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Negócios

19/10/2021

Brasil não pode se limitar a ser apenas usuário da Inteligência Artificial, defendem especialistas

Evento da FecomercioSP debate como a incorporação de soluções e tecnologias de IA pode gerar um ambiente mais inovador e oportuno às necessidades das empresas

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Brasil não pode se limitar a ser apenas usuário da Inteligência Artificial, defendem especialistas

Brasil corre o risco de não acompanhar o ritmo de avanço de outras nações que têm a IA como pilar de inovação
(Arte: TUTU)

Para termos uma economia mais relevante internacionalmente, é essencial que o Brasil seja um participante ativo no desenvolvimento de tecnologias de Inteligência Artificial (IA). Para tanto, é fundamental que se destrave o investimento privado e que se amplie o investimento público, defende o professor titular do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), Glauco Arbix. Em evento realizado pela FecomercioSP sobre o tema, Arbix explica que este protagonismo estaria alinhado às possibilidades de negócios que tornam o País um centro de tecnologias únicas para os setores agro, saúde e biodiversidade. 

“O Brasil não é pioneiro na maioria dos casos, não trabalha ‘na fronteira’. Então, é importante consolidar os pequenos passos que conseguimos dar, pois não podemos ser apenas usuários da IA. Quem dita as regras são os países que produzem a tecnologia, não aqueles que apenas a utilizam. O País não pode ser somente uma nação que fala de inovação, mas que não inova. Este é o problema-chave para a nossa economia de baixo desempenho. Esta é a agenda econômica para elevar a produtividade das empresas”, sinaliza. 

O professor participou de um evento realizado pela FecomercioSP para debater como a IA irá gerar competitividade para o mercado brasileiro e impulsionar a economia nacional. O tema tem sido acompanhando de perto pela Federação – que, inclusive, encaminhou diversas sugestões de aprimoramento ao Marco Legal da IA, aprovado em setembro na Câmara dos Deputados e que, atualmente, está em debate no Senado. 

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Os pleitos da Entidade visam a indicar fontes de financiamento para o setor; permitir um ambiente regulatório oportuno, menos oneroso e em conformidade com outras nações; garantir padrões mínimos de segurança às empresas; e reduzir tanto a insegurança jurídica quanto as chances de judicialização do tema. “A IA trará benefícios, mas precisa ser regulada, jamais se esquecendo o fator ‘ética’, para que tais regulamentos sejam bem construídos. Vários países já estão preocupados com isso; a regulação, inclusive, é parte da estratégia de liderança econômica da IA pelos Estados Unidos”, frisa Adriana Esper, coordenadora do Comitê Proteção de Dados da FecomercioSP. 

Segundo José Gontijo, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação Digital na Secretaria de Empreendedorismo e Inovação, do governo federal, o País tem condições de induzir a adoção de tecnologias de IA por meio da contratação direta voltada a serviços públicos, de modo a gerar eficiência e reduzir a burocracia na administração, ao passo que incentive a promoção do setor sem decretar qual caminho as empresas devem seguir. Como exemplo, ele menciona que já ocorre no mundo o desenvolvimento de plataformas simples de IA que possam ser utilizadas por pequenas empresas, com apoio governamental. “É algo importante para que estes pequenos negócios não fiquem ‘para trás’ em relação a empresas consolidadas.” 

Ainda assim, o Brasil corre o risco de não acompanhar o ritmo de avanço de outras nações que têm a IA como pilar de inovação. E o prejuízo disso será sentido principalmente no preenchimento de vagas que demandem habilidades específicas, e também na geração de renda. “Há índices dizendo que a IA pode adicionar à economia global de 13% a 15% nos próximos nove anos. São muitos recursos e muita tecnologia que poderiam ser gerados no Brasil, pessoas que poderiam ser empregadas em função destas oportunidades, mas ainda não temos isso. Precisamos acelerar”, pondera Fabio Rua, diretor de Relações Governamentais e Assuntos Regulatórios na IBM Brasil e América Latina. 

A diretora da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), Miriam Wimmer, explica que a proteção de dados também é um aspecto fundamental para que não se gere um cenário de oportunidades perdidas, em decorrência da falta de confiança pelo uso da IA. “Essa falta de confiança resultaria na não utilização da tecnologia, na ausência de investimentos e na falta de incorporação destas ferramentas na máquina pública, reduzindo gastos”, conclui.

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