Economia

06/07/2018

Estrutura que produziu a riqueza no Brasil foi formada pelo pequeno empreendedor, diz Jorge Caldeira

Escritor e jornalista faz um novo retrato do passado econômico brasileiro em entrevista ao UM BRASIL

Estrutura que produziu a riqueza no Brasil foi formada pelo pequeno empreendedor, diz Jorge Caldeira

Especialista diz que, no período colonial, o País tinha uma economia quase do mesmo tamanho que a dos Estados Unidos
(Foto: Christian Parente)

O Brasil é reconhecido atualmente por ser um país empreendedor, mas uma nova análise da história mostra que essa característica sempre existiu. Na leitura feita pelo jornalista e escritor Jorge Caldeira ao UM BRASIL, ele nega que a formação da riqueza do País se concentrava no latifúndio escravista e na exploração de produtos de exportação.

"A produção brasileira, ao contrário do que imaginava o modelo clássico, foi feita por pequenos empreendedores. A estrutura básica que produziu a riqueza no Brasil foi formada pelo pequeno empreendedor individual, autônomo, grupo quase familiar”, explica.

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Na conversa com Thais Herédia, Caldeira explica que a riqueza colonial foi produzida dentro do Brasil, formada por uma pequena produção de mercado interno que gerava muito valor. Por volta de 1800, a sociedade brasileira tinha aproximadamente 4 milhões de pessoas e cerca de 550 mil unidades produtivas basicamente familiares.

O País tinha uma economia quase do mesmo tamanho que a dos Estados Unidos – na época, com exportação, índice populacional e mercado interno parecidos com o americano. “O Brasil foi a primeira sociedade do planeta formada por gente vinda de muitos lugares para fazer uma coisa própria, por isso, uma sociedade muito empreendedora”, afirma.

O novo olhar é resultado de pesquisas elaboradas com o uso de novas ferramentas, como a antropologia e a econometria. O autor de História da riqueza no Brasil — cinco séculos de pessoas, costumes e governos (ed. Estação Brasil) imprime na obra um retrato diferente do que era estudado até o momento. “O que esses novos instrumentos de medida permitiram identificar é outro tipo de história econômica”, diz.

Confira a entrevista na íntegra: