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<rss xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" version="2.0"><channel><title>&lt;![CDATA[Artigos - Editorial - FecomercioSP]]</title><link>https://www.fecomercio.com.br/public/noticias/editorial/artigos</link><description>&lt;![CDATA[Descrição.]]</description><lastBuildDate>Tue, 28 Jul 2026 16:49:14 -0300</lastBuildDate><language>pt-br</language><image><title>&lt;![CDATA[Artigos - Editorial - FecomercioSP]]</title><link>https://www.fecomercio.com.br/public/noticias/editorial/artigos</link><url>https://www.fecomercio.com.br/public/assets/img/fecomercio-sp-image-share.jpg</url></image><category>&lt;![CDATA[Editorial]]</category><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category><item><title>&lt;![CDATA[O peso do ‘pacote de bondades’]]</title><link>https://www.fecomercio.com.br/public/noticia/o-peso-do-pacote-de-bondades</link><description>&lt;![CDATA[Medidas anunciadas às vésperas do período eleitoral superam R$ 200 bilhões e cobrarão seu preço em inflação, juros e dívida pública]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p id="isPasted"&gt;&lt;em&gt;Antonio Lanzana*&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Enquanto não começam a vigorar as regras de conduta do período eleitoral, o governo federal vem anunciando uma série de medidas eleitoreiras com o objetivo de aumentar a popularidade. Além da redução da jornada 6x1, da reforma do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF) — com isenção para rendimentos de até R$ 5 mil — e da eliminação da “taxa das blusinhas”, pode-se destacar um conjunto enorme de outros anúncios, tanto no âmbito dos gastos públicos como no da ampliação do crédito. No primeiro caso, tem-se pagamento de precatórios em março no valor de R$ 70 bilhões; antecipação do décimo terceiro salário de aposentados e pensionistas; e subsídios para famílias de baixa renda, como os programas Luz do Povo e Gás do Povo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na área de crédito, os segmentos beneficiados são vários: motoristas de aplicativos e taxistas; consignado para trabalhadores do setor privado; programa de renegociação de dívidas (Desenrola 2.0); crédito subsidiado para empresas (Brasil Soberano); renovação das frotas de caminhões, ônibus e máquinas agrícolas; novo crédito imobiliário, que oferece recursos para reformas residenciais (Reforma Casa Brasil); e ampliação do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Ainda estão no radar duas novas iniciativas — a segunda fase do Desenrola 2.0, desta vez voltada para correntistas adimplentes, e um novo estímulo à construção civil industrializada, com objetivo de acelerar a entrega de moradias do MCMV, a custos e prazos reduzidos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O montante dessas iniciativas deve superar a casa dos R$ 200 bilhões. As consequências sobre a economia serão inevitáveis. A ampliação da demanda deve levar a uma revisão para cima das projeções de crescimento do&amp;nbsp;Produto Interno Bruto (PIB)&amp;nbsp;em 2026, atualmente em 1,89%, segundo o relatório Focus, do Banco Central (BC). Considerando, no entanto, que a capacidade de resposta da produção é limitada pelo reduzido nível de investimentos, as pressões inflacionárias serão crescentes. Esse contexto agrava-se por causa do quadro externo, com a manutenção do preço do petróleo em níveis elevados e demais efeitos sobre o Agronegócio. O mercado já vem revisando as projeções de inflação para 2026 (no início do ano, estavam em 3,7%) e a variação do IPCA deste ano pode chegar perto dos 6%, distanciando-se significativamente da meta (centro de 3% e teto de 4,5%).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Diante disso, o BC vê-se “obrigado” a encurtar o ciclo de redução da taxa Selic, que pode encerrar 2026 com 14%, contra uma expectativa criada no início do ano de 12%. A manutenção de juros mais elevados vai continuar agravando a situação financeira das empresas, com possíveis novos recordes de pedidos de recuperação judicial.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É interessante chamar a atenção de que o governo vai cumprir as metas de superávit primário em 2026, que deve ficar em 0,25% do PIB, porque exclui algumas despesas do cálculo e usa medidas parafiscais para financiar as decisões anunciadas. Indicadores mais relevantes da situação das contas públicas, porém, mostram um cenário muito preocupante. É o caso do elevado déficit nominal, que inclui o pagamento de juros, atingindo 9,4% do PIB em março, além de forte deterioração da relação entre dívida e PIB, que deve encerrar o ano em torno de 82% a 83%, contra 71,7% no início do atual governo. É um quadro insustentável, mas nada muda até as eleições. As esperanças ficam para 2027.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;*Presidente do Conselho Superior de Economia, Sociologia e Política da FecomercioSP e professor na Universidade de São Paulo (USP) e na Fundação Dom Cabral (FDC)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Artigo publicado originalmente na&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;a href="https://revistapb.com.br" target="_blank" rel="noopener noreferrer"&gt;&lt;em&gt;revista Problemas Brasileiros&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Thu, 23 Jul 2026 15:15:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Para onde vai a renda?]]</title><link>https://www.fecomercio.com.br/public/noticia/para-onde-vai-a-renda</link><description>&lt;![CDATA[Estimativas apontam que os brasileiros podem movimentar entre R$ 300 bilhões e R$ 400 bilhões por ano em apostas online]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;&lt;em&gt;Fabio Pina*&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os indicadores econ&amp;ocirc;micos recentes mostram um cen&amp;aacute;rio aparentemente positivo para o Brasil. A renda m&amp;eacute;dia do trabalhador cresceu nos &amp;uacute;ltimos anos, assim como a massa de rendimentos, e o mercado de trabalho permaneceu relativamente resiliente. Ainda assim, a sensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o predominante continua distante de uma percep&amp;ccedil;&amp;atilde;o concreta de melhoria financeira. A explica&amp;ccedil;&amp;atilde;o para esse paradoxo passa por um conjunto de fatores que vem comprimindo o or&amp;ccedil;amento das fam&amp;iacute;lias e reduzindo a capacidade de consumo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O primeiro deles &amp;eacute; o elevado endividamento. Dados da Federa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Com&amp;eacute;rcio de Bens, Servi&amp;ccedil;os e Turismo do Estado de S&amp;atilde;o Paulo (FecomercioSP)&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;mostram que cerca de 80% das fam&amp;iacute;lias brasileiras est&amp;atilde;o endividadas, muitas pagando juros elevados, sobretudo em modalidades como cart&amp;atilde;o de cr&amp;eacute;dito e cr&amp;eacute;dito pessoal &amp;mdash; e em muitos casos, as taxas anuais superam 100%. Esse cen&amp;aacute;rio indica que uma parcela importante do aumento da renda n&amp;atilde;o se transforma em consumo ou poupan&amp;ccedil;a, mas &amp;eacute; absorvida pelo pagamento de presta&amp;ccedil;&amp;otilde;es, juros e d&amp;iacute;vidas acumuladas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro ponto relevante &amp;eacute; a infla&amp;ccedil;&amp;atilde;o dos alimentos. Entre janeiro de 2022 e abril de 2025, o &amp;Iacute;ndice Nacional de Pre&amp;ccedil;os ao Consumidor Amplo (IPCA) geral subiu 23% enquanto a alimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o aumentou 29%. Ao olharmos para o per&amp;iacute;odo entre janeiro e abril de 2026, a infla&amp;ccedil;&amp;atilde;o geral foi de 1,5%, com os alimentos subindo quase 3%. Mesmo em per&amp;iacute;odos de desacelera&amp;ccedil;&amp;atilde;o inflacion&amp;aacute;ria, os pre&amp;ccedil;os de itens essenciais da cesta b&amp;aacute;sica avan&amp;ccedil;aram acima da m&amp;eacute;dia geral da infla&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Como os gastos com alimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o pesam proporcionalmente mais no or&amp;ccedil;amento das fam&amp;iacute;lias de baixa renda, o efeito sobre a percep&amp;ccedil;&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica &amp;eacute; muito mais intenso do que sugerem os &amp;iacute;ndices agregados.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agora, soma-se a isso um novo fen&amp;ocirc;meno: o avan&amp;ccedil;o explosivo das apostas online. Pesquisa recente da FecomercioSP mostrou que 35% dos paulistanos fazem apostas buscando aumentar rapidamente a renda dom&amp;eacute;stica, um salto de 10 pontos porcentuais (p.p.) em rela&amp;ccedil;&amp;atilde;o a 2024. Entre as fam&amp;iacute;lias com renda de at&amp;eacute; dois sal&amp;aacute;rios m&amp;iacute;nimos, esse porcentual chega a 40%. Esse dado revela um fato preocupante: parte crescente da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o passou a enxergar as &lt;em&gt;bets&lt;/em&gt; n&amp;atilde;o como entretenimento controlado, mas como tentativa de sobreviv&amp;ecirc;ncia financeira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;[veja_tambem]&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O estudo traz outros sinais alarmantes. Um quarto dos entrevistados afirmou que, se n&amp;atilde;o apostasse, guardaria esse dinheiro. Outros disseram que destinariam os recursos para pagar contas ou comprar alimentos. Isto &amp;eacute;, as apostas passaram a disputar espa&amp;ccedil;o diretamente com o consumo tradicional das fam&amp;iacute;lias e at&amp;eacute; com a forma&amp;ccedil;&amp;atilde;o de poupan&amp;ccedil;a.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A situa&amp;ccedil;&amp;atilde;o torna-se ainda mais grave quando se observa que 12% dos entrevistados afirmaram j&amp;aacute; ter buscado ajuda financeira para continuar apostando, incluindo empr&amp;eacute;stimos banc&amp;aacute;rios e pedidos de dinheiro para familiares ou amigos. Trata-se de um processo que pode aprofundar o endividamento e ampliar a vulnerabilidade social.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As cifras envolvidas ajudam a dimensionar o problema. Estimativas apontam que os brasileiros podem movimentar entre R$ 300 bilh&amp;otilde;es e R$ 400 bilh&amp;otilde;es por ano em apostas online. Mesmo considerando uma reten&amp;ccedil;&amp;atilde;o m&amp;eacute;dia de 15% pelas plataformas, porcentual previsto no modelo regulat&amp;oacute;rio, essa movimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o representaria algo pr&amp;oacute;ximo de R$ 50 bilh&amp;otilde;es drenados do consumo das fam&amp;iacute;lias para empresas de apostas. Para efeito de compara&amp;ccedil;&amp;atilde;o, esse valor equivale a cerca de um ter&amp;ccedil;o do or&amp;ccedil;amento anual do Bolsa Fam&amp;iacute;lia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Al&amp;eacute;m disso, parte relevante dessas opera&amp;ccedil;&amp;otilde;es ocorre em plataformas ilegais ou sediadas fora do Pa&amp;iacute;s, ampliando o vazamento de renda da economia. Diferentemente de atividades presenciais, como cassinos e&amp;nbsp;&lt;em&gt;resorts&lt;/em&gt;, que ao menos geram empregos, turismo e arrecada&amp;ccedil;&amp;atilde;o local, as apostas virtuais t&amp;ecirc;m baix&amp;iacute;ssima capacidade de multiplica&amp;ccedil;&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O resultado &amp;eacute; uma economia em que a renda cresce estatisticamente, mas uma parcela relevante desse ganho &amp;eacute; capturada por juros, infla&amp;ccedil;&amp;atilde;o de itens essenciais e apostas online. O consumidor sente menos melhoria porque, na pr&amp;aacute;tica, sobra menos dinheiro dispon&amp;iacute;vel para consumir, investir ou construir patrim&amp;ocirc;nio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;*Economista e assessor t&amp;eacute;cnico da&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;Federa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Com&amp;eacute;rcio de Bens, Servi&amp;ccedil;os e Turismo do Estado de S&amp;atilde;o Paulo (FecomercioSP)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Fri, 17 Jul 2026 10:07:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[NR-1 e o direito do luto: a dor que se tornou ofício]]</title><link>https://www.fecomercio.com.br/public/noticia/nr-1-e-o-direito-do-luto-a-dor-que-se-tornou-oficio</link><description>&lt;![CDATA[Norma amplia a atenção aos riscos psicossociais e impõe ao setor funerário o desafio de proteger a saúde mental de quem convive diariamente com a dor e o luto]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;&lt;em&gt;Eduardo Pastore, Luiza Melo e Leonardo Battistuzzo&lt;sup&gt;*&lt;/sup&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;“Nascemos morrendo. O fim de cada dia é um passo a mais em direção ao fim.”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;— Sêneca,&amp;nbsp;&lt;em&gt;Cartas a Lucílio&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não conhecemos sociedade humana que não tenha inventado algum rito para seus mortos. Há mais de 60 mil anos, neandertais já depositavam flores junto aos corpos de seus companheiros — porque cuidar do morto parece mais antigo do que muita coisa que chamamos de “civilização”. Os egípcios fizeram da morte uma política de Estado; Roma tinha os&amp;nbsp;&lt;em&gt;pollinctores&lt;/em&gt;, que preparavam os corpos para o funeral.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A função é, portanto, velha como a espécie. A novidade é que, no Brasil de hoje, ela tem CNPJ, convenção coletiva e sindicato — o Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep).&amp;nbsp;&amp;nbsp;Agora, precisa responder a seus representados à Norma Regulamentadora 1 (NR-1). Não qualquer norma, mas a que coloca os riscos psicossociais no centro da agenda de saúde ocupacional brasileira.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Existe uma curiosa lei da visibilidade social: quanto mais essencial um serviço, menos se fala dele. Cemitérios, crematórios e funerárias formam um setor econômico sólido porque sua “demanda” é a única absolutamente garantida da economia. Todos nós, sem exceção, seremos seus clientes um dia. A questão é que, enquanto ignoramos esse setor, homens e mulheres que nele trabalham carregam, dia após dia, o peso que a sociedade não quer ver.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É um setor que vive da urgência alheia. Ninguém telefona para um&amp;nbsp;cemitério&amp;nbsp;com calma, com antecedência, com tempo para cotação. O cliente chega em pânico, em choque, ainda com a notícia da morte ecoando como um zumbido dentro da cabeça. É nesse encontro entre a urgência de um lado e a rotina do outro que nasce o problema que este artigo quer iluminar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pense nos profissionais da linha de frente — o sepultador, que lida diretamente com&amp;nbsp;a&amp;nbsp;urna funerária&amp;nbsp;(a morte em sua face mais concreta, física, irrevogável); o atendente do cemitério ou crematório, que recebe famílias em choque, muitas vezes agressivas não por maldade, mas porque a dor precisa escoar em algum lugar (e o balcão de atendimento está ali, presente, humano); o motorista do carro funerário; e o administrativo, que, todos os dias, transforma burocracia em acolhimento. Todos compartilham algo raro em qualquer outra profissão: o cliente está, por definição, vivendo o pior dia de sua vida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se a dor do trabalho já é, por si, objeto da NR-1 em qualquer setor — operário de fábrica, atendente de telemarketing, motorista de ônibus etc. —, imagine essa mesma dor quando o pano de fundo cotidiano é a morte de outra pessoa, repetida, sem pausa, dia após dia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A modernidade empurra a morte para o hospital; depois, para o cemitério, criando uma cadeia de profissionais cuja função é nos proteger do contato com a finitude. Pagamos para que outros lidem, em nosso lugar, com o que mais tememos. E aqui está o nó do problema. Terceirizamos as providências que a morte exige, mas o luto não se terceiriza. Continua pertencendo a quem ama e perde. E apenas ganha, nesse encontro, uma testemunha diária e involuntária — o profissional do setor funerário.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;São eles que acolhem os primeiros choros, escutam histórias interrompidas, administram conflitos familiares exacerbados pela dor, orientam decisões difíceis quando a capacidade de decidir está comprometida pelo sofrimento. Enfim, permanecem presentes (serenos, profissionais e contínuos) quando a dor do outro se manifesta em sua forma mais intensa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Agimos coletivamente como se esses trabalhadores fossem blindados ao impacto emocional dessa convivência permanente com a perda.&amp;nbsp;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Não há blindagem.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; O que pode haver (e, muitas vezes, há) é adoecimento silencioso. E é justamente esse silêncio que a NR-1 vem, finalmente, obrigar a romper. O adoecimento no setor do luto não é um problema individual, tampouco fragilidade do sepultador nem sensibilidade excessiva do atendente. Trata-se de um problema da organização do trabalho, reconhecer isso é o que muda tudo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A pergunta deixa de ser “por que este trabalhador adoeceu?” e passa a ser “quais aspectos da organização do trabalho produziram esse adoecimento?”. Essa é a mudança de paradigma que a ergonomia contemporânea propõe — e que a NR-1 atualizada incorpora como obrigação legal. Ergonomia, aqui, não é sobre cadeiras ou bancadas, mas sobre escalas, previsibilidade de demandas, protocolos de acolhimento após atendimentos especialmente dolorosos, existência (ou ausência) de espaços seguros para elaborar o que foi vivido. É sobre a relação entre as cargas cognitiva e emocional do trabalho e a capacidade humana de sustentá-la com saúde. Mais do que nunca, sobre a saúde da organização do trabalho.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A NR-1 atualizada rompe com décadas de invisibilidade do sofrimento psíquico no trabalho. Durante muito tempo, a proteção à saúde ocupacional concentrou-se, legitimamente, nos riscos físicos, químicos e biológicos. O sofrimento psíquico ficou de fora, tratado como questão pessoal. A nova abordagem da norma reconhece que saúde ocupacional e saúde mental são indissociáveis. O adoecimento psicológico produz efeitos concretos: aumento do absenteísmo, afastamentos previdenciários e elevação da rotatividade, passivos trabalhistas decorrentes da omissão diante de riscos conhecidos. A prevenção não é custo; é investimento.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando prevenção trabalhista,&amp;nbsp;&lt;em&gt;compliance&lt;/em&gt;, saúde ocupacional e ergonomia atuam de forma integrada, a empresa deixa de enxergar o adoecimento como problema individual e passa a compreendê-lo como indicador da própria organização laboral. No setor do luto, essa integração é especialmente urgente.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Este artigo fala em “direito do luto” em dois sentidos que se completam. O primeiro é&amp;nbsp;&lt;strong&gt;existencial&lt;/strong&gt;: o direito ao luto como experiência humana legítima; não apenas de quem perde um ente querido, mas, inclusive — e este é o ponto que com frequência se esquece —, de quem trabalha todos os dias absorvendo o luto alheio. Sepultadores, atendentes, motoristas e administrativos também têm direito a elaborar, processar e sofrer com o que testemunham. Negar-lhes esse direito, tratando-os como peças neutras de uma engrenagem operacional, é, em si, uma forma de violência silenciosa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O segundo é&amp;nbsp;&lt;strong&gt;jurídico&lt;/strong&gt;. A NR-1 impõe um conjunto de obrigações a esse setor por reconhecer a sua exposição, de forma estrutural e contínua, a riscos psicossociais de elevada intensidade. Poucos estão tão expostos quanto. Para o setor do luto, isso significa avançar para além do cumprimento formal: mapear quais funções estão mais expostas (e todas, em alguma medida, estão), capacitar lideranças para reconhecer sinais de adoecimento, estabelecer canais seguros de escuta e desenvolver protocolos de acolhimento interno. As duas faces convergem num ponto inegociável. O setor só cumprirá bem as obrigações da NR-1 se compreender, antes, a dimensão existencial do problema. Não é planilha. É gente. E gente precisa ser vista.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sêneca escreveu que morremos um pouco todos os dias —&amp;nbsp;&lt;em&gt;cotidie morimur&lt;/em&gt; —, porque cada dia que passa também é um dia que não volta. Epicuro lembrava que “a morte não é nada para nós: enquanto existimos, ela não está presente; quando está presente, já não existimos”, consolo lógico que pouco ajuda às 3 da manhã, mas que aponta para algo que importa — o medo da morte é, na maior parte das vezes, medo de&amp;nbsp;&lt;em&gt;pensar&lt;/em&gt; nela.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os trabalhadores do setor do luto não têm esse privilégio. Estão lá, todos os dias, diante da morte com nome e sobrenome, com família e história, com alguém que chora do outro lado do balcão. Praticam, involuntária e cotidianamente, o que a filosofia trata como exercício de sabedoria: conviver com a finitude. Mas conviver com a finitude sem suporte, sem reconhecimento, sem estrutura organizacional que acolha esse peso não é sabedoria, mas sofrimento.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não se trata apenas de cumprir uma exigência regulamentária, elaborar relatórios ou atualizar documentos internos. Trata-se de construir uma cultura organizacional que reconheça a saúde mental dos trabalhadores e de todos que lidam com o setor do luto como ativo estratégico e condição indispensável para a prestação de um serviço digno à população. Afinal, uma sociedade que deseja ser acolhida em seus momentos mais difíceis precisa começar por acolher quem dedica sua vida profissional a cuidar da dor dos outros&lt;strong&gt;&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Rendemos nossa homenagem a todos que compõem esse setor — sepultadores, atendentes, motoristas, administrativos, empresários, profissionais de RH etc. —, que, todos os dias, emprestam seus ombros para que o resto de nós atravesse, com um pouco menos de peso, o momento mais difícil da vida. E a NR-1 assume papel fundamental para o setor do luto em acolher quem acolhe.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;*Eduardo Pastore, assessor da FecomercioSP e advogado trabalhista; Leonardo Battistuzzo, advogado especializado em Direito do Luto e Direito Funerário; e Luiza Melo, ergonomista e especialista em saúde ocupacional e gestão de riscos psicossociais.&lt;br&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;Artigo publicado originalmente no portal Contábeis em 13 de julho de 2026.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Tue, 14 Jul 2026 15:54:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Copa 2026, bets e turismo]]</title><link>https://www.fecomercio.com.br/public/noticia/copa-2026-bets-e-turismo</link><description>&lt;![CDATA[Mundial pode intensificar disputa pelos recursos destinados ao lazer]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p id="isPasted"&gt;&lt;em&gt;Guilherme Dietze*&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Copa do Mundo de 2026 está prestes a se tornar o maior evento de apostas esportivas da história. Segundo projeções da Sportradar, o torneio deve movimentar mais de US$ 50 bilhões em apostas ao redor do mundo — salto de mais de 40% em relação aos US$ 35 bilhões registrados no Catar, em 2022. O Brasil deve responder por cerca de 10% desse volume global, algo em torno de US$ 5 bilhões apenas durante o período do torneio. São números que impressionam, mas que ganham dimensão ainda mais relevante quando cruzados com dados recentes sobre o perfil dos apostadores brasileiros — e o que esse comportamento representa para o turismo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Pesquisa da FecomercioSP revela que 35% dos paulistanos apostam com o objetivo de aumentar a renda doméstica, não por entretenimento. É uma estratégia de alto risco: a natureza probabilística das plataformas garante que, no longo prazo, a casa sempre vence. Mais preocupante ainda: 4 em cada 10 pessoas nas faixas de menor renda apostam diariamente ou toda semana. Não se trata de um hábito esporádico, mas de um fluxo contínuo de recursos saindo do orçamento de quem tem menos margem para perdas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É justamente aí que o turismo entra como variável diretamente afetada. Quando perguntados o que fariam com o dinheiro das apostas caso não apostassem, 39% dos entrevistados responderam que gastariam com lazer — e viagens certamente integram esse universo. Trata-se de uma demanda potencial sistematicamente desviada para as plataformas digitais, deixando de circular em destinos turísticos, meios de hospedagem, agências de viagem e atrativos locais.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ao contrário de uma viagem — que distribui renda ao longo de uma cadeia que envolve transporte, hospedagem, alimentação e comércio local —, as apostas concentram o fluxo financeiro em plataformas frequentemente sediadas fora do Brasil, com baixíssima capacidade de gerar emprego e renda no território nacional. O dinheiro que entra nas bets não ocupa quartos de hotel, não enche restaurantes, não movimenta o comércio de destinos turísticos. Vale destacar que a FecomercioSP é favorável à operação de cassinos em resorts no Brasil, gerando impacto econômico concreto para o país, com emprego e renda.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com a Copa do Mundo, esse quadro se intensifica. Grandes eventos esportivos historicamente ampliam o volume de apostas e incorporam novos apostadores. A expectativa de recorde global em 2026 sugere que o Brasil será um dos mercados com maior crescimento — reforçando uma concorrência silenciosa, mas concreta, com o setor de turismo. O setor que souber ler esse movimento com antecedência e desenvolver propostas capazes de disputar a atenção e os recursos desse consumidor estará mais bem posicionado. Ignorar esse concorrente, a essa altura, é um risco que o turismo brasileiro não pode se dar ao luxo de correr.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Economista e Presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Artigo publicado originalmente no portal HotelierNews em junho de 2026&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Fri, 26 Jun 2026 14:41:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Por que o Senado deve olhar além da jornada?]]</title><link>https://www.fecomercio.com.br/public/noticia/por-que-o-senado-deve-olhar-alem-da-jornada</link><description>&lt;![CDATA[Embora pareça preservar negociação, PEC reduz drasticamente espaço ao impor modelo constitucional uniforme para todo o mercado de trabalho]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;&lt;em&gt;*Sylvia Lorena e Ivo Dall’Acqua Jr.&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A redução da jornada de trabalho tornou-se um dos temas mais mobilizadores do debate público brasileiro. Depois da aprovação da proposta pela Câmara dos Deputados, o Senado é o centro da discussão – frequentemente apresentada como uma escolha simples entre modernização e resistência à mudança. &amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa narrativa, contudo, simplifica uma questão muito mais profunda.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O que chegará ao Senado não é apenas uma discussão sobre trabalhar menos horas por semana, e tampouco se resume ao expressivo aumento de custos que serão suportados pelas empresas. É sobre até que ponto a Constituição deve ser utilizada para cristalizar as escolhas econômicas que, pela própria natureza, exigem capacidade permanente de adaptação às transformações produtivas, tecnológicas e sociais.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa é uma distinção fundamental. Constituições são concebidas para definir princípios estruturantes, distribuir competências entre os Poderes e proteger direitos fundamentais. Não foram desenhadas para funcionar como instrumentos de organização produtiva e de gestão econômica setorial. Quando rotinas dessa natureza, bem como do trabalho, são transformadas em norma constitucional, a matéria deixa de ser objeto de ajustes dinâmicos entre interessados e passa a integrar o núcleo rígido do sistema jurídico.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É precisamente esse movimento que a proposta da Câmara promove. Ao reduzir a jornada semanal para 40 horas, instituir dois dias de repouso remunerado e determinar preservação integral de salários, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) não apenas amplia um direito social, mas, na prática, ela constitucionaliza uma determinada concepção de organização da produção, composição de custos empresariais e estrutura dos contratos laborais.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O problema é que nenhum desses elementos apresenta estabilidade suficiente para justificar elevação ao texto constitucional. A fragilidade da proposta decorre da premissa de que o constituinte é capaz de antecipar, por meio de uma regra uniforme, as necessidades de todos os setores econômicos. Trata-se de uma presunção difícil de sustentar em um País marcado por profundas diferenças regionais, produtivas e empresariais. &amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa disciplina constitucional passaria a alcançar, indistintamente, uma unidade de terapia intensiva, uma planta industrial de operação contínua, uma empresa familiar do comércio local ou um centro de desenvolvimento tecnológico. O resultado é a substituição da capacidade de adaptação por um modelo uniforme de observância obrigatória, justamente onde diversidade econômica recomenda soluções diferenciadas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não por acaso, a Constituição brasileira tradicionalmente adota outro caminho. O próprio sistema trabalhista brasileiro evoluiu nessa direção: a valorização da negociação coletiva, reconhecida pela Constituição, foi reforçada pela Reforma Trabalhista (Lei 13.467/17) e consolidada pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), no Tema 1046. A evolução decorre do reconhecimento de que determinadas escolhas regulatórias produzem resultados mais eficientes quando construídas pelos próprios trabalhadores e empregadores, que detêm conhecimento direto sobre suas necessidades, sobre as condições produtivas e econômicas de cada atividade. &amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A PEC caminha na direção oposta. Embora pareça preservar mecanismos de negociação, ela reduz drasticamente o espaço ao impor o modelo constitucional uniforme para todo o mercado de trabalho brasileiro. O resultado é uma inversão curiosa: quanto mais complexa e diversa a realidade econômica, mais rígida se torna a resposta jurídica.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Há, ainda, um aspecto menos debatido, mas que é particularmente revelador. A proposta parte da premissa de que a redução da jornada constitui um benefício de aplicação universal e imediata. Entretanto, o próprio texto reconhece, ainda que de forma implícita, a existência dos impactos econômicos relevantes decorrentes da mudança. Não por acaso, ela prevê mecanismos específicos de recomposição do equilíbrio econômico-financeiro para contratos administrativos, concessões, permissões e parcerias firmadas com o Poder Público.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa previsão evidencia uma contradição, porque se o legislador reconhece que a alteração constitucional pode afetar substancialmente a equação econômica dos contratos públicos — a ponto de justificar mecanismos excepcionais de reequilíbrio —, ele admite, por consequência lógica, que essa mesma alteração produzirá efeitos semelhantes sobre relações jurídicas privadas estruturadas sob as condições normativas atualmente vigentes. O resultado previsível dessas fragilidades é a judicialização. &amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não é difícil imaginar o cenário: discussões sobre reequilíbrio contratual, revisão de preços, recomposição de margens, validade de cláusulas coletivas, alcance temporal da nova norma e compatibilidade de escalas já pactuadas tendem a se multiplicar.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Paradoxalmente, uma proposta concebida para ampliar proteção social pode acabar produzindo um cenário prolongado de incerteza regulatória, litigiosidade e severos reflexos sobre a economia. Há também uma dimensão constitucional que merece especial atenção. Direitos fundamentais não são protegidos apenas quando novos são criados, mas também são protegidos quando o ordenamento preserva elementos como a estabilidade normativa, a previsibilidade, confiança legítima e competitividade para o País.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A segurança jurídica não constitui um interesse setorial ou empresarial; trata-se de um princípio estruturante do Estado de direito. Investimentos, contratações, expansão de atividades e desenvolvimento tecnológico são planejados com base em expectativas normativas minimamente estáveis. Mudanças estruturais dessa magnitude exigem mecanismos compatíveis com os efeitos que produzem sobre relações jurídicas já constituídas. Quando uma alteração constitucional gera impactos amplos e simultâneos, a confiança é inevitavelmente afetada.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Não significa que a discussão sobre a redução de jornada deva ser interditada. Pelo contrário. Mudanças tecnológicas, novas formas de organização laboral e ganhos de produtividade justificam o debate sobre novos modelos de jornada. O equívoco está em conduzir uma discussão com potencial para produzir efeitos estruturais sobre o mercado de trabalho, a atividade econômica e a segurança jurídica de forma açodada, em um ano eleitoral e sem a profundidade técnica que o tema exige.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma Constituição forte não é aquela que pretende resolver todas as questões da vida, mas a que estabelece fundamentos duradouros para que a sociedade possa enfrentá-las democraticamente no tempo. A proteção ao trabalhador é um objetivo legítimo e necessário. O desafio é alcançá-lo sem transformar escolhas econômicas contingentes em potenciais conflitos em prejuízo à sociedade. &amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Com a palavra, o Senado.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;*Sylvia Lorena é Superintendente de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ivo Dall’Acqua Jr. é presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Artigo publicado originalmente no &lt;a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/por-que-o-senado-deve-olhar-alem-da-jornada" target="_blank" rel="noopener noreferrer"&gt;Portal Jota&lt;/a&gt; em 22 de junho de 2026.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Mon, 22 Jun 2026 09:18:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[O Brasil das novas gerações]]</title><link>https://www.fecomercio.com.br/public/noticia/o-brasil-das-novas-geracoes</link><description>&lt;![CDATA[Entre avanços e desafios, País precisa fortalecer instituições, investir em educação e acelerar sua modernização]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p id="isPasted"&gt;&lt;em id="isPasted"&gt;Abram Szajman*&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Instituições, assim como as pessoas, são definidas pela forma como respondem às transformações do seu tempo. Algumas se acomodam às circunstâncias; outras encontram na constante reinvenção a razão de sua existência.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ao longo dos últimos quarenta anos, o Brasil passou por crises econômicas e vivenciou avanços sociais e intensos debates políticos. O cotidiano das empresas foi redesenhado por forças que poucos poderiam prever. Em muitos aspectos, o País avançou; em outros, continua emparedado por mazelas históricas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em meio a essas transformações, a FecomercioSP, o Sesc-SP e o Senac-SP procuraram acompanhar e, muitas vezes, antecipar mudanças, mantendo-se fiéis à sua missão de representar, qualificar e contribuir para uma sociedade mais próspera. Às vésperas de uma transição em sua liderança, compartilho algumas reflexões sobre essa trajetória.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Dos anos 1980 aos dias de hoje, a população brasileira quase dobrou, superando os 213 milhões de habitantes. O envelhecimento se acentuou, ampliando os percalços da Previdência pública: a expectativa de vida, antes em torno de 62 a 63 anos, saltou para 76 anos. As desigualdades, infelizmente, permanecem elevadas.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Constituição de 1988 e a volta da eleição direta para a Presidência da República despertaram esperanças que ainda não vingaram por inteiro. A hiperinflação foi contida pelo Plano Real, ao passo que a abertura comercial inseriu nossa economia no mundo globalizado, enquanto o avanço tecnológico e a digitalização incluíram milhões de pessoas nos mercados de trabalho e de consumo. Ao mesmo tempo, a baixa produtividade, a burocracia e as sucessivas mudanças regulatórias de um Estado caro se refletiram em taxas de crescimento aquém de nossas necessidades.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Muitas conquistas, porém, foram alcançadas, e as três instituições podem se orgulhar de terem compreendido o advento da economia do conhecimento. A valorização das pequenas empresas, o permanente diálogo entre capital e trabalho e as promoções do bem-estar e da formação profissional possibilitaram adaptar os trabalhadores e as empresas a uma sociedade ávida por novidades. Muito nos orgulha ver que a expansão de nossa rede física garantiu a multiplicação do atendimento em programas de educação, saúde, alimentação, esporte, cultura, turismo, lazer e, acima de tudo, cidadania.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Algumas das bandeiras que desfraldamos continuam na ordem do dia, como as reformas estruturais do Estado, em especial a Reforma Administrativa, crucial para destravar a lenta modernização do País. Além disso, carências históricas precisam ser combatidas, como os déficits da educação básica.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;As turbulências políticas durante os últimos dez anos desorganizaram o debate público, provocando uma constante tensão entre os Poderes, em aberto teste à solidez das instituições democráticas. É fundamental que, nas eleições deste ano, a discussão de projetos para o Brasil prevaleça sobre a polarização ideológica estéril.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Neste momento de passar o bastão às novas lideranças empresariais forjadas na defesa da liberdade para empreender, saúdo o presidente eleito, Ivo Dall’Acqua Júnior, homem preparado e conhecedor das questões do Direito do Trabalho, da cultura e da educação profissional. À frente da presidência da FecomercioSP e dos conselhos regionais do Sesc-SP e do Senac-SP, caberá a ele liderar nossa contribuição para um Brasil desenvolvido e socialmente justo. Afinal, muito se fez, mas muito ainda há de ser feito.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Abram Szajman é presidente da FecomercioSP e dos Conselhos Regionais do Sesc-SP e do Senac-SP&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Artigo publicado originalmente no portal Poder360.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Mon, 22 Jun 2026 09:09:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Tecnologia e trabalho em pauta na Organização Internacional do Trabalho]]</title><link>https://www.fecomercio.com.br/public/noticia/tecnologia-e-trabalho-em-pauta-na-organizacao-internacional-do-trabalho</link><description>&lt;![CDATA[IA está no centro da modernização laboral, ao automatizar tarefas e acelerar decisões para elevar a produtividade]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p id="isPasted"&gt;&lt;em&gt;*Ivo Dall’Acqua Jr.&lt;/em&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Poucas vezes a tecnologia avançou com tanta velocidade sobre o cotidiano do setor produtivo. Não são mudanças incrementais, mas transformação estrutural na forma como produzimos e organizamos a economia. &amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como toda grande transformação, se exige responsabilidade.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O trabalho mediado por plataformas digitais é, hoje, um dos temas centrais da 114ª Conferência Internacional do Trabalho da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, na Suíça, de onde faço essas reflexões.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A Inteligência Artificial (IA) está no centro do processo. Ao automatizar tarefas, analisar dados e acelerar decisões, ela entrega às empresas um ativo essencial: a produtividade. A tecnologia permite negócios mais preparados para responder a mercados cada vez mais dinâmicos. Ao abordar esses impactos, o diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo, fez um alerta oportuno na abertura do encontro. &amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;“As escolhas que fizermos hoje determinarão se a IA ampliará as oportunidades e prosperidade compartilhada ou se aprofundará desigualdades e insegurança”. Ele acredita que o futuro do trabalho não será determinado só pela tecnologia, mas pelas políticas, pelas instituições e pelo diálogo social que o orientam.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um dos aspectos implícitos na discussão é a chamada subordinação algorítmica. É quando sistemas baseados em IA distribuem tarefas, monitoram desempenho e influenciam decisões de trabalho. Nas plataformas digitais, esse fenômeno é ainda mais evidente. &lt;a href="https://fecomercio.com.br/noticia/fecomerciosp-lanca-livro-na-proxima-semana-sobre-o-impacto-dos-algoritmos-para-a-gestao-trabalhista"&gt;Como observa o sociólogo José Pastore, presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da FecomercioSP&lt;/a&gt;, os algoritmos exercem funções tradicionalmente associadas à gestão: acompanhando jornadas, avaliando resultados, atribuindo métricas de performance e orientando decisões operacionais. &amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;[veja_tambem]&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Embora essa realidade faça parte do cotidiano, ainda não há tratamento claro no ordenamento jurídico brasileiro. A consequência é um cenário de insegurança jurídica, marcado por interpretações divergentes e decisões contraditórias. As plataformas digitais operam com base em flexibilidade, autonomia e liberdade de organização do tempo de trabalho. Ignorar essa característica é tão inadequado quanto desconsiderar a necessidade de proteção social. A questão é encontrar um equilíbrio que proteja o trabalhador sem impor, automaticamente, a rigidez do modelo tradicional previsto na CLT.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na OIT, esse tema está sendo discutido em uma agenda estruturada em quatro pilares: direitos, emprego e competências, proteção social e diálogo social. A abordagem reconhece a necessidade de colocar as pessoas no centro das decisões sem sufocar a inovação. Os debates em Genebra mostram que não há consenso internacional sobre regulamentação imediata do trabalho mediado por aplicativos. &amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Na conferência do ano passado, países como os Estados Unidos, China e Índia defenderam cautela, argumentando que ainda não se conhecem plenamente os reflexos desses modelos nem o número exato de pessoas que deles dependem. Só na Índia, cerca de 50 milhões de trabalhadores obtêm renda por meio dessas atividades, por exemplo.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Outro ponto relevante diz respeito à proteção social: milhões de brasileiros(as) complementam renda ou dependem do trabalho em plataformas. É por isso que o debate não deve ser reduzido à escolha entre vínculo empregatício e ausência de proteção. Há espaço para construirmos mecanismos de proteção social compatíveis com novas formas de ocupação, sem descaracterizar a autonomia. &amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Como tem defendido Pastore, não é necessário enquadrar automaticamente todas as formas de trabalho autônomo em vínculos empregatícios para ampliar a proteção dos trabalhadores. A inovação institucional, especialmente no campo dos seguros sociais e da previdência, pode ser tão importante quanto a inovação tecnológica. &amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nesse contexto, a negociação coletiva, o diálogo social e uma governança da IA baseada em responsabilização e supervisão humana tendem a ganhar mais relevância. Mas esses princípios devem caminhar ao lado da segurança jurídica e da competitividade, elementos fundamentais para a geração de investimentos e empregos. Afinal de contas, quando falamos de trabalho, estamos falando do futuro das empresas, dos trabalhadores e da economia. E isso exige prudência, equilíbrio e compromisso.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;*Ivo Dall’Acqua Jr. é presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Artigo publicado no jornal Correio Braziliense em 15 de junho de 2026.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Mon, 15 Jun 2026 08:39:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[NR-1 e riscos psicossociais: o novo desafio da gestão empresarial para a sustentabilidade]]</title><link>https://www.fecomercio.com.br/public/noticia/nr-1-e-riscos-psicossociais-o-novo-desafio-da-gestao-empresarial-para-a-sustentabilidade</link><description>&lt;![CDATA[Nova regulamentação amplia exigências no ambiente de trabalho e impõe obstáculos de governança, custos e ‘compliance’, sobretudo para pequenas e médias empresas ]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p id="isPasted"&gt;&lt;em&gt;Por José Goldemberg, Alexsandra Ricci e Cristiane Cortez*&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A entrada em vigor da nova Norma Regulamentadora 1 (NR-1), com a inclusão expressa dos fatores de risco psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais, inova as relações de trabalho no Brasil. A partir de agora, questões como estresse ocupacional, pressão excessiva, jornadas exaustivas, falta de suporte organizacional e assédio moral deixam de ser tratadas apenas sob a ótica comportamental ou legal e passam a integrar formalmente a agenda de Segurança e Saúde no Trabalho (SST).&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A mudança exige que as empresas incluam os riscos psicossociais em seus Programas de Gerenciamento de Riscos (PGRs), identificando, avaliando e documentando situações capazes de comprometer a saúde mental dos trabalhadores. O desafio é amplo, em especial para Pequenas e Médias Empresas (PMEs), que, muitas vezes, não contam com estrutura técnica especializada nem clareza acerca de quais critérios serão utilizados pela fiscalização para aferir a adaptação das medidas adotadas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O próprio Ministério do Trabalho reconhece que o tema ainda gera dúvidas interpretativas. O guia de perguntas e respostas publicado pela pasta reforça que o gerenciamento deve considerar fatores relacionados à organização do trabalho, em linha com a NR-17, mas diversos conceitos permanecem abertos, ampliando a sensação de insegurança jurídica. A subjetividade inerente aos transtornos mentais torna ainda mais complexa a delimitação entre problemas decorrentes do ambiente laboral e fatores externos à atividade profissional.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Essa conjuntura preocupa, principalmente, os pequenos negócios, que poderão ter aumento de despesas com consultorias, treinamentos, documentação e implementação de controles internos. A exigência de produção de evidências sobre ações preventivas e corretivas também cria um novo ônus administrativo. Em muitos casos, o impasse não será apenas o de promover ações efetivas de saúde ocupacional, mas também o de comprovar documentalmente que estas existem e funcionam.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A intersecção entre assédio moral e riscos psicossociais é um ponto sensível. Mesmo que o assédio seja uma conduta ilícita individual, a nova NR-1 amplia a discussão ao reconhecer que determinadas formas de organização laboral podem favorecer ambientes adoecedores. Metas abusivas, pressão constante, isolamento organizacional e gestão baseada no medo podem configurar fatores de risco psicossocial, ainda que não exista uma prática explícita de assédio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os números ressaltam a relevância do tema. Dados do Tribunal Superior do Trabalho (TST) indicam que, nos últimos seis anos, a Justiça do Trabalho recebeu mais de 600 mil casos relacionados a assédio moral. O volume revela a judicialização crescente das relações laborais, bem como a necessidade de políticas preventivas mais estruturadas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ao mesmo tempo, a nova NR-1 dialoga diretamente com a pauta ESG. No eixo social, cresce a expectativa de que os negócios adotem práticas mais responsáveis de gestão de pessoas, promovendo ambientes psicologicamente seguros e sustentáveis. A saúde mental passa a ser observada não apenas como obrigação legal, mas como indicador de governança corporativa, reputação e sustentabilidade empresarial.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sob essa perspectiva, a norma também abre oportunidades. Empresas que investirem preventivamente em lideranças saudáveis, canais de escuta, programas de acolhimento e melhoria da organização do trabalho poderão reduzir afastamentos, aumentar produtividade e fortalecer sua imagem institucional. Em um contexto de crescente valorização do capital humano, ambientes laborais mais equilibrados tendem a se tornar diferencial competitivo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;* José Goldemberg é ex-ministro do Meio Ambiente e presidente do Conselho de Sustentabilidade da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP); Alexsandra Ricci e Cristiane Cortez são assessoras do mesmo conselho.&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Artigo originalmente publicado no&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;a href="https://dcomercio.com.br/publicacao/s/onibus-eletrico-opcao-eficiente-para-descarbonizar-grandes-centros-urbanos" target="_blank" rel="noopener noreferrer"&gt;&lt;em&gt;jornal Diário do Comércio&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;em 13 de maio de 2026.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Mon, 18 May 2026 12:03:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[Mais descanso ou mais consumo?]]</title><link>https://www.fecomercio.com.br/public/noticia/mais-descanso-ou-mais-consumo</link><description>&lt;![CDATA[Sem ganho de produtividade, reduzir jornadas pode elevar custos, pressionar preços e limitar crescimento, investimento e criação de empregos]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;&lt;em&gt;*Ivo Dall&amp;acute;Acqua J&amp;uacute;nior&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A discuss&amp;atilde;o sobre redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o de jornada e mudan&amp;ccedil;a de escalas de trabalho &amp;eacute; leg&amp;iacute;tima. Em sociedades democr&amp;aacute;ticas e desenvolvidas, &amp;eacute; natural que as pessoas busquem mais qualidade de vida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O debate carrega, por&amp;eacute;m, aspectos imprudentes e observados, at&amp;eacute; o momento, de forma enviesada. Um deles &amp;eacute; a ideia de que &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel trabalhar estruturalmente menos, produzir menos e, ainda assim, manter o padr&amp;atilde;o de consumo, o crescimento econ&amp;ocirc;mico e a gera&amp;ccedil;&amp;atilde;o de empregos. A hist&amp;oacute;ria econ&amp;ocirc;mica mostra o contr&amp;aacute;rio.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Toda sociedade precisa escolher, ainda que implicitamente, qual o equil&amp;iacute;brio desejado entre tempo livre e capacidade de consumo. Sem um aumento correspondente de produtividade, n&amp;atilde;o &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel alcan&amp;ccedil;ar simultaneamente mais descanso, mais renda, mais consumo, melhores servi&amp;ccedil;os p&amp;uacute;blicos e mais competitividade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A l&amp;oacute;gica econ&amp;ocirc;mica &amp;eacute; simples: o consumo de uma sociedade depende daquilo que ela produz. Produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o gera renda, renda gera consumo. Quando uma economia reduz estruturalmente suas horas trabalhadas sem um salto equivalente de produtividade, reduz tamb&amp;eacute;m capacidade de gerar riqueza. E, inevitavelmente, gera reflexos perversos &amp;mdash; sal&amp;aacute;rios menores, crescimento econ&amp;ocirc;mico mais baixo, menos competitividade e investimento, ou redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o do acesso a bens e servi&amp;ccedil;os.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;Eacute; ut&amp;oacute;pico considerar que o &amp;uacute;nico efeito da redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o da jornada seria o ganho imediato de bem-estar do trabalhador. H&amp;aacute; consequ&amp;ecirc;ncias indiretas relevantes, mas ignoradas (por distra&amp;ccedil;&amp;atilde;o ou delibera&amp;ccedil;&amp;atilde;o). Menos horas dispon&amp;iacute;veis de trabalho significam menor capacidade operacional das empresas, especialmente em setores intensivos em m&amp;atilde;o de obra, como com&amp;eacute;rcio, servi&amp;ccedil;os, transporte, sa&amp;uacute;de, turismo, alimenta&amp;ccedil;&amp;atilde;o e log&amp;iacute;stica.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em alguns setores altamente produtivos ou automatizados, parte desse impacto pode ser absorvida. Em economias emergentes, por&amp;eacute;m &amp;ndash; principalmente em pa&amp;iacute;ses de rendas m&amp;eacute;dia e baixa (como o Brasil) &amp;ndash; grande parte das empresas opera com margens apertadas, baixa escala e produtividade limitada. Nesses casos, o aumento do custo da m&amp;atilde;o de obra n&amp;atilde;o &amp;eacute; dilu&amp;iacute;do facilmente, sendo repassado aos pre&amp;ccedil;os e reduzindo investimentos ou, simplesmente, inviabilizando neg&amp;oacute;cios, sobretudo no Varejo e nos Servi&amp;ccedil;os. A consequ&amp;ecirc;ncia pr&amp;aacute;tica tende a aparecer no cotidiano da popula&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Uma sociedade que trabalha menos sem produzir mais tende a consumir menos e tem menos capacidade de poupar e investir.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Al&amp;eacute;m disso, a arrecada&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Estado n&amp;atilde;o fica fora dessa din&amp;acirc;mica. Previd&amp;ecirc;ncia, servi&amp;ccedil;os de sa&amp;uacute;de, universidades, infraestrutura e programas sociais dependem de arrecada&amp;ccedil;&amp;atilde;o, que est&amp;aacute; ligada &amp;agrave; atividade econ&amp;ocirc;mica. Uma economia menos din&amp;acirc;mica tende a arrecadar menos ou exigir aumento de carga tribut&amp;aacute;ria para sustentar o n&amp;iacute;vel de gasto p&amp;uacute;blico. O resultado costuma ser um c&amp;iacute;rculo vicioso: crescimento mais fraco, produtividade baixa e, sobretudo, aumento da press&amp;atilde;o fiscal.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ao longo da hist&amp;oacute;ria, as sociedades enriqueceram primeiro para, depois, conquistar mais tempo livre. A redu&amp;ccedil;&amp;atilde;o sustent&amp;aacute;vel das jornadas nos pa&amp;iacute;ses ricos ocorreu em ambientes de forte ganho de produtividade, avan&amp;ccedil;o tecnol&amp;oacute;gico e crescimento consistente da renda per capita. N&amp;atilde;o foi uma decis&amp;atilde;o isolada, desconectada da capacidade econ&amp;ocirc;mica.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;H&amp;aacute; uma diferen&amp;ccedil;a significativa entre uma sociedade rica que escolhe consumir parte de sua riqueza em mais lazer e uma sociedade ainda relativamente pobre que tenta antecipar padr&amp;otilde;es de descanso incompat&amp;iacute;veis com a pr&amp;oacute;pria produtividade. A primeira consegue sustentar esse modelo; a segunda corre o risco de empobrecer relativamente diante do restante do mundo.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Isso n&amp;atilde;o significa ignorar problemas reais de sa&amp;uacute;de mental e equil&amp;iacute;brio entre trabalho e vida pessoal. O ponto &amp;eacute; outro &amp;mdash; toda escolha econ&amp;ocirc;mica envolve&amp;nbsp;&lt;em&gt;trade-offs&lt;/em&gt;. N&amp;atilde;o &amp;eacute; poss&amp;iacute;vel aumentar simultaneamente descanso, consumo, competitividade, servi&amp;ccedil;os p&amp;uacute;blicos e renda sem que algu&amp;eacute;m produza e invista mais ou aumente produtividade.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A sociedade do descanso pode ser uma escolha leg&amp;iacute;tima. Mas n&amp;atilde;o &amp;eacute;, ao mesmo tempo, a sociedade do consumo elevado. Menos trabalho estrutural significa menos produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o; menos produ&amp;ccedil;&amp;atilde;o significa menos riqueza dispon&amp;iacute;vel; e menos riqueza dispon&amp;iacute;vel significa, inevitavelmente, menos capacidade de consumir. A verdadeira discuss&amp;atilde;o &amp;eacute; se estamos preparados para aceitar esse custo, porque ele existe e ignor&amp;aacute;-lo n&amp;atilde;o far&amp;aacute; com que desapare&amp;ccedil;a.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Cabe aos legisladores considerarem a centralidade da negocia&amp;ccedil;&amp;atilde;o coletiva nas mudan&amp;ccedil;as de jornada e remunera&amp;ccedil;&amp;atilde;o e a cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o de mecanismos de compensa&amp;ccedil;&amp;atilde;o econ&amp;ocirc;mica &amp;agrave;s empresas, al&amp;eacute;m da previs&amp;atilde;o de regras espec&amp;iacute;ficas para diferentes setores da economia.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nossas propostas partem do princ&amp;iacute;pio de que mudan&amp;ccedil;as estruturais no mercado laboral precisam considerar as diferen&amp;ccedil;as entre os setores, os impactos sobre custos e a capacidade real dos neg&amp;oacute;cios de absorverem novas obriga&amp;ccedil;&amp;otilde;es. Mais do que uma solu&amp;ccedil;&amp;atilde;o uniforme, defendem um modelo baseado em di&amp;aacute;logo e adapta&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave;s realidades econ&amp;ocirc;micas, de modo a preservar empregos, competitividade e atividade produtiva.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;*Ivo Dall&amp;acute;Acqua J&amp;uacute;nior &amp;eacute; presidente em exerc&amp;iacute;cio da Federa&amp;ccedil;&amp;atilde;o do Com&amp;eacute;rcio de Bens, Servi&amp;ccedil;os e Turismo do Estado de S&amp;atilde;o Paulo (FecomercioSP)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Artigo publicado originalmente no portal Poder360 em 18 de maio de 2026.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Mon, 18 May 2026 11:52:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item><item><title>&lt;![CDATA[O Brasil que insiste em funcionar]]</title><link>https://www.fecomercio.com.br/public/noticia/o-brasil-que-insiste-em-funcionar</link><description>&lt;![CDATA[Semana S representa uma nação que capacita, acolhe, empreende, gera renda, promove cultura e cria oportunidades]]</description><content:encoded>&lt;![CDATA[&lt;p&gt;&lt;em id="isPasted"&gt;Abram Szajman e Ivo Dall’Acqua Júnior*&lt;/em&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em um momento no qual o Brasil discute produtividade, inovação, emprego e crescimento econômico, a Semana S, realizada de 12 a 17 de maio, coloca na vitrine uma nação que, muitas vezes, funciona silenciosamente, longe das polarizações, da demagogia e dos discursos fáceis.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Promovida pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), pelo Sesc, pelo Senac e pelas Federações do Comércio, a iniciativa reúne empresários, trabalhadores e sociedade para provar como educação, cultura, qualificação profissional e empreendedorismo podem caminhar de mãos dadas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os números dimensionam esse impacto. O Sesc São Paulo consolidou-se como uma das maiores redes de cultura, bem-estar e inclusão social do País. Com 44 unidades espalhadas pelo Estado, recebeu mais de 30 milhões de frequentadores em 2025, oferecendo atividades nas áreas de Cultura, Esporte, Lazer, Turismo Social, Saúde, Alimentação e Cidadania.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O Senac São Paulo, por sua vez, tornou-se referência em educação profissional conectada às transformações do mercado de trabalho, ao estimular a diversificação e apoiar a introdução de novas áreas do conhecimento, como Hotelaria, Gastronomia, Fotografia, Moda, Gestão Ambiental, entre outras. Além disso, formou milhões de profissionais em setores emergentes da economia, incentivando o desenvolvimento do setor do Comércio de bens, serviços e turismo. São 63 unidades educacionais, três campi universitários, dois hotéis-escola e mais de 1,6 mil títulos de cursos. Só em 2024, a instituição realizou mais de 2,1 milhões de atendimentos no Estado. O Programa Senac de Gratuidade (PSG) já beneficiou mais 2,3 milhões de pessoas com bolsas de estudo concedidas, ajudando a transformar trajetórias de vida.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Por trás dessas realizações, um setor que sustenta grande parte da economia brasileira. Por meio de uma rede de&amp;nbsp;mais de 130 sindicatos empresariais, a FecomercioSP representa cerca de 1,8 milhão de empresas paulistas, responsáveis por aproximadamente 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. São negócios que geram empregos, renda, arrecadação e oportunidades em todas as regiões do Estado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mas é impossível ignorar a dura realidade enfrentada pelo empreendedor brasileiro. Empreender no Brasil exige resiliência diária. O empresário convive com juros elevados, excesso de burocracia, alta carga tributária, insegurança jurídica e mudanças frequentes nas regras do jogo. Muitas vezes, pequenos e médios empreendedores gastam mais energia tentando sobreviver ao ambiente de negócios do que planejando expansão, inovação ou contratação de funcionários.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Discussões trabalhistas e econômicas legítimas precisam considerar também seus impactos sobre os setores produtivos, principalmente o Comércio e os Serviços, que concentram grande parte dos empregos formais nacionais. Sem diálogo, previsibilidade e segurança jurídica, o risco é ampliar custos e desestimular investimentos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;É justamente nesse ponto que a Semana S ganha relevância simbólica, representando um Brasil que capacita, acolhe, empreende, gera renda, promove cultura e cria oportunidades. Um Brasil que insiste em funcionar e avançar, apesar das dificuldades.&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Abram Szajman e Ivo Dall’Acqua Júnior são, respectivamente, presidente e presidente em exercício&amp;nbsp;&lt;/em&gt;da &lt;em&gt;Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)&amp;nbsp;&lt;/em&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;]]</content:encoded><pubDate>Mon, 11 May 2026 11:56:00 -0300</pubDate><category>&lt;![CDATA[Artigos]]</category></item></channel></rss>
