Negócios

03/03/2016

Mercado de entretenimento para cruzeiros cresce sem parar

Demanda do turismo internacional turbina os negócios no segmento e companhias apresentam crescimento de até 30%

Mercado de entretenimento para cruzeiros cresce sem parar

Cenário favorável tem motivado empreendedores a investir na área
(Arte TUTU)

Por Deisy de Assis

Empreendedores interessados em investir na área de entretenimento para viagens turísticas em alto-mar têm boas notícias. Empresas que apostaram no negócio constatam o alto potencial do setor e chegam a registrar até 30% de aumento na demanda das companhias de cruzeiros. O segmento ignora a crise econômica brasileira porque se apoia no turismo internacional.

Esse crescimento foi observado, por exemplo, pela Infinity Brazil, com dez anos de mercado e foco no entretenimento recreativo. Entre as especialidades da companhia, estão as atividades em piscinas, aulas de dança e dinâmicas coreografadas, brincadeiras com karaokê, bingos e outros jogos.

“Constatamos alta de 30% na procura pelos serviços nos dois primeiros meses deste ano, comparado ao que registramos no mesmo período de 2015”, argumenta o gerente de recrutamento, Marcelo Del Bel.

Segundo ele, o mercado de entretenimento não apenas se expandiu, mas também se profissionalizou. “Esse movimento foi provocado pelo amadurecimento das companhias de cruzeiros, que se tornaram mais seletivas. Tudo isso resulta em oportunidade de negócios e de carreira.”

Paixão empreendedora

Ao identificar tal cenário favorável, durante um contrato de seis meses como baixista em um cruzeiro, o administrador de empresa Filippo Principe aliou o espírito empreendedor com o gosto pela música e decidiu ingressar no setor.

Sua empresa, a Summer Factory, está no mercado há menos de dois anos e já mostra bons resultados atuando com bandas musicais, dançarinos e mágicos. “Entre novembro de 2015 e fevereiro deste ano, a procura pelos nossos serviços cresceu 15%, comparando o mesmo período de 2014.”

Principe – que começou sozinho, somente com os recursos financeiros que ganhou com seu primeiro trabalho em um cruzeiro e hoje emprega 28 artistas –, ressalta a importância de escolher a melhor estratégia. “É preciso identificar o que é mais demandado e procurar profissionais qualificados.”

Crescimento e sofisticação

Diretor comercial e de marketing da MSC Cruzeiros, Adrian Ursilli comenta que a corporação prioriza a constante expansão da frota e dos investimentos em entretenimento, quesito que é considerado crucial para o sucesso de um cruzeiro e explica o crescimento das empresas da área.

“Os navios são como cidades flutuantes e as pessoas querem atrações”, frisa Ursilli, que ainda menciona a necessidade de diversão de qualidade e de espetáculos luxuosos de teatro, dança e música para as noites em alto-mar.

Para se ter uma ideia da importância que as companhias têm dado à arte, a MSC firmou  parceria com o Cirque Du Soleil para 2017, com previsão de espaço exclusivo para as apresentações da trupe.

“A tendência é que a demanda cresça ainda mais com o aumento da nossa frota nos próximos anos, o que certamente abrirá oportunidades para quem atua na área do entretenimento para cruzeiros”, diz Ursilli.

O potencial dos brasileiros

No Brasil não tem havido investimento de companhias de cruzeiros. A ausência de recursos está intrinsecamente ligada às faltas de infraestrutura portuária e hoteleira para as demandas específicas como as dos navios. Todavia, o artista brasileiro ganha cada vez mais espaço.

“Ele é muito valorizado por sua versatilidade, agrada com os ritmos nacionais que encantam os estrangeiros, mas dominam outras danças e músicas”, argumenta Principe.

Na opinião de Ursilli, os profissionais brasileiros ganham pontos por ser considerados calorosos e simpáticos. “Além disso, esses artistas têm se capacitado com aperfeiçoamento profissional e estudo de idiomas.”