Economia
29/04/2026Impulsionado por um faturamento de R$ 2 bilhões das apostas, Serviços crescem em São Paulo
Segmento registrou segunda maior alta em janeiro, com crescimento anual de 44% e faturamento de R$ 2,2 bilhões
No ano passado, houve 25,2 milhões de CPFs únicos apostando nas plataformas autorizadas
O segmento de apostas online faturou R$ 2,2 bilhões em janeiro, de acordo com a Pesquisa Conjuntural do Setor de Serviços (PCSS), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). A atividade cresceu 44,4% no comparativo anual, atingindo a segunda maior alta do estudo e evidenciando a velocidade da sua expansão na economia digital. Em janeiro de 2025, as apostas online registravam faturamento de R$ 1,5 bilhão.
[TABELA 1]
Faturamento real do Setor de Serviços — janeiro de 2026
Fonte: FecomercioSP
Faturamento real do Setor de Serviços — janeiro de 2026
Fonte: FecomercioSP

De acordo com a FecomercioSP, mais do que um nicho específico, o segmento passou a se consolidar como um mercado relevante, com reflexos econômicos, regulatórios e sociais crescentes. Diante disso, a partir deste ano, a Entidade passa a fazer um acompanhamento da atividade dentro da PCSS, permitindo uma leitura mais precisa do seu crescimento e dos possíveis efeitos sobre o varejo e os serviços tradicionais.
Estimativas do Banco Central do Brasil (BCB), com base em transações via PIX, mostram que os fluxos mensais direcionados às plataformas de apostas oscilaram entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões ao longo de 2024. Embora esses valores representem o volume financeiro bruto — e não a receita líquida do setor —, evidenciam a elevada capacidade de absorção da renda familiar.
Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda apontam que, no ano passado, houve 25,2 milhões de CPFs únicos apostando nas plataformas autorizadas, com 100,8 milhões de contas ativas nas marcas/bets. No mesmo período, o Gross Gaming Revenue (GGR) do mercado regulado somou R$ 36,96 bilhões, com R$ 4,53 bilhões em destinações legais.
[TABELA 2]
Faturamento real do Setor de Serviços — acumulado no ano (2026)
Fonte: FecomercioSP
Faturamento real do Setor de Serviços — acumulado no ano (2026)
Fonte: FecomercioSP
Na avaliação da FecomercioSP, os números apontam para duas tendências principais: por um lado, o segmento está ampliando as receitas do setor de Serviços e movimentando plataformas digitais. Por outro, pode estar levando ao deslocamento de renda, pressionando o orçamento das famílias e reduzindo a demanda por bens e serviços em segmentos mais tradicionais, especialmente frente a juros elevados, crédito restrito e endividamento alto.
Além desses efeitos econômicos, a expansão do segmento ocorre em paralelo a entraves relevantes. Parte das operações ainda se dá por meio de plataformas não regulamentadas, muitas vezes sediadas no exterior, o que amplia os riscos ao consumidor. Nesses casos, não há garantias adequadas de proteção de dados, mecanismos eficazes de resolução de conflitos ou segurança na recuperação de valores. A atuação irregular também dificulta a fiscalização estatal, compromete a arrecadação e amplia perigos associados à lavagem de dinheiro e à evasão regulatória.
Por isso, o marco regulatório tem avançado no País. As apostas de cota fixa passaram a exigir autorização prévia da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) e, desde janeiro de 2025, apenas empresas autorizadas podem operar nacionalmente. Dentre as exigências, destaca-se a utilização do domínio bet.br, medida que contribui para diferenciar operadores regulares de plataformas ilegais. Como parte do esforço de fiscalização, o governo federal já promoveu o bloqueio de milhares de sites irregulares, reforçando a atuação no controle do mercado.
A Agenda Regulatória da SPA 2025–2026 também prevê aprimoramento do ambiente regulatório, com foco no fortalecimento da fiscalização, na revisão do regime sancionador e na ampliação de instrumentos de proteção ao consumidor, incluindo mecanismos de impedimento de apostadores e atendimento a familiares em situação de dependência (ludopatia).
Paralelamente, medidas específicas voltadas para a redução de riscos sociais e financeiros têm sido adotadas, como o Sistema Centralizado de Autoexclusão, que permite ao usuário bloquear voluntariamente seu acesso às apostas. Além, disso, há iniciativas de educação financeira conduzidas em parceria com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Universidade de Brasília (UnB), com foco na prevenção do endividamento e no uso responsável.
Além desses avanços institucionais, há evidências cada vez mais consistentes de que as apostas digitais estão associadas a endividamento, ansiedade, depressão e ruptura de vínculos familiares. Nesse contexto, o Ministério da Saúde lançou um guia nacional voltado para a conscientização e o enfrentamento desses impactos, enfatizando que o tema extrapola a dimensão econômica e demanda uma abordagem integrada de política pública.
Evolução dos Serviços
Em janeiro, o setor de Serviços na capital paulista faturou R$ 87,8 bilhões, um crescimento de 13,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Em termos monetários, o aumento representa aproximadamente R$ 10,4 bilhões a mais nas receitas do setor. Segundo a FecomercioSP, o resultado mostra que o os Serviços seguem sustentados por uma combinação de demanda empresarial, digitalização de atividades, terceirização de serviços e reorganização dos modelos de consumo e intermediação econômica.
Os principais destaques ficaram por conta das atividades de construção civil (57,3%); serviços de apostas online (44,4%); agenciamento, corretagem e intermediação (29,2%); e mercadologia e comunicação (24,1%). Segmentos de turismo, hospedagem e eventos (-7,4%) e técnico-científico (-1,4%), por sua vez, sofreram retração na comparação anual.
Juros e crédito restringem crescimento mais amplo
Na avaliação da FecomercioSP, o cenário macroeconômico segue impondo limites à continuidade de um crescimento mais disseminado, sobretudo diante do alto custo do capital, da seletividade do crédito e do avanço do comprometimento financeiro dos lares. Em outras palavras, embora haja expansão, esta ocorre em um ambiente de mais heterogeneidade, no qual nem todos os segmentos avançam com a mesma intensidade nem com a mesma qualidade.
Ademais, o ritmo de crescimento do setor ao longo de 2026 dependerá, em grande medida, da evolução da taxa de juros, do comportamento do mercado de trabalho e da preservação do poder de compra. Nesse contexto, a postura do empresariado precisará continuar sendo estratégica: revisar estruturas, racionalizar custos, fortalecer a gestão financeira e, simultaneamente, investir em inovação, digitalização e produtividade.
Além desses efeitos econômicos, a expansão do segmento ocorre em paralelo a entraves relevantes. Parte das operações ainda se dá por meio de plataformas não regulamentadas, muitas vezes sediadas no exterior, o que amplia os riscos ao consumidor. Nesses casos, não há garantias adequadas de proteção de dados, mecanismos eficazes de resolução de conflitos ou segurança na recuperação de valores. A atuação irregular também dificulta a fiscalização estatal, compromete a arrecadação e amplia perigos associados à lavagem de dinheiro e à evasão regulatória.
Por isso, o marco regulatório tem avançado no País. As apostas de cota fixa passaram a exigir autorização prévia da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) e, desde janeiro de 2025, apenas empresas autorizadas podem operar nacionalmente. Dentre as exigências, destaca-se a utilização do domínio bet.br, medida que contribui para diferenciar operadores regulares de plataformas ilegais. Como parte do esforço de fiscalização, o governo federal já promoveu o bloqueio de milhares de sites irregulares, reforçando a atuação no controle do mercado.
A Agenda Regulatória da SPA 2025–2026 também prevê aprimoramento do ambiente regulatório, com foco no fortalecimento da fiscalização, na revisão do regime sancionador e na ampliação de instrumentos de proteção ao consumidor, incluindo mecanismos de impedimento de apostadores e atendimento a familiares em situação de dependência (ludopatia).
Paralelamente, medidas específicas voltadas para a redução de riscos sociais e financeiros têm sido adotadas, como o Sistema Centralizado de Autoexclusão, que permite ao usuário bloquear voluntariamente seu acesso às apostas. Além, disso, há iniciativas de educação financeira conduzidas em parceria com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Universidade de Brasília (UnB), com foco na prevenção do endividamento e no uso responsável.
Além desses avanços institucionais, há evidências cada vez mais consistentes de que as apostas digitais estão associadas a endividamento, ansiedade, depressão e ruptura de vínculos familiares. Nesse contexto, o Ministério da Saúde lançou um guia nacional voltado para a conscientização e o enfrentamento desses impactos, enfatizando que o tema extrapola a dimensão econômica e demanda uma abordagem integrada de política pública.
Evolução dos Serviços
Em janeiro, o setor de Serviços na capital paulista faturou R$ 87,8 bilhões, um crescimento de 13,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Em termos monetários, o aumento representa aproximadamente R$ 10,4 bilhões a mais nas receitas do setor. Segundo a FecomercioSP, o resultado mostra que o os Serviços seguem sustentados por uma combinação de demanda empresarial, digitalização de atividades, terceirização de serviços e reorganização dos modelos de consumo e intermediação econômica.
Os principais destaques ficaram por conta das atividades de construção civil (57,3%); serviços de apostas online (44,4%); agenciamento, corretagem e intermediação (29,2%); e mercadologia e comunicação (24,1%). Segmentos de turismo, hospedagem e eventos (-7,4%) e técnico-científico (-1,4%), por sua vez, sofreram retração na comparação anual.
Juros e crédito restringem crescimento mais amplo
Na avaliação da FecomercioSP, o cenário macroeconômico segue impondo limites à continuidade de um crescimento mais disseminado, sobretudo diante do alto custo do capital, da seletividade do crédito e do avanço do comprometimento financeiro dos lares. Em outras palavras, embora haja expansão, esta ocorre em um ambiente de mais heterogeneidade, no qual nem todos os segmentos avançam com a mesma intensidade nem com a mesma qualidade.
Ademais, o ritmo de crescimento do setor ao longo de 2026 dependerá, em grande medida, da evolução da taxa de juros, do comportamento do mercado de trabalho e da preservação do poder de compra. Nesse contexto, a postura do empresariado precisará continuar sendo estratégica: revisar estruturas, racionalizar custos, fortalecer a gestão financeira e, simultaneamente, investir em inovação, digitalização e produtividade.