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Sustentabilidade

20/03/2014

Setores apresentam resultados da coleta de resíduos sólidos

Fabricantes de pneus, lubrificantes automotivos, agrotóxicos, pilhas e baterias já têm programas para recolher e destinar corretamente esses materiais

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Setores apresentam resultados da coleta de resíduos sólidos


Sancionada em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) tem 2014 como prazo final para a sua implantação no País. Entre os principais pontos definidos pela lei estão o fechamento de lixões, o encaminhamento apenas de rejeitos aos aterros sanitários, a elaboração de planos de resíduos sólidos nos municípios e a logística reversa. Esta última determina que as embalagens descartadas sejam de responsabilidade dos fabricantes e dos importadores, que devem criar um sistema para a destinação ambientalmente adequada, que inclui possibilidades de reutilização ou reciclagem do produto. 

Alguns setores empresariais, como fabricantes de pneus e de lubrificantes automotivos, possuem dados concretos de material coletado e destinado à reciclagem ou descarte ecologicamente correto. 


Mais de 80 milhões de pneus recolhidos só em 2013 

No caso dos fabricantes de pneus, por exemplo, de janeiro a dezembro de 2013, foram coletados em todo Brasil  mais de 404 mil toneladas de pneus inservíveis, quantia que equivale a 80,8 milhões de unidades de pneus de carros de passeio. O material foi descartado de forma ambientalmente correta, informa a Reciclanip, entidade nacional criada por fabricantes para cuidar exclusivamente da coleta e destinação de pneus inservíveis (aqueles que não têm mais condições de serem utilizados para circulação ou reforma). 

Desde 1999, quando começou a coleta pelos fabricantes no país, 2,68 milhões de toneladas de pneus inservíveis foram coletados e destinados adequadamente, o equivalente a 536 milhões de pneus de passeio. Desde então, os fabricantes de pneus já investiram R$ 551 milhões no programa até dezembro de 2013. 


Maior gasto é em logística 

“A previsão de investimento para 2014 é de R$ 99 milhões, valor superior ao investido no ano passado. Esses recursos são utilizados para os gastos logísticos, que hoje representam mais de 60% dos nossos pagamentos, e também para todos os investimentos de destinações. Temos hoje 819 pontos de coleta e uma média de 70 caminhões transitando diariamente, em todos os dias do ano”, explica o presidente da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos(Anip) e da Reciclanip,  Alberto Mayer. 

Os 819 pontos de coleta estão distribuídos em todos os estados e Distrito Federal e foram criados em parceria com as prefeituras, que cedem os terrenos dentro das normas específicas de segurança e higiene para receber os pneus inservíveis vindos de origens diversas. O responsável pelo ponto de coleta comunica a Reciclanip sobre a necessidade de retirada do material quando atinge a quantidade de dois mil pneus de passeio ou 300 pneus de caminhões. A partir daí, a entidade programa a retirada do material com os transportadores conveniados. 


Programa Jogue Limpo 

Primeiro segmento a aderir a um acordo setorial para a logística reversa, os produtores de óleos lubrificantes apresentam o resultado da coleta das embalagens vazias do produto. Em 2012, por meio do Programa Jogue Limpo, sistema de âmbito nacional  estruturado e disponibilizado pelos fabricantes, importadores e distribuidores de lubrificantes, foram enviados 383,5 milhões de litros de óleo lubrificante para processamento de rerrefino. Já em relação às embalagens destes produtos, o site informa que desde o começo do programa, foram utilizadas e recicladas 261 milhões de unidades. A primeira unidade de coleta entrou em funcionamento em 2005. 

As embalagens devolvidas pelos consumidores aos canais de revenda, assim como aquelas por estes geradas, são entregues pelos comerciantes diretamente às Centrais ou aos Caminhões de Recebimento que também os direcionam para esses centros de recebimento. Nesses centros as embalagens plásticas recebem um tratamento inicial e são enviadas para as empresas recicladoras licenciadas. 


Embalagens de agrotóxicos 

Há também os setores que possuem legislação anterior à Política Nacional de Resíduos Sólidos, determinando o descarte correto de material. É o caso das embalagens de agrotóxicos. A Lei Federal nº 9.974/2000 e o Decreto Federal nº 4.074/2002 disciplinam a gestão pós-consumo das embalagens vazias dos produtos e atribui a cada elo da cadeia (agricultores, fabricantes e canais de distribuição, com apoio do poder público) responsabilidades compartilhadas que possibilitam a logística reversa das embalagens vazias. 

No primeiro semestre de 2013, foram encaminhadas para o destino ambientalmente correto 21 mil toneladas de embalagens vazias de agrotóxicos em todo o País. A quantidade representa um crescimento de 9% em relação ao mesmo período de 2012, quando foram encaminhadas 19, 5 mil. Os dados são do Sistema Campo Limpo, formado por agricultores, canais de distribuição e fabricantes, que recebe o apoio do poder público e do inpEV – Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, entidade sem fins lucrativos criada pela indústria fabricante de agrotóxicos para realizar o gerenciamento das embalagens. 

João Cesar Rando, diretor presidente do inpEV, afirma que o envolvimento dos quatro elos da cadeia agrícola e o funcionamento eficaz do Sistema Campo Limpo trazem benefícios ambientais crescentes. De acordo com o quinto estudo de socioecoeficiência realizado pela Fundação Espaço ECO, por encomenda do instituto, entre 2002 e 2012, o sistema permitiu, por exemplo, que o país deixasse de gastar energia elétrica equivalente ao abastecimento de 1,4 milhão de casas e evitou o consumo de um volume de água equivalente a 36 milhões de caixas de água. 

As pilhas e baterias formam outro grupo de produtos que possui legislação específica para seu descarte, conforme a resolução CONAMA 401, de 2008. Para seu recolhimento e destinação adequados, fabricantes e importadores de pilhas e baterias portáteis uniram esforços e criaram o Programa ABINEE Recebe Pilhas. O projeto implantou os sistemas de logística reversa e destinação final, após o fim da vida útil, das pilhas comuns de zinco-manganês, pilhas alcalinas, pilhas recarregáveis e baterias portáteis. Desde o início de suas atividades, foram 5,6 mil toneladas de material coletado.