Notamos que você possui
um ad-blocker ativo!

Para acessar todo o conteúdo dessa página (imagens, infográficos, tabelas), por favor, sugerimos que desabilite o recurso.

Imprensa

05/03/2021

Materiais para construção e supermercados encabeçam crescimento de 3% do varejo paulista em 2020

Cálculos da FecomercioSP mostram que, sem o auxílio emergencial do governo federal, setor terminaria o ano em queda de 1,1%

Ajustar texto: A+A-

Os desempenhos positivos das lojas de materiais para construção e dos supermercados, além do benefício do auxílio emergencial, pago pelo governo federal entre abril e dezembro, foram determinantes para que o varejo paulista terminasse o ano de 2020 com alta de 3% no seu faturamento em comparação com o ano anterior, como mostra agora a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Ao final de 2020, o setor de construção registrou crescimento de 18,7% no seu faturamento, fechando o ano em R$ 67,6 bilhões, enquanto os supermercados tiveram aumento de 13,8%; faturando R$ 297,6 bilhões no período. Os números se explicam, de acordo com a FecomercioSP, pela demanda das famílias em meio à quarentena – seja para promover pequenas reformas para adequar as residências ao confinamento ou porque, diante das restrições impostas pelas autoridades, precisaram cozinhar mais em casa.

No total, o varejo paulista teve uma receita de R$ 814,7 bilhões em 2020 – o que significa um ganho de R$ 23,3 bilhões em relação a 2019.

Nos cálculos da Entidade, no entanto, o varejo do Estado de São Paulo teria queda de 1,1% no seu faturamento em um cenário sem o auxílio emergencial. O benefício, inicialmente de R$ 600 e depois de R$ 300, injetou R$ 32,4 bilhões na economia paulista entre abril e dezembro – ou seja, um montante que representa 4% de tudo o que o varejo faturou no ano.

O desempenho do varejo paulista em 2020, porém, foi marcado por resultados assimétricos, porque se por um lado as vendas das lojas de construção e dos supermercados cresceram, por outro, setores como o de vestuário, tecidos e calçados e as concessionárias de veículos registraram quedas expressivas: o primeiro perdeu um quinto do seu tamanho (-20,3) no ano passado – uma diferença de quase 40 pontos porcentuais em relação ao setor que mais faturou, enquanto o segundo encolheu 17,7%.

Depois de lojistas de construção e supermercados, os setores do varejo que mais cresceram foram farmácias e perfumarias (8,8%) e lojas de móveis e decoração (6,2%).

Dezembro puxa faturamento para cima

Um dos principais impactos sobre o desempenho do varejo paulista em 2020 foi o recorde alcançado em dezembro, quando o setor registrou o maior faturamento para o mês desde o início da série histórica da FecomercioSP, em 2008. O montante de R$ 87,3 bilhões representou um crescimento de 8,2% em comparação a dezembro de 2019.

O resultado também foi puxado pelas mesmas variáveis: as vendas dos lojistas de construção civil cresceram 39% no mês, enquanto as dos supermercados subiram 13,3%. No entanto, uma outra atividade chamou atenção no desempenho de dezembro: a de autopeças e acessórios para carros, que teve um faturamento de R$ 1,73 bilhão -- alta de 20,2% em relação ao mesmo mês de 2019.

Esse comportamento atípico da demanda nesta época do ano se explica, segundo a FecomercioSP, pelas alterações no perfil de consumo promovidas pelas medidas de restrição por causa da pandemia. Assim, ao invés de irem às compras de peças de vestuário, eletroeletrônicos e eletrodomésticos ou mesmo de cosméticos, como é usual, as famílias privilegiaram reparar ou reformar suas casas e aproveitar o dinheiro para consertar os veículos atuais (o que explica também a queda nas vendas de carros novos).

Ao injetar R$ 3,6 bilhões na economia paulista em dezembro, o governo federal, por meio do auxílio emergencial, impediu que o varejo tivesse um crescimento menor no mês, em torno de 3,7%.

Considerando as incertezas do cenário econômico em 2021, a FecomercioSP estima que o varejo no Estado de São Paulo termine o ano com crescimento de 1%, desde que o governo federal também dê sinais de comprometimento com a agenda fiscal, avance nas reformas – como a Administrativa, mais urgente – e apresente o projeto de privatizações.

Nota metodológica

A Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista no Estado de São Paulo (PCCV) utiliza dados da receita mensal informados pelas empresas varejistas ao governo paulista por meio de um convênio de cooperação técnica firmado entre a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

As informações, segmentadas em 16 Delegacias Regionais Tributárias da Secretaria, englobam todos os municípios paulistas e nove setores (autopeças e acessórios; concessionárias de veículos; farmácias e perfumarias; lojas de eletrodomésticos e eletrônicos e lojas de departamentos; lojas de móveis e decoração; lojas de vestuário, tecidos e calçados; materiais de construção; supermercados; e outras atividades).

Os dados brutos são tratados tecnicamente de forma a se apurar o valor real das vendas em cada atividade e o seu volume total em cada região. Após a consolidação dessas informações, são obtidos os resultados de desempenho de todo o Estado.