Economia

10/03/2016

“O imigrante dinamiza a economia”, diz diretor do Lemann Institute for Brazilian Studies

Jerry Dávila fala sobre a política de cotas raciais e afirma que ações afirmativas brasileiras têm muito a ensinar à sociedade norte-americana

“O imigrante dinamiza a economia”, diz diretor do Lemann Institute for Brazilian Studies

"Com uma população que envelhece gradativamente, o advento de novos imigrantes cria um “boom” demográfico que alimenta a economia e fortalece instituições", diz Jerry Dávila.
(Arte/TUTU)

O diretor do Lemann Institute for Brazilian Studies da Universidade de Illinois, Jerry Dávila, afirma que há uma percepção de que o imigrante tira o emprego da população nativa de um país. Entretanto, o que acontece é o contrário, pois a chegada de pessoas novas e de outras culturas é um fator aditivo. Durante entrevista realizada pela plataforma UM BRASIL, o historiador analisa a política de cotas raciais e diz que a América Latina vive o momento mais democrático da história.

Jerry aponta que a migração é um processo que acompanha a trajetória humana. Com uma população que envelhece gradativamente, o advento de novos imigrantes cria um “boom” demográfico que alimenta a economia e fortalece instituições. “Para qualquer país, a migração é um bem concreto, aumenta a mão de obra e as capacidades de trabalho, de interpretação e colaboração”, explica.

Atualmente, o que se vê é uma preocupação em relação às pessoas recém-chegadas e uma ansiedade, por parte da população majoritária, de que a sua cultura seja ameaçada. Nos Estados Unidos, por exemplo, há uma expressão forte, pública e política, de xenofobia, o que gera reflexos na sociedade, especialmente em comunidades latinas do país.

Ao comparar as realidades do Brasil e dos Estados Unidos, a experiência brasileira tem muito a ensinar à sociedade americana. “O sistema de cotas nos EUA está sendo demolido por ação do Supremo Tribunal Federal, que se posiciona cada vez mais contra a aceitação de medidas que levem em conta raça, cor e idade no processo seletivo das universidades. A cota é um instrumento para a inclusão e dá oportunidade para os menos favorecidos”, analisa.

Para Dávila, programas como ProUni e Reuni, ambos promovidos pelo Ministério da Educação, ampliam o acesso e o crescimento das universidades públicas e privadas. “São oportunidades que trazem aos jovens a expectativa de que o ensino superior também fará parte da vida deles e de seus filhos. Em grande parte, os estudantes cotistas são os que mais se empenham, pois foi uma luta chegar onde estão”, diz.

O diretor ressalta que os últimos 25 anos trouxeram ganhos reais para quase todos os países da América Latina em termos de cidadania e respeito às diferenças em sociedade. Elogia também a Constituição brasileira. “Ela é altamente moderna, sofisticada e tem em seu DNA uma preocupação com os direitos humanos. Mas o acesso a esses direitos é ainda o grande desafio da sociedade brasileira.”

Clique aqui e veja a entrevista completa.

Sobre a série “Inovando o Setor Público Brasileiro”

A entrevista, conduzida pela jornalista Maria Cristina Poli, foi gravada durante o Lemann Dialogue, uma conferência que reúne alunos bolsistas da Fundação Lemann das Universidades de Columbia, Harvard, Illinois e Stanford. O tema desta quinta edição foi “Inovando o Setor Público Brasileiro”.

O conteúdo integra a plataforma UM BRASIL, idealizada pela FecomercioSP, que nesta série conta com a parceria do Columbia Global Centers no Rio de Janeiro e do Lemann Center for Brazilian Studies da Universidade Columbia.

As gravações aconteceram em Nova York, entre os dias 16 e 20 de novembro.

Clique aqui e veja a entrevista com o economista Rodrigo Soares.

Clique aqui e veja a entrevista com o diretor da SPTrans, Ciro Biderman.

Clique aqui e veja a entrevista com a diretora de educação do Banco Mundial, Claudia Costin.

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