06/10/2008
O comércio da região metropolitana de São Paulo registrou alta de 2,1% nas vendas em agosto, no contraponto ao mesmo período de 2007, segundo apurou a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), da Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Este é o 29º aumento consecutivo do índice, que acumula em 2008, alta de 4,8% em relação ao mesmo período do ano passado. A maior elevação foi no setor de Vestuário, Tecidos e Calçados (17%), enquanto a principal queda foi nas lojas de Autopeças e Acessórios: (28,5%).
De acordo com a Fecomercio, os índices obtidos em agosto indicam que a turbulência no cenário internacional ainda não refletiu nas intenções de compra dos consumidores paulistanos, que continuam se valendo do bom momento em termos da oferta de crédito e de recuperação da renda e do emprego, mantendo elevada sua propensão ao consumo. A expectativa é que esse quadro sofra mudanças em médio prazo, devido à influência da crise internacional, mas tanto a sua magnitude quanto o seu início e duração ainda são imprevisíveis.
AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS SETORIAIS
Lojas de Vestuário, Tecidos e Calçados
Pelo vigésimo quinto mês consecutivo o segmento de Vestuários, Tecidos e Calçados registrou o melhor resultado da PCCV, com elevação de 17% ante mesmo período de 2007. No acumulado de 2008, a alta é de 23,4%. O Dia dos Pais, em parceria com as liquidações de queima de estoque para troca da coleção outono-inverno pela primavera-verão influenciaram diretamente esse resultado.
Para o próximo mês a expectativa é de que as vendas do setor sejam arrefecidas, devido ao nível de endividamento da população, além da entrada da coleção, que traz preços mais elevados ao consumidor.
Lojas de Material de Construção
O setor apresentou elevação de 16,6% no faturamento real de agosto, e acumula no ano alta de 14,2%. O desempenho positivo ao longo dos últimos meses é fruto da crescente oferta de crédito, principalmente destinado à habitação. Além disso, o crescimento do setor de construção civil também impacta positivamente o segmento.
Concessionárias de Veículos
As Concessionárias de Veículos tiveram em agosto alta de 14,3% na comparação com o mesmo período de 2007. Nos oito primeiros meses do ano a atividade acumula alta de 16,4%, o que mantém o segmento na vice-liderança do comércio varejista ao longo de 2008, evidenciando um dos melhores ciclos de crescimento de sua história.
Esta trajetória talvez apresente uma modesta retração nos próximos meses, devido à diminuição no volume de concessões de crédito destinada à aquisição de veículos para pessoas físicas.
Lojas de Móveis e Decorações
Em agosto as vendas das lojas de Móveis e Decorações cresceram 6,3% em relação ao mesmo período de 2007 e acumulam no ano, alta de 11,1%. O setor também depende de crediários e de condições gerais de pagamento para se desenvolver da forma em que vinha ocorrendo desde o final de 2007.
Farmácias e Perfumarias
A oferta de crédito impulsionou as vendas neste setor que em agosto contabilizou alta de 5,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O aumento no consumo de medicamentos genéricos em detrimento dos tradicionais, principalmente entre a população com menor poder aquisitivo, também colabora para o comércio de Farmácias e Perfumarias, que no ano acumula crescimento de 2,9%.
Lojas de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos
O mês de agosto se mostrou um momento relativamente delicado para o setor das Lojas de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos. Apesar do crescimento de 2,4% sobre o faturamento real de 2007, a taxa é muito inferior à média acumulada do ano (12,6%). Esse resultado não pode ser tomado isoladamente e nem deve ainda ser atribuído à crise internacional.
O setor se baseia muito no volume de crédito e nas condições dadas aos consumidores. No bojo de uma crise internacional que, em primeiro momento deixa os mercados financeiros apreensivos e conservadores, a tendência é de fato uma redução do ritmo de atividade. Tanto por parte de consumidores que podem se tornar mais conservadores no curto prazo, quanto por parte de quem vende e financia.
Supermercados
O segmento de Supermercados apresentou em agosto, queda de 6,5% no faturamento real frente ao mesmo mês do ano anterior e acumula no ano, retração de 1,4%. O desempenho negativo é atribuído aos aumentos de preços das commodites por fatores sazonais repassados ao consumidor, além do comprometimento de renda da renda líquida da população, devido ao crédito.
Lojas de Departamentos
Em agosto, o setor apresentou variação negativa de 8,7% na comparação com o mesmo mês do ano anterior e acumula queda de 12,9%. O mix de produtos ofertados pelas Lojas de Departamentos tem impactado positivamente no faturamento, isso porque parte deles proporcionam margens de retorno mais elevadas.
Lojas de Autopeças e Acessórios
As lojas de Autopeças e Acessórios tiveram novamente queda nas vendas: 28,5% no contraponto ao mesmo mês do ano anterior. Em 2008, o segmento acumula resultado negativo de 29,4%. Os fatores para este desempenho são os mesmos dos meses anteriores: preços de produtos em quedas sucessivas, em decorrência do câmbio valorizado que facilita a entrada maciça de produtos importados - principalmente da China -, e aumento vigoroso nas vendas de veículos novos, que reduzem a demanda por peças e serviços de manutenção.
NOTA METODOLÓGICA
A Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), da Fecomercio, tem como objetivo acompanhar e avaliar o desempenho do comércio varejista em seus vários ramos de atividade. Das informações apuradas, são gerados indicadores de faturamento nominal e faturamento real. Os dados da pesquisa auxiliam o empresário varejista na realização de investimentos, priorização de atividades, identificação de tendências do consumidor e do mercado, adequação a novos padrões, redefinição de diretrizes, alteração nos padrões de consumo. No caso da indústria, a ferramenta auxilia o empresário no planejamento da produção, vendas e estoques, orientando a tomada de decisões estratégicas.
A PCCV é apurada mensalmente pela Fecomercio desde 1970. A amostra envolve cerca de 1.800 estabelecimentos comerciais localizados na região metropolitana de São Paulo.
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