Editorial

06/05/2016

Atacado paulista fecha 1.704 empregos formais em fevereiro, aponta FecomercioSP

Segundo pesquisa inédita da Federação, setor atacadista do Estado de São Paulo registrou estoque de 496.466 funcionários ativos, o menor desde março de 2013

São Paulo, 06 de maio de 2016 - Em fevereiro, o comércio atacadista no Estado de São Paulo registrou diminuição de 1.704 empregos com carteira assinada, resultado de 14.166 admissões e 15.870 desligamentos. É a primeira vez, desde 2009, que o resultado fica negativo neste período do ano, como revela a inédita Pesquisa de Emprego no Comércio Atacadista do Estado de São Paulo (PESP Atacado).  

Com isso, o estoque de trabalhadores do comércio atacadista no Estado atingiu 496.466 no mês, o patamar mais baixo desde março de 2013, quando eram 496.278 funcionários ativos no setor. 

Somando os dois primeiros meses deste ano, o saldo negativo atinge 2.950 empregos, pior primeiro bimestre desde 2007. No saldo acumulado de março de 2015 a fevereiro deste ano, foram eliminados quase 20 mil vínculos empregatícios no atacado paulista. 

A pesquisa é realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) com base nos dados do Ministério do Trabalho e Previdência Social, por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e das informações sobre movimentação declaradas pelas empresas do atacado paulista. As informações mostram o nível de emprego do comércio atacadista em dezesseis regiões e dez ramos de atividade. A FecomercioSP passou a acompanhar tais dados em fevereiro de 2016. 

Todas as dez atividades pesquisadas em fevereiro apresentaram queda no estoque de empregos na comparação com o mesmo mês de 2015. Os destaques negativos foram as atividades de eletrônicos e equipamentos de uso pessoal (-7,6%); tecidos, vestuário e calçados (-7%); e o segmento de material de construção, madeira e ferramentas (-6,8%).   

De acordo com a assessoria econômica da FecomercioSP, o desempenho do mercado de trabalho do comércio atacadista do Estado de São Paulo nos últimos meses está em consonância com os dados gerais da economia nacional e segue a  mesma tendência de eliminação de postos de trabalho observada no comércio varejista e no setor de serviços paulista. O desempenho das vendas e, consequentemente, a própria capacidade de investir do atacado é bastante dependente do comportamento das receitas varejistas, já que suprir o varejo é uma das funções primordiais do atacado. 

Além disso, há um recuo mais acentuado no estoque de trabalhadores do atacado paulista, de 3,9% em relação a fevereiro de 2015, do que o apresentado pelo varejo (-2,8%) e pelo setor de serviços (-1,8%). Na análise da FecomercioSP, essa retração está diretamente relacionada ao fato de o atacado ter também operações comerciais diretamente ligadas à indústria, setor que já vive um período prolongado de crise.   

Em relação aos dados por ocupações, os maiores saldos negativos em fevereiro foram observados nas funções:  escriturários de controle de materiais e de apoio à produção, com menos 430 postos de trabalho seguido por vendedores e demonstradores (-429) e pelos condutores de veículos e operadores de equipamentos de elevação e de movimentação de cargas (-324). 

A Entidade afirma ainda que tanto no varejo como no atacado, a crise se inicia na redução do consumo das famílias e no recuo da confiança dos empresários. Aumento de custos, endividamento elevado, crédito seletivo e incertezas políticas e econômicas afetam diretamente as decisões de compras dos consumidores. A expectativa, segundo a FecomercioSP, é que o desempenho no mercado de trabalho continue cada vez mais negativo para o setor comercial, pois não se espera que no curto prazo este quadro mude estruturalmente. 

Atacado paulistano

Foram eliminados 746 empregos com carteira assinada no atacado da cidade de São Paulo em fevereiro. A ocupação formal atingiu 206.731 empregados, queda de 0,4% na comparação com o mês anterior e   o menor patamar desde abril de 2012. O saldo acumulado dos últimos 12 meses foi negativo em 10.163 empregos - o que levou à diminuição de 4,7% do estoque total.  

Das dez atividades pesquisadas, apenas os segmentos de produtos químicos, metalúrgicos e agrícolas (18) e de energia e combustíveis (6) criaram empregos em fevereiro. Os destaques negativos do mês ficaram por conta dos setores de produtos farmacêuticos e higiene pessoal (-215 postos de trabalho); e tecidos, vestuário e calçados (-132). 

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Nota metodológica

A Pesquisa de Emprego no Comércio Atacadista do Estado de São Paulo (PESP Atacado) analisa o nível de emprego do comércio atacadista. O campo de atuação está estratificado em 16 regiões do Estado de São Paulo e dez atividades do atacado: alimentos e bebidas; produtos farmacêuticos e higiene pessoal; tecidos, vestuário e calçados; eletrônicos e equipamentos de uso pessoal; máquinas de uso comercial e industrial; material de construção, madeira e ferramentas; produtos químicos, metalúrgicos e agrícolas; papel, resíduos, sucatas e metais; energia e combustíveis; e outras atividades. As informações são extraídas dos registros do Ministério do Trabalho e Previdência Social, por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e das informações sobre movimentação declaradas pelas empresas do atacado paulista.