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05/05/2015

Maioria das escolas paulistas não oferece a disciplina Educação Digital

Pesquisa inédita da FecomercioSP aponta que 95,6% das instituições de ensino não possuem a disciplina Educação Digital, 83% não sabem o que é o Marco Civil da Internet e 65,9% não pretendem incluí-la na grade curricular apesar da exigência da lei

Maioria das escolas paulistas não oferece a disciplina Educação Digital

A maioria das escolas (95,6%) do Estado de São Paulo não possui a disciplina Educação Digital em suas grades curriculares. Apenas 4,75% das escolas privadas adotaram a disciplina que o artigo 26 do Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) exige ser incluída no sistema educacional brasileiro.

Entre as escolas públicas, a porcentagem cai para apenas 1% - 83% das instituições de ensino não sabem o que é o Marco Civil da Internet e 54,12%, da obrigatoriedade da lei que inclui o tema nas escolas. Além disso, 65,9% das instituições afirmaram que não há a intenção de incluir a nova disciplina na grade curricular.

Esses são alguns dos dados da primeira edição da pesquisa Educação Digital nas Escolas Brasileiras, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), que será apresentada no I Congresso Nacional de Educação Digital, promovido pelo Conselho de Tecnologia da Informação da Entidade, que acontecerá no dia 5 de maio, na sede da Federação.

Realizada entre fevereiro e abril, o questionário, composto por 14 perguntas, entrevistou 400 donos e diretores de escolas públicas e privadas, de ensinos fundamental e médio do Estado de São Paulo, buscando obter uma fotografia atual sobre o nível do preparo dos dirigentes das escolas com relação ao uso de mídias sociais pelos alunos, os níveis de alerta e de conhecimento dos dirigentes sobre cyberbullying e se existem escolas que já incorporaram em sua grade curricular a disciplina Educação Digital.

Relevância
Com relação à relevância do tema "Educação e cidadania digital", ou seja, ao preparo do aluno para a era digital mediante ensino de direitos e deveres, de uso adequado das tecnologias e de segurança da informação e privacidade, 99,4% dos entrevistados admitem sua importância - 95,2% das escolas afirmam discutir conceitos básicos de segurança, ética e responsabilidade no uso da internet com os alunos antes de introduzir noções de informática.

Responsabilidade
No geral, a maior parte dos dirigentes (68%) considera que a responsabilidade pelo que os alunos fazem na internet e em seus próprios dispositivos móveis dentro da escola é de pais, escolas e professores: 12,2% creditam a responsabilidade à escola; 9,6% aos pais; 8,4% aos professores; 1% não permite o uso na escola; e 0,8% não sabe ou não respondeu.

Entre as escolas públicas, 56% afirmam que a responsabilidade é de pais, escolas e professores: 17% creditam a responsabilidade aos pais; 11% aos professores; 7% à escola; 5% não permitem o uso na escola; e 4% não sabem ou não responderam.

Nas escolas privadas, 71% afirmam que a responsabilidade é de pais, escolas e professores: 7,75% creditam a responsabilidade aos pais; 7,75% aos professores; 13,5% à escola; 0% não permite o uso na escola; e 0% não sabe ou não respondeu. É notório o maior uso dos meios digitais e o compartilhamento da responsabilidade pelas ações dos alunos nas escolas privadas.

Interação
A pesquisa identificou que 77,8% dos entrevistados informaram permitir que professores sejam amigos virtuais de seus alunos em redes sociais e grupos de WhatsApp. O porcentual é maior entre as escolas públicas: 82% contra 76,75% nas particulares. Sobre a estipulação de regras claras sobre essa relação virtual, 72,64% das escolas privadas disseram possuir. Nas escolas públicas, o índice cai para 36,59%.

Planejamento de crise
Dos dirigentes, 71,8% informaram estar preparados para resolver os conflitos dos alunos ocorridos no ambiente virtual. O porcentual que afirmou que a instituição de ensino possui um planejamento de procedimentos a serem adotados na ocorrência de conflitos ou incidentes digitais envolvendo seus alunos, como cyberbullying e sexting, ficou em 64,2%.

Conscientização
Sobre a promoção de palestras, workshops, cartilhas ou outras iniciativas com os pais dos alunos sobre o uso ético e seguro da internet por toda a família, 43,2% das instituições afirmaram não realizar. Esse porcentual é maior nas escolas públicas: 69%. Entre as escolas privadas, 29,25% afirmaram realizar, mas não regularmente.

A programação completa está disponível aqui.

Serviço:
I Congresso Nacional de Educação Digital
Data: 5 de maio
Horário: 9h às 19h
Local: FecomercioSP - Rua Dr. Plínio Barreto, 285 - Bela Vista