Negócios

22/06/2016

Para executivo do atacarejo, crise econômica é oportunidade

Segundo o presidente do Atacadão, 2016 será de contínuo crescimento para a operação da empresa no Brasil

Para executivo do atacarejo, crise econômica é oportunidade

"O pós-crise será tão bom para nós quanto em outras oportunidades", diz Müssinch
(Foto: Débora Klempous)

Há 16 anos o gaúcho Roberto Müssinch está à frente do Atacadão, o maior negócio em número de lojas e faturamento do atacarejo (atacado e varejo) brasileiro. Ele não só resistiu às mudanças de governos e crises econômicas, como também aos franceses do Grupo Carrefour, que arremataram em 2007 o negócio que comanda. 

Experiente, Müssinch não se deixa abater pelo ano ruim. "Vejo o copo meio cheio", garante. Para ele, 2016 será de contínuo crescimento para a operação do Atacadão no Brasil. Aliás, sua bandeira é hoje o negócio mais representativo do Carrefour no País, que registrou receita bruta de R$ 42,7 bilhões no ano passado, um salto de quase 13% – boa parte dele atribuído ao seu atacarejo, que, em momentos de crise, torna-se uma solução, não somente para as classes mais baixas. 

O Carrefour cresceu acima da média do setor supermercadista em 2015, ampliando sua vantagem sobre o Grupo Pão de Açúcar, dono do concorrente Assaí. O Atacadão é o maior negócio do Carrefour no Brasil?

Nosso modelo é um dos que mais cresce atualmente pelas vantagens que oferece. Sua eficiência está nos custos de distribuição mais baixos e na inexistência de alguns conceitos de hipermercado, como a verba de marketing. E essa nossa eficiência é repassada aos preços. O Grupo Carrefour investe principalmente nas lojas menores de bairro e no Atacadão, que são as duas vertentes de crescimento. Em 2015, 12 lojas do Atacadão foram abertas. Em 2016, abriremos mais 12. Quando o Carrefour comprou a empresa, em 2007, o Atacadão tinha 34 lojas. Hoje, são 124 lojas de autosserviço, 22 atacados de entrega e uma unidade do Supeco (atacarejo de proximidade instalado em terrenos menores e próximo aos bairros). Desde então, crescemos dois dígitos, ano após ano. 

Como vocês enxergam a crise e como ela os afeta?

Quando as pessoas esperam a crise, o pior ocorre muito antes de ela chegar e tem gente que corre para fechar a casa e economizar de todos os lados, esperando o mau momento. O atacarejo, por sua vez, é uma solução. Por isso, crescemos independentemente da crise. É claro que nas crises as pessoas procuram preços menores e percebem que é possível despender menos dinheiro em uma loja que pode ter menos serviço, mas que é limpa, organizada, eficiente e com gente feliz. Assim, você o fideliza. 

Então a crise foi boa para o Atacadão?

A crise que leva as pessoas a buscar novas soluções, sim. Explicando: na história da humanidade, todas as crises foram saudáveis, porque as grandes soluções saem das crises. Há oportunidades e, nesta crise, as pessoas descobriram a beleza do nosso modelo que já existe há 54 anos e as nossas lojas andam mais movimentadas. 

E quando a crise passar, como ficará o Atacadão?

O pós-crise será tão bom para nós quanto em outras oportunidades. Mais de 100 milhões de pessoas passam pelas nossas lojas por ano. Registramos aumento ano após ano e, desde a entrada do Carrefour, nossos números aumentam mais de dois dígitos. 

O Atacadão tem atuações além do Brasil?

Somos o maior distribuidor de alimentos no Marrocos. Lá, o negócio é exatamente como o daqui. Hoje, o Grupo Carrefour tem operações no formato cash&carry (pague e leve) na Espanha, Itália, França, Romênia, Tunísia, Marrocos e Argentina. Em países em desenvolvimento, vejo a mesma necessidade dos empreendedores brasileiros. 

Qual o tamanho do “atacarejo” hoje no Brasil?

Como sócios da Abaas(Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço), da qual sou seu vice-presidente, nós temos uma receita na faixa dos R$ 90 bilhões, que vem da consolidação do faturamento dos sócios formados pelos principais nomes do setor.

Confira a entrevista na íntegra, publicada na revista Conselhos.