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Negócios

Alteração de jornada de trabalho por lei vai prejudicar a economia

Empresários e parlamentares defendem diálogo antes de mudanças que podem elevar custos, afetar empregos e pressionar os pequenos negócios

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Empresários do Comércio lançam abaixo-assinado para levar ao Congresso Nacional (Crédito: Edilson Dias) Empresários do Comércio lançam abaixo-assinado para levar ao Congresso Nacional (Crédito: Edilson Dias)
CCV recebe os deputados estaduais no debate (Crédito: Edilson Dias) CCV recebe os deputados estaduais no debate (Crédito: Edilson Dias)
Dr. Ivo Dall'Acqua no discurso de abertura da reunião (Crédito: Edilson Dias) Dr. Ivo Dall'Acqua no discurso de abertura da reunião (Crédito: Edilson Dias)
Assessoria econômica apresenta os dados do estudo no CCV (Crédito: Edilson Dias) Assessoria econômica apresenta os dados do estudo no CCV (Crédito: Edilson Dias)
Deputada Adriana Ventura (Crédito: Edilson Dias) Deputada Adriana Ventura (Crédito: Edilson Dias)
Deputado Fausto Pinato (Crédito: Edilson Dias) Deputado Fausto Pinato (Crédito: Edilson Dias)
Membros assinam abaixo-assinado com a posição dos empresários do Comércio (Crédito: Edilson Dias) Membros assinam abaixo-assinado com a posição dos empresários do Comércio (Crédito: Edilson Dias)
Conselho do Comércio Varejista debate os impactos da redução da jornada na sede da FecomercioSP (Crédito) Conselho do Comércio Varejista debate os impactos da redução da jornada na sede da FecomercioSP (Crédito)
Empresários do Comércio lançam abaixo-assinado para levar ao Congresso Nacional (Crédito: Edilson Dias)
CCV recebe os deputados estaduais no debate (Crédito: Edilson Dias)
Dr. Ivo Dall'Acqua no discurso de abertura da reunião (Crédito: Edilson Dias)
Assessoria econômica apresenta os dados do estudo no CCV (Crédito: Edilson Dias)
Deputada Adriana Ventura (Crédito: Edilson Dias)
Deputado Fausto Pinato (Crédito: Edilson Dias)
Membros assinam abaixo-assinado com a posição dos empresários do Comércio (Crédito: Edilson Dias)
Conselho do Comércio Varejista debate os impactos da redução da jornada na sede da FecomercioSP (Crédito)

A proposta de alteração da jornada de trabalho foi pauta da última reunião do Conselho do Comércio Varejista (CCV) da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).  

Em um cenário de pressão eleitoral, empresários, lideranças do Comércio e parlamentares defenderam cautela, diálogo técnico e mais racionalidade do Poder Público antes de qualquer decisão sobre modelos como 5x2 ou 4x3.

A avaliação do setor é que reduzir jornada de trabalho sem considerar custos, produtividade e diferenças entre atividades pode afetar a competitividade das empresas, reduzir as contratações e pressionar, principalmente, os pequenos e médios negócios.

“Decisões apressadas e descoladas da realidade produtiva podem comprometer não apenas a sustentabilidade das empresas, mas também a geração de empregos, em especial entre os pequenos e médios negócios. Não podemos permitir que esse debate aconteça de forma superficial ou com viés eleitoral”, afirmou Antônio Deliza Neto, presidente do conselho.

Abaixo-assinado

A discussão levou os empresários do Varejo a iniciar uma mobilização institucional. Os membros do Conselho do Comércio Varejista lançaram um abaixo-assinado para levar ao Congresso Nacional a posição dos empresários do Comércio.

O documento pede a ampliação do debate sobre as propostas de alteração da jornada, a abertura de diálogo direto com parlamentares e o adiamento de decisões consideradas precipitadas.

A iniciativa também defende que eventuais mudanças sejam analisadas com base em dados técnicos, levando em conta impactos sobre custos, emprego, competitividade e sustentabilidade das empresas.

Para o setor, qualquer ajuste deve ser construído de forma equilibrada, mediante negociação coletiva, preservando a geração de empregos e a viabilidade dos negócios.

FecomercioSP defende negociação coletiva

A Federação afirma não ser contrária ao debate sobre jornada, mas sustenta que mudanças dessa natureza precisam respeitar a realidade econômica do País e as especificidades de cada setor.

Os estudos apresentados pela Entidade indicam que a redução da jornada para 40 horas semanais pode elevar os custos em até R$ 158 bilhões na folha de pagamento, podendo chegar a cifras ainda mais elevadas em cenários mais amplos de redução. A medida afetaria diretamente cerca de 62% dos trabalhadores formais do País, com mais reflexos em setores intensivos em mão de obra, como Comércio e Serviços. Além disso, a diminuição da jornada sem redução salarial implicaria aumento de aproximadamente 10% no custo da hora trabalhada, pressionando margens já reduzidas, principalmente entre as Pequenas e Médias Empresas (PMEs).

A preocupação é que a medida, se aprovada sem ajustes, produza efeito contrário ao pretendido: menos contratações, mais pressão sobre empresas e perda de competitividade. Na avaliação da FecomercioSP, o caminho mais adequado é a negociação coletiva, mecanismo que já permite ajustar jornadas conforme as condições de cada atividade, região e categoria.

Parlamentares cobram responsabilidade

Entre os deputados estaduais que participaram da reunião, houve convergência de que o debate precisa ser feito com dados, responsabilidade e sem pressa.

A deputada Adriana Ventura (Novo/SP) classificou o momento como inadequado para mudanças dessa magnitude. “A discussão da escala 6x1 está contaminada por um ano eleitoral, é uma proposta fora de hora.” Também alertou para o ambiente político em torno do tema: “Poucos parlamentares teriam coragem de votar contra uma proposta dessa em ano eleitoral”.

Na mesma linha, o deputado Fausto Pinato (Progressistas/SP) defendeu que o debate saia do campo ideológico e considere os efeitos reais sobre a economia. “Eu não estou aqui para defender o empregador ou o empregado. Estou aqui para defender o Brasil.” Segundo ele, a expectativa negativa já pesa sobre o ambiente de negócios. “A economia vive de expectativa, e essa expectativa, hoje, é negativa. Vai aumentar o número de demissões. E quem vai pagar essa conta?”

Participando por vídeo, a deputada Bia Kicis (PL/RJ) também criticou a condução apressada do tema. Ela acredita que a redução da jornada em países desenvolvidos ocorreu como consequência de ganhos de produtividade, e não por imposição legal. “Reduzir a jornada na marra vai trazer mais produtividade? Uma legislação como essa, de forma apressada, pode trazer mais prejuízos do que benefícios.”

O encontro ressaltou a necessidade de mais racionalidade do Poder Público, por meio do diálogo estruturado com o setor produtivo e de análise técnica dos impactos.

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