Sindicatos
17/03/2026Sindicato de Taubaté defende negociação coletiva no debate sobre escala 6x1
Presidente da entidade, Dan Guinsburg, participa de seminário da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, em Brasília, e alerta para riscos econômicos de mudanças realizadas sem diálogo com os setores produtivos
O debate sobre a redução da jornada de trabalho e o possível fim da escala 6x1 chegou ao Congresso Nacional com participação ativa do setor produtivo. O Sindicato do Comércio Varejista de Taubaté e Região (Sincovat) esteve presente nas discussões em Brasília e reforçou a importância de preservar a negociação coletiva como instrumento central para tratar do tema.
Representando a entidade, o presidente do Sincovat, Dan Guinsburg, participou do seminário promovido pela Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo (FPE), realizado na última terça-feira (11). Na ocasião, ele destacou que qualquer alteração na organização da jornada de trabalho precisa considerar as realidades específicas de cada setor e atividade econômica.
Guinsburg também atua como vice-presidente do Conselho do Comércio Varejista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), entidade que participou do debate ao lado de representantes empresariais e especialistas. Durante a reunião, foram discutidas as Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que tratam da redução da jornada e do fim da escala 6x1.
Visão do Sindicato
Segundo o presidente do Sindicato, o tema é legítimo, mas exige cautela para evitar prejuízos para as empresas e o emprego. “É perfeitamente possível fazer essa adequação. As empresas analisam sua produtividade, avaliam como mantê-la e verificam de que forma podem ajustar as jornadas. As convenções coletivas são justamente o instrumento que permite isso e possibilita, por exemplo, que setores como o Turismo abram em feriados e atendam o público”, afirmou.
A posição defendida pelo Sincovat também foi reforçada por especialistas presentes no seminário. O professor André Portela, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), avaliou que eventuais alterações na jornada poderiam ocorrer no curto prazo, desde que conduzidas por meio de negociações coletivas entre empresas e trabalhadores. De acordo com ele, esse caminho tende a ser mais eficiente do que a adoção de mudanças rígidas por meio das PECs ou dos projetos de lei em tramitação no Congresso.
De modo geral, as entidades empresariais presentes no encontro defenderam que o debate siga o rito legislativo tradicional, com análise técnica nas comissões da Câmara e do Senado e participação ativa dos setores produtivos. A avaliação é que decisões estruturais sobre o mercado de trabalho devem ocorrer com base em diálogo e estudos econômicos, evitando que sejam influenciadas pelo calendário eleitoral.