Editorial
21/08/2026A disputa pelo bolso do consumidor e os desafios do comércio atacadista
Novas despesas, como apostas, streaming e serviços digitais, reduzem a renda disponível das famílias e exigem mais eficiência, inteligência de dados e inovação do setor
Ronaldo Jamar Taboada*
Atualmente, o orçamento familiar não é pressionado apenas por alimentação, moradia e transporte, mas também por novos mercados digitais e serviços. Plataformas de streaming, aplicativos, compras internacionais, apostas online, academias, medicamentos voltados para o emagrecimento e serviços de entretenimento disputam os mesmos recursos do varejo tradicional.
O avanço de apostas esportivas e jogos virtuais é um dos exemplos mais evidentes dessa transformação. Segundo pesquisa da FecomercioSP, 35% dos paulistanos fazem apostas para tentar aumentar a renda doméstica, enquanto parte significativa usaria os recursos para consumo essencial, como pagar contas (14%) e comprar alimentos.
Para o comércio atacadista e distribuidor, os impactos são preocupantes. O setor atua justamente na distribuição de bens de consumo que vêm sendo fortemente afetados por essas tendências. Quando novas despesas passam a ocupar espaço no orçamento, o consumidor reduz o volume de compras, e o varejista diminui frequência de reposição, ou, ainda, buscam-se alternativas de menor valor agregado.
Diante dessa situação, o setor precisará combinar escala, eficiência logística, inteligência de dados e resiliência. Identificar quais categorias ganham prioridade, os canais que preservam crescimento e as regiões que mantêm mais dinamismo passa a ser decisivo para sustentar o avanço do comércio atacadista em um ambiente de consumo fragmentado e fragilizado.
*Presidente do Conselho de Comércio Atacadista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)
Artigo originalmente publicado na Revista Eletrolar News em 20 de agosto de 2026.