Economia

08/12/2017

Tema "papel do Estado na economia" ganha novas dimensões às vésperas de ano eleitoral, diz Thomas Trebat

Diretor do Columbia Global Centers | Rio de Janeiro participa do “II Fórum Estratégias para o crescimento – A mudança do papel do Estado”, ao lado do vice-presidente da FecomercioSP, Rubens Medrano, e convidados brasileiros e internacionais

Tema "papel do Estado na economia" ganha novas dimensões às vésperas de ano eleitoral, diz Thomas Trebat

“II Fórum Estratégias para o crescimento – A mudança do papel do Estado” é promovido pela FecomercioSP e pelo canal UM BRASIL, em parceria com a Columbia Global Centers – Rio de Janeiro, a FGV e a Revista Foto
(Foto: Christian Parente/TUTU)

“Precisamos ver o melhor caminho para que o Brasil reassuma seu lugar entre as sociedades mais bem-sucedidas do mundo. Essa é a força que nos motiva. Para grandes obras, as pessoas precisam juntar forças.” A declaração é do diretor do Columbia Global Centers | Rio de Janeiro, Thomas Trebat, durante a abertura do “II Fórum Estratégias para o crescimento – A mudança do papel do Estado”. Segundo Trebat, “o assunto ‘papel do Estado na economia’ ganha novas dimensões às vésperas de um ano eleitoral”.

O evento acontece hoje (8), durante todo o dia, na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O fórum é realizado em parceria com o canal UM BRASIL, em conjunto com o Columbia Global Centers | Rio de Janeiro, braço da Universidade Columbia; a Escola Brasileira de Administração Pública de Empresas (Ebape), a Escola Brasileira de Economia e Finanças (EPGE) e o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV); e a Revista Voto. A segunda edição brasileira do evento também contou com debates ontem no Rio de Janeiro. A atuação do governo e das instituições em face das mudanças políticas e econômicas vividas no Brasil e globalmente pauta as apresentações e discussões.

Na mesa de abertura, o vice-presidente da FecomercioSP, Rubens Medrano, comentou o papel propositivo da Entidade para promover debates sobre o crescimento sustentável brasileiro. “Tenho certeza de que todos sairemos vencedores do debate de hoje para pensar novos rumos para o País.”

Desafios fiscais e monetários no Brasil

Durante o painel “Desafios fiscais e monetários no Brasil”, o economista e ex-presidente do BNDES, André Lara Resende, explicou sua posição acerca de formas de conduzir políticas macroeconômicas. “A política monetária é dependente dos costumes de uma época, então, jamais pode ser congelada numa ortodoxia, independentemente das circunstâncias”, disse. Segundo ele, em certos momentos da história a velocidade dos hábitos e da tecnologia avançam tão rapidamente que as instituições não conseguem acompanhá-los e ficam anacrônicas”, observou. “É o momento de não nos fixarmos em ortodoxias, temos que parar de pensar em reformar o País para o que ele deveria ter sido no século 20, temos que preparar o País para o século 21.”

Veja também
“Aumentar produtividade é única maneira de alcançar países desenvolvidos”, diz José Scheinkman
“Eleitores premiam ou punem presidentes com base na sorte na América Latina”, diz Daniela Campello
“Precisamos entender os incentivos que levam à corrupção”, diz Paul Lagunes

Na mesma mesa, a secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, falou sobre o funcionamento das instituições fiscais brasileiras e a importância de o público ter ciência das atividades executadas por elas. “O reforço da institucionalidade é fundamental para manter sustentável a trajetória das contas públicas. Tenho convicção de que a economia inicia um ciclo de recuperação e esse é apenas o início de uma estrada que precisamos percorrer, porque a crise que tivemos foi muito profunda”, completou.

“Há uma falta de certezas no caso brasileiro, que se complica pelo fato de que há uma eleição no próximo ano”, observou o professor emérito da Universidade Columbia, Albert Fishlow. “O que vemos é uma demanda clara por mudança institucional, em que não podemos estar em uma posição com tantas inconsistências econômicas, sem podermos fazer ajustes mais rapidamente.”

A maneira correta para administrar isso, segundo ele, é não ignorar as demandas da população. “Todos nós sabemos que as mudanças na Previdência Social são necessárias, mas sabemos também que elas não terão consequências imediatas, elas acontecerão no futuro. As pessoas podem se enganar quanto à importância que é dada a isso, pois leva a uma expectativa equivocada sobre as mudanças”, disse Fishlow.

Produtividade, competitividade e o papel do Estado

No painel sobre produtividade e competitividade, os palestrantes ressaltaram seus posicionamentos de que o liberalismo econômico é o melhor caminho para o aumento da competitividade e da produção nacional.

“Abertura é fundamental e não a fazemos porque há entraves ideológicos, como proteção e reserva de mercado, conteúdo nacional, que precisam ser abolidos para que possamos elevar nossa participação internacional”, afirmou o presidente da Kaduna Consultoria, Roberto Gianetti da Fonseca. Segundo o empresário, a resistência do setor produtivo brasileiro para o maior grau de abertura resulta da baixa produtividade, na formação da mão de obra e no capital.

“A agenda competitiva é para ontem: o governo deve ajudar o setor privado na tomada de decisão e no estímulo ao investimento. Se pudermos atuar com liberdade e competitividade, tenho certeza que o empresário brasileiro vai se destacar. O que falta para o empreendedor brasileiro é estímulo”, concluiu Fonseca.

Sobre o tema, a economista-chefe da XP investimentos, Zeina Latif, afirmou: “Proteger a inovação significa proteger a empresa entrante, já que a empresa pequena no Brasil tem estímulos para ficar pequena e pouco produtiva”. Além disso, segundo ela, as políticas públicas têm de ser reavaliadas sempre, e não temos esse costume no Brasil.

Para o presidente da Riachuelo, Flávio Rocha, os empresários não podem se “recolher” na zona de conforto de suas empresas. “Se eles fizerem isso, o espaço acaba tomado por uma burocracia tóxica do governo e também das entidades empresariais, que, por causa da hipertrofia do Estado, deixaram de cuidar do todo para cuidar de problemas particulares”, afirmou.

Atualmente, para o empresário, estamos saindo do protagonismo estatal para o protagonismo individual. “O protagonismo estatal é o ‘nós contra eles’, por isso há tanta sindicalização. Estamos saindo para a lógica do maior solucionador de conflito que a humanidade jamais criou que é a livre empresa”, disse.

O evento segue até o fim do dia. Acompanhe os melhores momentos das palestras pelo stories do Instagram @canalumbrasil.