar a qualidade da educação. Embora seja comum na área educacional a ideia de dar aos professores liberdade para serem criativos em sala de aula, a regra funciona em um sistema onde os docentes são altamente treinados, o que não ocorre no Brasil.

“Em um país latino-americano, a autonomia vem acompanhada de variações na qualidade dos professores, o que não é muito bom, pois muitas vezes eles fazem o que querem”, diz Carnoy.

O estudioso acredita que os professores devem ser preparados para serem ótimos docentes e que o Estado precisa capacitá-los antes de irem para a sala de aula: “Não se pode deixar que as universidades ditem regras sobre como preparar estes profissionais.”

Durante bate-papo à plataforma UM BRASIL, Carnoy disse que adicionar bônus e incentivos ao salário do professor pode surtir efeito na produtividade. Mas lembra que, por exemplo, em Cuba, a realidade é outra: “As pessoas não escolhem suas profissões com base no sálario, mas sim pelo que gostam de fazer e são bons.”

Há no Brasil uma grande discussão sobre uma base curricular comum. Para ele, a medida é boa, porém de difícil monitoramento em relação ao cumprimento das normas. “Uma das variáveis mais importantes para determinar resultados de um aluno é saber quanto da base o professor ensinou. Priorizar essa prática é parte fundamental para obter os efeitos esperados.”

Segundo ele, houve progresso na educação brasileira. “Alguns estados estão atentos ao que acontece dentro das escolas e treinam profissionais para fazerem boas intervenções, como acontece no Ceará.” 

Carnoy também é economista e presta consultoria para organismos internacionais como Unesco, Banco Mundial e OCDE, e se especializou na análise comparativa de sistemas educacionais.

Veja abaixo a entrevista na íntegra.

 
 

Sobre a série “Inovando o Setor Público Brasileiro”

A entrevista, conduzida pela jornalista Maria Cristina Poli, foi gravada durante o Lemann Dialogue, conferência que reúne alunos bolsistas da Fundação Lemann das Universidades de Columbia, Harvard, Illinois e Stanford. O tema desta quinta edição foi “Inovando o Setor Público Brasileiro”.

 O conteúdo integra a plataforma UM BRASIL, idealizada pela FecomercioSP, que nesta série conta com a parceria do Columbia Global Centers no Rio de Janeiro e do Lemann Center for Brazilian Studies da Universidade de Columbia.

As gravações aconteceram em Nova York entre os dias 16 e 20 de novembro de 2015. 

Clique aqui e veja a entrevista com o economista Rodrigo Soares.

Clique aqui e veja a entrevista com o diretor da SPTrans, Ciro Biderman.

Clique aqui e veja a entrevista com a diretora de educação do Banco Mundial, Claudia Costin.

Clique aqui e veja a entrevista com o diretor do Lemann Institute for Brazilian Studies da Universidade de Illinois, Jerry Dávila.

Clique aqui e veja a entrevista Mary Paula Arends-Kuenning, professora associada da Universidade de Illinois.

Clique aqui e veja a entrevista com  Rohit T. “Rit” Aggarwala, professor da Universidade Columbia.

Clique aqui e veja a entrevista com Alexis Wichowski, gestora de pesquisas no Instituto Harmony e professora na School of International and Public Affairs (SIPA) da Universidade de Columbia.

Clique aqui e veja a entrevista com com William Eimicke, professor da Universidade de Columbia.

Clique aqui e veja a programação das próximas entrevistas.