Economia

14/02/2018

Provável fim do parcelamento sem juros pode prejudicar vendas no comércio

Medida inclui mais um intermediário nas transações e deixa cobrança de juros visível ao consumidor

Provável fim do parcelamento sem juros pode prejudicar vendas no comércio

Modelo em discussão no Banco Central é próximo do que é praticado internacionalmente
(Arte/Tutu)

“Não existe almoço grátis”. Uma das frases mais conhecidas no mundo da economia afirma que alguém está pagando por algo ainda que pareça sem custo. Um exemplo disso é a compra parcelada sem juros, modalidade bastante comum no País.

Nesse modelo, o consumidor adquire um produto ao fazer a compra no cartão em um determinado número de parcelas, e o lojista recebe o dinheiro 30 dias após efetuada a compra e ao longo do parcelamento. Com isso, o risco de inadimplência fica para as operadoras de cartão de crédito.

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Embora a taxa de juros cobrada não apareça no valor da compra, o custo financeiro do parcelamento está embutido no preço do produto – há taxas que variam por atividade, número de parcelas e operadora, além da mensalidade das máquinas de cartão.

Atualmente, está em discussão no Banco Central uma proposta que prevê acabar com o parcelamento sem juros. A ideia é antecipar de 30 para cinco dias o recebimento do lojista, e o banco assumiria o risco, mas cobrando pelo parcelamento. Esse modelo se aproxima do que é praticado internacionalmente.

Contudo, a cultura de consumo no Brasil está ligada a compras a prazo. Em geral, o consumidor não entende plenamente como funciona a cobrança de juros, preferindo observar se a parcela em questão cabe ou não no bolso ao longo do tempo de comprometimento da dívida.

Para o lojista, a antecipação de recebimento é positiva, pois melhora o fluxo de caixa, um dos grandes problemas do empresariado.

Mas é importante ressaltar que essa medida pode gerar um efeito negativo, tendo em vista que inclui mais um intermediário na transação: o banco – além da operadora do cartão, a empresa responsável pela máquina e a loja –, encarecendo o valor final. Também não se pode descartar uma eventual retração no consumo em função do efeito psicológico que a cobrança de juros visível tende a causar no consumidor.

Apesar de adaptar o sistema para um modelo próximo do utilizado fora do País, o peso das compras a prazo é tão importante para o varejo que pode ser o caso em que vale a pena manter o modelo brasileiro em vigor. Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o mais importante é não excluir o modelo atual e dar liberdade para que o mercado escolha o melhor meio de pagamento de acordo com a peculiaridade de cada negócio.