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Negócios

Fim da escala 6x1: custo de até R$ 610 bilhões na folha penalizará quem mais gera empregos

Em reunião com parlamentares, Conselho do Comércio Atacadista da FecomercioSP alerta que pequenos negócios terão pouca capacidade de absorver aumento de 22% na hora trabalhada

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Fim da escala 6x1: custo de até R$ 610 bilhões na folha penalizará quem mais gera empregos
A vereadora paulistana Cris Monteiro (Novo/SP), ao lado do presidente do Conselho do Comércio Atacadista, Ronaldo Jamar Taboada

A proposta de redução da jornada de trabalho surge em um momento inadequado, com pouco espaço para aprofundar o debate antes de qualquer avanço. Nas palavras do deputado federal Gilberto Nascimento (Podemos/SP), o que mais preocupa é a tentativa de acelerar uma discussão que afeta diretamente quem paga a conta. “Não dá para votar um tema dessa magnitude sem ouvir o setor produtivo. É um assunto que exige maturidade e participação ampla”, advertiu, durante reunião do Conselho do Comércio Atacadista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), realizada n última terça-feira (14).

A Federação tem atuado intensamente no Congresso Nacional, ao lado do setor produtivo, para tentar mudar o rumo da discussão. A reunião do conselho foi mais uma oportunidade de juntar um núcleo de lideranças empresariais, representantes sindicais e parlamentares para buscar equilíbrio, evitar uma votação açodada e sensibilizar autoridades públicas. A reunião também contou com a presença da vereadora paulistana Cris Monteiro (Novo/SP).

A proposta em debate prevê a redução da jornada semanal para 36 horas, distribuídas em quatro dias, mediante alteração constitucional. Pelos cálculos apresentados, essa mudança pode elevar o custo da hora trabalhada em mais de 22%, mesmo com redução de 18,2% na carga horária.

O deputado Nascimento também destacou que propostas com forte apelo popular, como a redução da jornada com manutenção de renda, tendem a ganhar apoio rápido, mas precisam ser analisadas com responsabilidade. “É um discurso fácil de aceitar, mas difícil de sustentar na prática”, complementou. 

Segundo a vereadora Cris, é fundamental pensar nos efeitos sobre os pequenos negócios. “Tenho olhado com cuidado para a dor do pequeno empresário. Medidas que aumentem custos podem empurrar parte da atividade para a informalidade. A conta chega, e quem produz precisa ser valorizado”, disse. Para ela, a construção técnica de uma solução não pode abrir mão das políticas baseadas em evidências e da participação social. “Quando sociedade civil e Poder Público caminham juntos, o resultado aparece”, afirmou.

A análise técnica que a FecomercioSP tem levado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara é de que haverá um custo de R$ 158 bilhões sobre a folha de pagamentos de empresas do País caso o projeto de reduzir a jornada legal de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas vá adiante. Esse montante seria ainda maior (de R$ 610 bilhões) se a proposta de diminuir a jornada para 36 horas semanais triunfar.

Os dados também indicam reflexos macroeconômicos preocupantes, como a queda de até 6% no Produto Interno Bruto (PIB) e a redução de 1,2 milhão de postos de trabalho, além de reflexos diretos sobre setores intensivos em mão de obra, como Comércio, Serviços e Turismo

Outro ponto sensível está na produtividade. Enquanto países desenvolvidos apresentam produção por hora acima de US$ 60, o Brasil ainda gira em torno de US$ 17, o que limita a capacidade de absorver mudanças estruturais sem efeitos colaterais. Essas nações realizaram mudanças na jornada e na carga horária de trabalho com cuidado, à medida que a produtividade avançava ao longo de décadas.

Os indicadores foram apresentados pelos assessores econômicos Fabio Pina e Thiago Carvalho. Para o presidente do Conselho do Comércio Atacadista, Ronaldo Jamar Taboada, o diálogo institucional é determinante para que as preocupações do setor produtivo sejam ouvidas no Congresso. “A FecomercioSP segue aberta à construção conjunta de soluções. A presença de representantes do Legislativo qualifica o debate e aproxima as decisões da realidade de quem empreende”, concluiu.

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