Negócios

18/01/2018

Presidente do Albert Einstein discute modernização da saúde

“O tratamento de uma doença precisa ser encarado como um estágio no qual a medicina foi incompetente em prevenir”, diz Sidney Klajner em entrevista à revista “PB”

Presidente do Albert Einstein discute modernização da saúde

“É preciso estar aberto para se relacionar com as pessoas e todas as suas singularidades”, afirmou Klajner durante a conversa
(Arte/TUTU)

A formação de uma nova geração de médicos líderes, com traquejo para o complexo sistema de saúde brasileiro, é a principal preocupação do cirurgião do aparelho digestivo e presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, Sidney Klajner. Em entrevista à edição 443 da revista Problemas Brasileiros (que pode ser acessada aqui), ele comenta os desafios à frente da cadeira de presidente que assumiu de Claudio Lottenberg há menos de um ano. “É preciso estar aberto para se relacionar com as pessoas e todas as suas singularidades”, afirmou Klajner durante a conversa.

Veja também:
Revista “PB” explica pontos positivos e negativos das PPPs no Brasil
Roubo de cargas no Brasil gera prejuízo de R$ 6 bilhões em cinco anos; confira matéria da "PB"

“Quando se fala de redução do custo per capita, fala-se em gastar menos. E o intuito não é a redução de custo, mas evitar o desperdício”, explica o médico, quanto à melhor maneira de gerir recursos da área de saúde. “Toda vez que se faz alguma coisa desnecessária é desperdício; toda vez que se indica um procedimento desnecessário é desperdício; toda vez que não se está presente no momento adequado para dar alta, desperdiça-se um leito”, observa.

Carreira

Segundo ele, é possível conciliar os papéis de gestor e de médico se houver dedicação. “Chego por volta de 5h30 e saio às 21h”, conta Klajner para a reportagem da revista PB. A gastroenterologia, sua especialidade, demanda tempo porque está cercada de causas emocionais e psicossomáticas. Por isso, segundo ele, uma conversa é fundamental no atendimento, que costuma prestar sempre no fim da tarde.

Nos casos de cirurgia, Klajner procura começar às 6h, quando o centro cirúrgico ainda é vazio. “Consigo sair de lá entre 7h30 e 8h, quando a maioria dos profissionais chega. Isso me dá uma produtividade muito boa, pois ganho a manhã inteira, até o início da tarde, para atuar na presidência, na gestão do hospital”, diz na entrevista.

Apesar da rotina intensa, ainda sobra tempo para se dedicar ao lazer e ao bem-estar. “Jogo tênis e corro duas vezes por semana. Acho que para a nossa profissão o preparo físico é fundamental”, afirma.

Sobre os desafios na gestão de um dos melhores hospitais da América Latina, ele acredita que o principal é enfrentar as questões que a saúde apresenta em termos globais. “Não se trata de Brasil. Não se trata de São Paulo. Estamos falando de situações que afligem a vida das pessoas no mundo. Isso nos faz cada vez mais pensar novos modelos de atendimento e de práticas remuneratórias e avaliar cases em outros países e de outras instituições.”

Medicina

Na entrevista, Sidney Klajner comenta ainda o atual padrão de remuneração médica. “Vivemos um modelo de remuneração que premia a doença, que contempla o tratamento de um evento. É a remuneração por serviço. Obviamente se sou um profissional que ganha dessa forma, quanto mais gente doente, melhor, certo?!”, questiona. “Se falamos que temos que diminuir a utilização do sistema pelos pacientes, porque utilizam demais em decorrência de excesso de doenças ´preveníveis´, talvez o mais bem remunerado devesse ser o médico que prevenisse a doença e promovesse a saúde”, acredita. “O tratamento de uma doença precisa ser encarado como um estágio no qual a medicina foi incompetente em prevenir”.

Confira a entrevista completa aqui.