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Negócios

Atacado cresce, mas perde fôlego

Setor alcançou recorde de empregos, mas ritmo de contratação diminuiu e rotatividade chegou a quase 50% ao ano

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Atacado cresce, mas perde fôlego

O comércio atacadista paulista chegou a junho com mais de 632 mil trabalhadores, o maior número da série histórica. Ao mesmo tempo, a geração de vagas perdeu força: foram cerca de 5 mil novos empregos no primeiro semestre, contra 10 mil a 15 mil nos anos anteriores. Segundo Fabio Pina, assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o movimento acompanha a desaceleração da economia brasileira. Com juros elevados e consumidores mais endividados, o ritmo de consumo tende a perder força no varejo, o que também afeta o atacado. “O setor está num polo da cadeia, mas depende do que acontece na outra ponta, no varejo”, explica.

Apesar desse cenário, alguns segmentos seguem mais resistentes. É o caso de alimentos e bebidas, que têm menos sensibilidade às oscilações da renda. O atacarejo também se beneficia quando o consumidor aperta o orçamento, ao oferecer volumes maiores por preços, em média, mais baixos. 

Outro obstáculo é a retenção de profissionais. A rotatividade chegou a 47,3%, maior patamar da série, o que significa que quase metade da força de trabalho é substituída ao longo de um ano. Para as empresas, o impacto vai além dos custos de contratação e treinamento, envolvendo perda de produtividade, conhecimento e relacionamento com clientes. Em um mercado laboral aquecido, oferecer benefícios e uma escala presencial adequada tende a ser parte da disputa por mão de obra.

Mesmo frente às dificuldades, o atacado mantém um papel central na economia. O setor responde por quase metade da receita do Comércio nacional, com R$ 13,75 trilhões, e ganhou ainda mais importância com a expansão do comércio não presencial e da necessidade de centros de distribuição. A logística também ajuda a explicar a produtividade do segmento — a venda por trabalhador no atacado é quatro vezes e meia maior que no varejo.

De acordo com Pina, o momento pede atenção à operação e aos custos. Em um cenário de desaceleração, cuidar do estoque, reduzir perdas e melhorar o transporte pode fazer diferença nos resultados. “A inteligência logística é o mais importante para essas empresas”, afirma. Assista na íntegra!


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