Sustentabilidade

14/12/2018

Zerar desmatamento não impactaria PIB brasileiro

Primeira aula do curso de extensão UM BRASIL Sustentável: visões, desafios e direções, analisa quais políticas públicas poderiam ser feitas para amenizar crise climática

Zerar desmatamento não impactaria PIB brasileiro

Falta de ações do poder público e os altos valores movimentados pelos grupos interessados impedem o fim do desmatamento
(Foto: Christian Parente)

Zerar o desmatamento não geraria grandes impactos no produto interno bruto (PIB) brasileiro e é possível aumentar a produtividade nos hectares já abertos no País. O apontamento foi feito na primeira aula do curso de extensão UM BRASIL Sustentável: visões, desafios e direções, desenvolvido pelo canal em parceria com a Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS) e o Programa de Mestrado em Análise Ambiental Integrada, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

“Podemos mudar a maneira como o País vem se organizando do ponto de vista econômico conciliando aquilo que parecia impossível: produção com respeito ao meio ambiente com proteção das florestas no Brasil”, explica o fundador e diretor-executivo do Instituto Escolhas, Sergio Leitão. A afirmação é feita com base no estudo “Qual o impacto de zerar o desmatamento no Brasil”, do mesmo instituto.

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O vice-presidente do Conselho Diretor do Instituto Democracia e Desenvolvimento, João Paulo Capobianco, também participou da conversa que teve como mediador o coordenador pedagógico do curso e professor do curso de Ciências Ambientais da UNIFESP, Dr. Zysman Neiman.

Para os especialistas, é difícil acabar com o desmatamento porque essa “indústria” movimenta altas quantias e desperta o interesse de inúmeros grupos. “Tem muita gente que ganha com o desmatamento, principalmente na área Amazônica. É possível pedir a legalização do espaço desmatado, convertendo uma área pública em domínio privado”, explica Leitão.

Capobianco também aponta a falta de ações do Poder Público como um dos motores desse problema. “Sem governos federal e estadual alinhados nessa perspectiva, fazendo com que a legislação seja observada e cumprida, há um estímulo para a criação desse tipo de grupo ao atrair outros players. Cria-se, então, um processo de difícil controle”, afirma.

As medidas de proteção e fiscalização ambientais poderiam ser feitas se o Brasil tivesse uma presença maior em determinadas regiões. “Temos uma Constituição, regulação na área ambiental e um conjunto de normas avançadas, mas temos uma lacuna de aplicação e é isso que temos que discutir. Para haver a aplicação da legislação, não precisamos de um Estado forte, mas eficiente, além de uma sociedade que assuma essa responsabilidade – e o setor privado tem papel enorme”, ressalta Capobianco.

Discussão recente

A preocupação com a questão ambiental surgiu na década de 1970, motivada pela resistência à energia nuclear. Os focos na conservação, na biodiversidade e nas mudanças climáticas começaram a ser trabalhados nessa época, mas ganharam força no fim de 1980.

Recentemente, esses assuntos passaram a ser debatidos pela sociedade em função das consequências das mudanças climáticas. A elevação da temperatura mundial fica evidente, e isso traz à tona o debate em torno da sustentabilidade.

“A crise climática talvez seja aquela que, pela primeira vez, vai permitir uma massificação da sustentabilidade, porque, até então, as pessoas estavam distantes das questões ambientais. Temos de lidar com os limites do planeta e ajustar a nossa economia e modo de vida. Estamos tratando de uma questão estrutural da sociedade contemporânea, e apenas mudanças de comportamento poderão trazer soluções de longo prazo para uma crise tão dramática como essa“, afirma Capobianco.

Confira a seguir na íntegra: