Economia

04/09/2018

Faturamento do varejo paulista sobe, mas setor pode ser afetado pela tendência de alta do dólar e seus efeitos sobre a inflação

FecomercioSP recomenda que setor tome cuidado com a possível diminuição do poder de compra dos consumidores no segundo semestre de 2018

Faturamento do varejo paulista sobe, mas setor pode ser afetado pela tendência de alta do dólar e seus efeitos sobre a inflação

Mesmo após faturar R$ 53,6 bilhões em junho, varejo paulista deve aplicar medidas cautelosas no segundo semestre de 2018 para continuar a crescer
(Arte: TUTU)

As vendas do varejo no Estado de São Paulo podem ser afetadas pela tendência de alta do dólar, que eleva a inflação e diminui o poder de compra dos consumidores. O aumento imediato nos preços dos itens importados tem como pano de fundo o cenário eleitoral. Isso porque os investidores, principalmente os estrangeiros, ficam inseguros quanto às políticas econômicas do próximo governo e deixam de investir na economia brasileira.

Entre as saídas apresentadas pela assessoria econômica da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) ao varejo estão o gerenciamento cauteloso do capital de giro (ativo circulante da empresa para arcar com as despesas e os custos fixos e variáveis), o não endividamento e muito cuidado com dos estoques elevados. As medidas devem ser aplicadas no segundo semestre de 2018 para que o varejo continue com os resultados positivos, como tem apresentado neste ano.

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No primeiro semestre, a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista no Estado de São Paulo (PCCV) mostrou que a variação acumulada nas vendas do setor no Estado foi de 5,7%, o que representa um faturamento R$ 17,3 bilhões superior ao obtido no período de janeiro a junho do ano passado.

Somente em junho de 2018, o faturamento real foi de R$ 53,6 bilhões, crescimento de 3,5% em comparação ao mesmo mês do ano passado. Considerando a série histórica a partir de 2008, foi o segundo maior resultado do varejo paulista para um mês de junho e o maior desde 2013.

Das nove atividades pesquisadas, sete apontaram aumento em seu faturamento real no mês, sendo elas: eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos (10,5%); lojas de móveis e decoração (9,5%); materiais de construção (8,6%); outras atividades (6,1%); lojas de vestuário, tecidos e calçados (4,9%); supermercados (2,1%); e farmácias e perfumarias (1,5%). Essas altas contribuíram para o resultado geral, com 3,9 pontos porcentuais. O único grupo a sofrer retração foi o de concessionárias de veículos (-3,9%), enquanto autopeças e acessórios manteve estabilidade (0%).

Regiões
O comércio varejista da região de Campinas foi o destaque positivo em junho ao faturar R$ 5,07 bilhões, crescimento de 10,2% em relação a junho de 2017 e o maior volume para o mês desde 2014. No acumulado do ano, a variação foi similar (10,4%), o que significa um aumento de R$ 2,74 bilhões no primeiro semestre.

O setor que mais influenciou o resultado foi o de eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos. Na sequência, vieram os setores de outras atividades e supermercados. O primeiro é composto por vendas de combustíveis para veículos, materiais esportivos e joalherias e registrou crescimento de 5,4%, enquanto o segundo apontou alta de 3,4%.

O comércio varejista da região de Guarulhos obteve o segundo melhor desempenho regional da PCCV ao contabilizar faturamento real de R$ 3,1 bilhões, o maior para o mês desde junho de 2013. No acumulado do semestre, a elevação foi de 8,7%, o que representa R$ 1,5 bilhão a mais no comércio no período. O setor que continua impulsionando o crescimento na região é o de vestuário, tecidos e calçados, cujo faturamento avançou 54,6% no contraponto anual.

Em junho, apenas o varejo na região de Presidente Prudente, no interior paulista, apresentou queda nas vendas. No mês, o faturamento atingiu R$ 745,1 milhões, ligeiro recuo de 0,5% na comparação anual. No acumulado do primeiro semestre, no entanto, as vendas cresceram 3,6%, o que representa um incremento de R$ 159 milhões no período para o varejo na região.

O setor de móveis e decoração foi o que registrou a maior queda em junho (-23,9%), em comparação ao mesmo período de 2017.

O comércio varejista na região de Araçatuba registrou em junho aumento nas vendas de 1% em relação ao mesmo período do ano passado, mas, apesar do resultado positivo, foi a segunda pior variação da pesquisa da FecomercioSP no mês. O faturamento real foi de R$ 810,9 milhões.. O destaque positivo foi o setor de farmácias e perfumarias, com elevação de 10,6% nas vendas no contraponto anual.

Capital paulista
As vendas do varejo em junho na capital paulista apontaram um crescimento de 1,2% em relação ao mesmo período do ano passado ao atingir R$ 16,5 bilhões. Entre janeiro e junho, as receitas avançaram 4,3%, o que representa um incremento de R$ 4,2 bilhões em comparação ao mesmo período do ano passado.

Houve crescimento nas vendas de sete atividades no mês de junho: lojas de móveis e decoração (8,4%); materiais de construção (4,2%); outras atividades (4%); lojas de vestuário, tecidos e calçados (3,6%); autopeças e acessórios (2,1%); supermercados (2,1%); e eletrodomésticos, eletrônicos e lojas de departamentos (0,5%). No sentido inverso, as quedas foram observadas nas seguintes atividades: concessionárias de veículos (-5,3%) e farmácias e perfumarias (-0,4%).